O JOVEM MERCADOR E A FILHA DO PIRATA

Michel garota pirata

Ernesto era um mercador muito próspero. Antes de suas viagens, ele abastecia o navio com tecidos, perfumes, utensílios de cozinha e mantimentos que, segundo ele, eram indispensáveis e atrairiam compradores ansiosos por obtê-los. Quando ele retornava de suas viagens, ninguém mais se surpreendia ao verificar que, além de ter vendido tudo o que levara, ele ainda retornava com uma longa lista de itens, que os seus fregueses lhe encomendavam para quando ele retornasse àquela região.

Certo dia, porém, o navio de Ernesto foi atacado por piratas. Ernesto estava no convés, admirando a serenidade das ondas, quando uma jovem, que parecia estar se afogando, gritou por socorro. Ele se atirou no mar para salvá-la, mas logo compreendeu que havia sido vítima de uma terrível emboscada. O navio inimigo aproximou-se, e ele não teve tempo de reunir seus homens e comandar a defesa.

O navio foi roubado com toda a mercadoria e os seus pertences, e ele e seus subordinados foram abandonados em uma ilha deserta. Mas, pior do que ter sido despojado de quase toda a sua fortuna, foi ter perdido o próprio coração: ele se apaixonou pela jovem que o enganara.

Mas Ernesto não poderia ter adivinhado que Luna, a filha do temível pirata, também havia entregado o seu coração para ele, no momento em que ele se aproximou com a intenção de salvá-la.

Os dois jovens apaixonados perderam a paz que costumava embalar seus corações. E tudo fizeram para que houvesse um reencontro… Luna desistiu de acompanhar o pai em suas viagens, onde a mentira, a desonestidade e o roubo reinavam. Ela comprou um navio e contratou uma tripulação bem diferente daquela que o seu pai se orgulhava tanto em liderar. O único objetivo de Luna era descobrir o paradeiro de seu afeto.

Quanto a Ernesto, após ter sido resgatado juntamente com sua tripulação, ele continuou a ser mercador, mas a sua rota, em vez de ser aquela que lhe garantiria mais lucros, passou a ser a mesma do pirata, pai de sua amada.

Luna, ao descobrir que o navio de Ernesto perseguia o navio de seu pai, não teve dificuldade em localizá-lo. Entretanto, ela não ousou se aproximar… Ela aguardava o momento em que Ernesto, cansado da viagem, buscasse a terra firme. E, quando isso aconteceu, ela pediu a um de seus empregados para segui-lo a fim de descobrir onde ele havia se instalado.

De posse da informação desejada, Luna soube esperar até que a oportunidade surgisse. Durante uma festividade local, os habitantes da vila se reuniram na praça, e os dois jovens amantes puderam se reencontrar.

Quem me contou esta história disse que Ernesto e Luna vivem juntos até hoje. Eu acredito que isso seja verdade, porque também já ouvi dizer que, no céu, existe um lugar destinado ao reencontro de corações que mergulharam nas ondas do verdadeiro amor.

Michel capa

Desenhos de Michel Sipliano

História de Sisi Marques

 

 

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PALAVRA DO DIA: “CALMA”

Teófilo era um homem muito impaciente. Aborrecia-se com frequência, queixava-se de tudo, irritava-se facilmente, e nada parecia agradar-lhe e muito menos trazer-lhe a paz de espírito tão desejada. É verdade: ele se agitava e mergulhava na insatisfação constantemente, porque não conseguia encontrar a serenidade que buscava.

Seus amigos o chamavam de Téo. Os pouquíssimos amigos que ele tinha não conseguiam livrá-lo da solidão. E Téo afastava-se cada vez mais do convívio social, porque considerava as pessoas egoístas e fúteis. É verdade: num mundo virado de cabeça para baixo, ele se considerava o único que ainda possuía os pés no chão.

E Téo, eu posso chamá-lo assim porque já fui considerado seu amigo… Como eu ia dizendo, Téo gostava muito de ler, embora nunca apreciasse o que lia. E, certo dia, seus olhos esbarraram em um poema que lhe pareceu absurdo: “Palavra do Dia”. Era um soneto, e Téo sorriu sarcasticamente ao observar que os versos, nos dois quartetos e nos dois tercetos, eram exatamente iguais: todos eles possuíam cinco vezes a palavra “calma”. Eis o poema, exatamente como Téo o encontrou no livro:

PALAVRA DO DIA

Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…

Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…

Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…

Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…
Calma, calma, calma, calma, calma…

Téo esboçou um sorriso de desdém quando leu o nome da autora desconhecida que, no mesmo instante, ele esqueceu.

Meses depois, no entanto, Téo adoeceu, e o desassossego se avolumava dentro do seu próprio ser. Téo chegou a acreditar que precisasse de ajuda. E, numa Sexta-Feira Santa, após um breve descanso que fizera depois da refeição, ele ainda estava deitado quando ouviu o coro da procissão que passava em sua rua. No início, ele se aborreceu e pensou em levantar e fechar a janela até que o canto cessasse, mas ele permaneceu deitado e, naquele momento, o poema da escritora desconhecida visitou-lhe a mente. O nome da autora ele não conseguiu se lembrar… Apesar disso, a única palavra, que repetida setenta vezes compunha o poema, saltou-lhe à mente. E Téo começou a prestar atenção em sua respiração. Ele passou a respirar profundamente. Ele enchia os pulmões de ar e, enquanto o liberava, pronunciava em pensamento a palavra “calma”. Téo inspirou o ar e o expirou, acompanhado da palavra “calma”, setenta vezes.

Pela primeira vez em sua vida, ele se acalmou e percebeu que a agitação não vinha de fora e sim do seu próprio interior. E foi só naquele momento que Téo descobriu qual era a sua prioridade na vida: “sentir-se confortável em sua própria pele”.

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QUERO O MEU SONHO DE VOLTA!

Libertar o sonho,
E deixar que ele voe
Para bem longe.

Ver o céu tingir-se de cinza,
E sentir as lágrimas caindo
Como se fossem frias
E pesadas gotas de chuva.

Sentir o coração encolher no peito
Até não restar mais nada.
Recuperar o tempo perdido,
E ter tempo de sobra
Para gastar com coisas que
Não preenchem a ausência do sonho.

Não! Não quero ter tempo de sobra
Para gastar com coisas que não importam.
Quero o meu sonho de volta!…

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O ELFO NEGRO E O BEIJA-FLOR

Ismael era o nome daquele ser encantado,
Que percorria a floresta como uma flecha ligeira,
Enquanto extraía notas melodiosas de sua flauta.

A sua pele era da cor do véu
Que cobre o céu
Em uma noite sem estrelas.

O seu sorriso e a sua música
Atraíam um beija-flor,
Que também decidira
Fazer daquela floresta
O seu único lar.

Certo dia, Ismael estava tocando,
Quando o pequeno pássaro
Encorajou-se a pousar em seu braço.

Ismael parou de tocar no instante
Em que o ouviu dizer:
“Eu sou a guardiã desta floresta,
E me transformei em uma ave
Para poder sobrevoá-la.
Se você aceitar o meu amor,
Você se tornará o guardião
Desta floresta e, também,
Do meu coração.”

O elfo negro, ao beber da doçura daquela voz
Que era ainda mais calorosa do que o som
Ardente e apaixonado de sua flauta, respondeu:

“Eu sempre desconfiei que essa sua aparência
Escondia a essência do verdadeiro amor.
O meu coração, que já lhe pertence,
Esta floresta, jurou proteger.”

Diz a lenda que a floresta do elfo negro
Ainda existe, e continuará existindo enquanto
O amor for preservado no coração de seus guardiões.

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A MINHA LONGA E ENIGMÁTICA ESTRADA

Nem sempre o caminho mais curto é o melhor.
Há caminhos e mais caminhos…
Um atalho poderia apressar a chegada,
Mas também poderia negar o prazer da caminhada.

A estrada mais longa, muitas vezes negligenciada,
Poderia conter o cenário capaz de prender
A atenção de nossa mente, viciada em pensamentos
Contraditórios e imediatistas que obstruem a marcha.

E esse cenário, repleto de surpresas
E prazeres inesperados, representaria
O processo de uma benéfica transformação,
E desafogaria a mente de suas banalidades.

Eu escrevo, e não ganho nada por isso.
Certo dia, pensei: “Vale a pena continuar?”
E uma voz interior me disse:

“O prazer que as histórias lhe dão
Não significa nada?!…
Apenas a remuneração por escrevê-las
É tudo o que você deseja?!…”
Eu senti o coração alçar voo
Quando respondi: “Não.”

E, naquele momento,
Não foi apenas o coração
Quem ganhou asas…

Eu também me vi sobrevoando
A minha longa e enigmática estrada.
Para onde ela me conduzirá, eu não sei.
Mas a intuição me diz que ela
É o único caminho a seguir.

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CIBELE (REALIDADE MÁGICA) 2ª Tentativa

Cibele Perfil

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O PRÍNCIPE GERVÁSIO E A GAIOLA DOURADA (Parte 17)

Sem poder imaginar que Luciano descobrira o seu paradeiro e fora buscar ajuda, Luísa chorava… Não sabia o que fazer… Leôncio, impaciente, esmurrava a porta e começava a ofendê-la. Por fim, ele lançou a ameaça:

– Sei que está aí, Luísa… Fui paciente, porque não pretendia assustá-la… Mas, agora, é diferente… Se teimar em permanecer trancada nesse quarto, quando resolver sair, será tarde demais, porque eu já terei matado Gervásio.

Luísa, segurando a medalha de São Jorge que trazia ao pescoço, caminhou até a porta e deixou Leôncio entrar.

Trancando a porta atrás de si, ele disse:

– Você só concordou em abrir, porque mencionei o nome dele. O que estava tramando, Luísa? Pretendia me trair… Você é minha; eu jamais permitirei que você e Gervásio fiquem juntos. Eu me livrarei dele custe o que custar.

Ainda segurando a medalhinha, Luísa pensava num modo de esquivar-se. Leôncio estava cada vez mais próximo; dois passos a mais e poderia alcançá-la. Conseguindo desviar-se, ela disse:

– Está certo… Fui tola em pensar que poderia enganar você e continuar casada com Gervásio. Concordo em pertencer a você, mas eu não queria que fosse aqui… Prefiro que seja no quarto dele.

Com o raciocínio nublado pela paixão, Leôncio disse:

– Você tem razão: desse modo o meu triunfo será maior.

Destrancando a porta, Leôncio pediu a Luísa que o acompanhasse.

Ela, mal atravessou a porta, pôde avistar uma estátua sobre um pedestal a apenas alguns passos de onde estavam. Sem deixá-lo suspeitar do que tencionava fazer, com os olhos colados ao chão, ela começou a segui-lo. Quando verificou que a estátua estava ao seu alcance, num movimento rápido, apanhou-a e ia golpear Leôncio, mas ele conseguiu segurar o seu braço a tempo e a fez soltar o objeto.

Antão, que chegara há alguns instantes, ainda pôde presenciar a cena. Depois de pedir a Luciano que se retirasse, disse em tom de desrespeito:

– Então aí está a nossa fugitiva! Selvagem como é, duvido que as feras tivessem alguma chance!

Leôncio, satisfeito com as palavras do oficial, exclamou no mesmo tom:

– Quem há de compreender as mulheres?!… Num dia nos amam e, no outro, parecem mesmo dispostas a acabar conosco!…

As lágrimas recomeçavam a emergir dos olhos de Luísa. Sentia-se impotente, humilhada… Nada do que fizera parecia ter funcionado: todas as suas mentiras, o trabalho que teve confeccionando a boneca… Leôncio segurava seu braço como se quisesse arrancá-lo… Não havia como escapar!

Para livrar-se de Antão, Leôncio disse:

– Foi uma noite difícil para todos nós. É melhor descansarmos um pouco, se quisermos estar dispostos para o dia que já começa a raiar.

Aproveitando-se das palavras de Leôncio, Luísa murmurou:

– Quero ir para o meu quarto.

Leôncio respondeu:

– Mais tarde, querida, discutiremos isso.

Impaciente, porque Antão ainda continuava ali a observá-los, Leôncio disse:

– O que ainda está fazendo aqui? Deve estar cansado. Gostaria de pedir-lhe desculpas por Luísa… Ela não deveria ter lhe causado tanto aborrecimento.

Antes que Antão pudesse pensar em alguma coisa para responder, Luísa insistiu:

– Quero ir para o meu quarto; estou cansada… Por favor, solte o meu braço.

Bombardeado pelo olhar curioso de Antão, Leôncio, com um sorriso desconcertado, deixou-a ir. Depois, com ar severo, sugeriu:

– Agora, vá se recolher, que farei o mesmo.

(No próximo segmento, não perca a 18ª Parte da história “O Príncipe Gervásio e a Gaiola Dourada”.)
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!!!

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CIBELE (REALIDADE MÁGICA)

R CibeleCIBELE (REALIDADE MÁGICA)

Sisi Marques

23/02/2014

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FELIZARDO, ELIEL E TADEU (REALIDADE MÁGICA)

FELIZARDO, ELIEL E TADEU (REALIDADE MÁGICA)

 

R Felizardo FELIZARDO

R Eliel ELIEL

R Tadeu TADEU

Sisi Marques

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DOCE VENTURA DE TECER SONHOS

Bruxonilda (Personagem criada por Amanda Layouts para o Blog “Doce Ventura de Tecer Sonhos”).

http://doceventuradetecersonhos.blogspot.com.br/

A história “Doce Ventura de Tecer Sonhos” foi inspirada no desenho dessa bruxinha encantadora. Eu me apaixonei pela Bruxonilda desde o primeiro instante em que a vi.

Obrigada, Amanda Fonseca, por participar dessa doce ventura de tecer sonhos.

Sisi Marques

R BruxonildaDOCE VENTURA DE TECER SONHOS

Na dimensão sombria, onde os sonhos nunca se realizam, existiu uma bruxinha que desejava que os seus sonhos pudessem se realizar. Ela passava o dia todo sonhando acordada… Imaginava-se passeando em um recanto mágico, onde a magia das outras bruxas não pudesse alcançá-la.

Certo dia, Bruxonilda fechou os olhos e desejou de todo o coração que aquele lugar mágico existisse. Decepcionou-se, porém, quando, ao abri-los, descobriu que ainda estava naquela mesma dimensão feia e sombria.

Bruxonilda era imortal; a passagem dos anos não a assustava. Ela escolheu permanecer com dezessete anos e, até hoje, essa é a idade que ela aparenta. Mas, voltando àquele momento em que Bruxonilda desejou ardentemente que houvesse um recanto onde ela pudesse tecer os seus sonhos de felicidade; ela suspirou tristemente, e continuou acalentando esse sonho por mais de vinte anos.

Você deve estar se perguntando se Bruxonilda encontrou aquele recanto mágico… Felizmente, sim. Em um de seus passeios pela floresta, Bruxonilda avistou uma árvore que brilhava como se fosse uma estrela. Encantada com a formosura da árvore, Bruxonilda se aproximou, e descobriu que a árvore estava lhe revelando o portal que havia em seu tronco.

Bruxonilda sorriu e ficou felicíssima ao pensar que, talvez, aquela fosse a passagem para a dimensão de luz, onde os sonhos se realizam!… Ela não hesitou. Com o coração transbordando de esperança, ela atravessou o portal e caminhou por uma estrada florida, em cujo término havia uma placa enorme que dizia: “Seja bem-vinda ao mundo mágico de ‘Doce Ventura de Tecer Sonhos’. Aqui todos os sonhos se realizam.”

Sisi Marques
18/02/2014

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