HISTÓRIA FAVORITA DE CAETANO AUGUSTO

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O LAMENTO DO PRÍNCIPE SOLITÁRIO

Ana Lúcia não se cansava de ir à praça, em frente à igreja, para contemplar a imensa árvore que estava toda enfeitada à espera do Natal. Os olhos da jovem órfã brilhavam de admiração diante de tanta magia e beleza. Ninguém parecia notá-la. Certo dia, porém, ela foi alvo de risos, por parte das crianças, e de olhares austeros e reprovadores, por parte dos adultos, quando gritou na praça lotada de transeuntes: “Eu ouvi sinos, eu ouvi sinos tocando!” A partir desse dia, ninguém mais a viu. Diz a lenda que ela se tornou a princesa dos duendes, e vive até hoje na companhia de seu jovem e amado príncipe. Durante duzentos longos anos, os duendes tocaram os sinos perto das árvores de Natal, na esperança de que a princesa aparecesse. Mas nenhuma jovem parecia ouvi-los. Ana Lúcia, no entanto, era especial, e o seu coração amoroso e sensível pôde ouvir o lamento do príncipe solitário que os sininhos reverberavam.

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A GATINHA ANITA E O GATO ARAGÃO

H4Q2a SISI

Anita era uma gatinha tão preguiçosa que, onde deitava, dormia.

H4Q2b SISI

Aragão era um gato brincalhão, que aprontava mil travessuras.

 

 

 

H4Q2c SISINessas voltas que a vida dá, o dono de Aragão e a dona de Anita se apaixonaram e começaram a namorar. Aragão também visitava a casa de Anita, e a gatinha, que antes só dormia, passou a ficar de olhos bem abertos.

 

 

 

 

H4Q2d Sisi

 

Aragão, por sua vez, reduziu as travessuras para não parecer infantil aos olhos de sua namoradinha.

 

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A PRESSA E A IMPACIÊNCIA DE NORBERTO

Era uma vez um homem que dizia: “Eu tenho pressa. Eu tenho pressa. Não posso esperar.” Mas a vida nem sempre trabalhava de acordo com a vontade de Norberto, e ele ficava muito nervoso quando era obrigado a esperar.

Norberto não tinha tempo a perder com nada. Pelo menos, era isso o que ele costumava dizer. A pressa e a impaciência o consumiam, e os amigos começaram a se afastar. “Quem precisa de amigos?!…” Era isso o que ele costumava exclamar.

O coração de Norberto era vazio, porque ele vivia dizendo que não tinha tempo para sonhar. Certo dia, algo muito estranho aconteceu. Era domingo, e ele, planejando a semana em sua mente, se impacientava, porque já tinha a certeza de que muito do que precisaria ser realizado teria que ser adiado, porque a ineficiência das pessoas sempre causava atrasos. De repente, ele se sentiu zonzo e cansado. Pensou em deitar-se, mas logo abandonou a ideia e voltou a repassar em sua mente os prováveis contratempos que poderiam surgir. A campainha tocou, e ele se levantou para atender à porta. Estava visivelmente irritado e já se preparava para dispensar a pessoa que ousara importuná-lo durante a elaboração de seu planejamento semanal, quando algo na mulher que o observava com o olhar frio e penetrante começou a incomodá-lo. Confuso, ele perguntou: ”Eu a conheço?”. A mulher vestida de negro respondeu: “Sim, embora seja esta a primeira vez que conversamos. Você já sentiu minha presença duas vezes, mas a sua agitação e a sua pressa acabaram adiando o nosso encontro.” Impacientando-se com a voz melodiosa e pausada da estranha mulher, ele sugeriu: “Por que não vai logo ao assunto?!… Eu estou muito ocupado.” A mulher perguntou: “Quando você terá tempo para mim?!…” Norberto sorriu encabulado antes de responder: “Por favor, não me leve a mal… Você é muito bonita e, se eu tivesse tempo para me apaixonar, certamente, escolheria alguém como você. Mas tempo é algo que eu não tenho. Eu ficaria muito agradecido se você não me procurasse mais.” A mulher calou-se e afastou-se sem demonstrar sentimento algum. Sua expressão enigmática preocupou Norberto apenas por um segundo. Ele pensou em beber uma xícara de café, mas viu isso como distração e, como ele não tolerava distrações, sentou-se e voltou a mergulhar em seus planos para a semana, que logo estaria batendo à sua porta.

Norberto, que não tinha tempo para nada, atualmente se queixa da imensidão de tempo que a vida lhe concedeu. Ele está com duzentos e trinta anos e, apesar de ainda gozar de boa saúde, ele sente que o seu tempo já passou. Agora ele tem tempo de sobra e lamenta o dia em que a morte bateu à sua porta, e ele pediu para que ela nunca mais o procurasse.

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VULCÂNIA, BEATRIZ E O JARDIM DE BORBOFLORES (Parte 2)

Borboflor Sisi Marques

Quando a rainha Beatriz chegou ao sombrio castelo da rainha Vulcânia, a rainha e seu filho a conduziram ao jardim onde as flores, em vez de pétalas, ostentavam as asas das borboletas capturadas. Para aumentar sua tristeza, a rainha Vulcânia sugeriu ironicamente: “Se desejar enfeitar seu quarto, poderá colher algumas borboflores e colocá-las em um vaso.” A rainha Beatriz limitou-se a perguntar: “O que deseja que eu faça?!…” A rainha Vulcânia respondeu; “Tudo. A partir de hoje, Malefício e eu não faremos mais nada, porque você está aqui para fazer tudo: cozinhar, limpar o castelo, cuidar de nossas roupas e nos servir prontamente quando a chamarmos. Se você cumprir a sua parte, eu cumprirei a minha: após um dia de trabalho sem lamentações, as borboletas de uma borboflor serão libertadas. No seu castelo, você possui criados que sentem prazer em servi-la, porque você é muito complacente. Aqui a situação é outra: sou exigente e não tolero negligências. Um criado que trabalhasse para mim não poderia ser bom, teria que ser perfeito. Como isso não existe, prefiro realizar as tarefas utilizando magia a ficar abrigando sob o meu teto um bando de criaturas resmungonas e imprestáveis. Agora vá, porque já tomou muito do meu tempo. Malefício estabelecerá a rotina que deve ser seguida e lhe mostrará o seu quarto.” Após receber as orientações que Malefício transmitiu-lhe, a rainha Beatriz sentiu-se aliviada quando ele a deixou em frente à porta do quarto que ela deveria ocupar.

Os dias passavam vagarosamente, e Beatriz começou a perceber que a rainha Vulcânia, no mesmo instante em que libertava as borboletas, tornava a aprisioná-las, criando com elas uma nova borboflor. Beatriz só não havia caído nas garras da desesperança, porque Malefício começara a ajudá-la nas tarefas. Certo dia, ela se encorajou a perguntar a ele: “Por que você utiliza a sua magia para minimizar o meu sofrimento?! Talvez já tenha percebido que sua mãe mentiu quando disse que libertaria as borboletas.” Ele respondeu: “Eu não estou surpreso, porque a minha mãe nunca cumpre o que promete. Se dependesse de mim, eu já teria abandonado este castelo há muito tempo. Mas existe entre nós um acordo que é selado por uma poção que só pode ser feita uma única vez. Essa poção foi dividida em dois frascos e é ela quem garante a nossa lealdade. Minha mãe possui um frasco, e o outro está aqui. Você precisa confiar em mim… Beba a poção e você se transformará naquilo que mais teme. Não precisa ter receio porque o encantamento se desfará em poucas horas. Se pretende fugir, beba a poção agora. E não se preocupe com as borboflores, porque eu encontrarei um meio de libertar as borboletas e extinguir esse jardim.”

Malefício surpreendeu-se com a facilidade que teve em convencer Beatriz a ingerir a poção. Ele imaginou que ela fosse assumir a aparência de sua mãe, mas se decepcionou quando teve a impressão de estar vendo o seu próprio reflexo em um espelho. Transtornado, ele confessou: “Não é a mim que você deve temer, porque eu te amo. Mas você jamais poderia retribuir esse amor, porque me julga sem me conhecer. Embora o meu amor seja puro e cristalino, aos seus olhos ele será sempre maculado pela maldade que transborda do coração da minha mãe.”

Igualmente confusa, Beatriz não reconheceu sua própria voz quando disse: “Eu também não compreendo o motivo de ter assumido a sua aparência. Agora é você quem precisa acreditar em mim: eu também te amo. Eu me apaixonei por você desde o primeiro instante em que os nossos olhos se encontraram.”

Profundamente magoado, Malefíco exclamou: “Mentirosa!… Mentirosa!… Mentirosa!…. Eu odeio você e te amaldiçoo!… Você tem razão: eu sou ainda mais perverso do que minha mãe, e você deve estar sentindo isso em sua própria pele porque, neste momento em que você está sob o poder do encantamento, somos um só. Não importa o que eu sinta, não importa o que eu faça, eu serei sempre filho de Vulcânia!… Pare de tremer e vá, eu ordeno!… Neste momento, o seu corpo é uma extensão do meu; o seu pensamento é uma extensão do meu; e a minha magia lhe pertence. Não perca tempo: feche os olhos e deseje estar, em segurança, em seu castelo.”

A rainha Beatriz contemplou os olhos tristes e lacrimosos do príncipe Malefício. Depois, fechou os olhos e desapareceu. No mesmo instante, a rainha Vulcânica, usando sua magia, apareceu na sala e afirmou: “Você agiu bem… Apesar de ter me traído, você agiu bem ao expulsá-la. Libertaremos as borboletas para garantir que a rainha Beatriz não tenha mais motivos para retornar a este reino. Agora suba para o seu quarto e descanse, porque você está em péssimo estado. Homens não choram… E especialmente o meu filho não deveria chorar. Onde está o seu olhar flamejante?!… Só o que vejo é o rosto de um bobalhão apaixonado!… Eu nunca deveria ter trazido aquela garota para cá!… Ela destruiu em dias o que eu levei anos para construir. Agora suba!… Não me desobedeça.”

Malefício sentia-se triste e vulnerável. Beatriz mal havia partido, e ele já sentia uma saudade que o dilacerava. Em vez de ir para o seu quarto, ele se dirigiu ao laboratório. Ele começou a revirar tudo… Ele sabia que em algum lugar deveria estar uma poção do amor. Se ele a ingerisse, ele poderia adquirir a aparência de Beatriz por algumas horas e poderia desvendar os segredos que havia em seu coração. A poção do amor, ele não conseguiu localizar. Mas surpreendeu-se quando encontrou, em um armário velho que não era usado há anos, um vidro semelhante ao que ele entregara a Beatriz. Sem hesitar, ele abriu o vidro e ingeriu a poção.

Malefício sorriu ao compreender o que havia acontecido. Ele deixou o laboratório e caminhou em direção ao seu quarto. Ao entrar no quarto, ele olhou em um espelho de parede e contemplou o vulto e o porte altivo e soberbo de sua mãe. Vulcânia trocara os frascos porque sabia que ele tencionava traí-la. Beatriz realmente o amava porque, ao ingerir a poção do amor, em vez de ter se transformado em uma flor, em uma borboleta, ou, até mesmo, em outro rapaz, ela havia adquirido a aparência dele.

Com o coração repleto de esperança, Malefício fechou os olhos e, quando tornou a abri-los, estava diante do jardim de borboflores. A poção, que o transformou naquilo que ele mais temia, ou seja, sua mãe, ampliou a força de sua magia e permitiu que ele desfizesse permanentemente o encanto que prendia as borboletas. No jardim de borboflores, restaram apenas os caules sem vida. Ele fechou os olhos novamente… Mas, dessa vez, desejou partir para o lugar onde morava a sua felicidade.

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VULCÂNIA, BEATRIZ E O JARDIM DE BORBOFLORES

Você sabe o que é uma borboflor?!… Eu gostaria de poder dizer que uma borboflor é uma flor maravilhosa que reúne a suavidade das pétalas de uma rosa e a exuberância das cores das asas de uma borboleta, mas eu estaria mentindo. Uma borboflor é uma triste visão do aprisionamento de lindas borboletas ao caule de uma flor. Quem teria a coragem de conceber algo tão cruel?!… Para falar a verdade, a rainha de olhos flamejantes não criou apenas uma borboflor. Em seu castelo, havia um jardim repleto de borboflores, e a gentil rainha, que governava o reino vizinho, parecia disposta a sacrificar sua liberdade para libertar as borboletas que tanto amava. Foi assim que tudo aconteceu:

Uma ilha, grande e rica em recursos naturais, abrigava dois reinos e, consequentemente, duas rainhas: Vulcânia, a rainha de olhos flamejantes, e Beatriz, a doce e gentil rainha. Vulcânia possuía poderes mágicos e costumava enviar Rubro, seu querido pássaro, para espionar a rainha Beatriz. A ave era encantada e cumpria a tarefa prazerosamente!… No reino vizinho, havia muitos jardins e, onde há flores, há borboletas!… Rubro adorava comer borboletas, e a rainha Beatriz costumava enxotá-lo para protegê-las. Ela não suspeitava que aquele pássaro fosse um espião a serviço da invejosa rainha… E, certo dia, ele a ouviu dizer: “Queridas borboletas, sejam sempre bem-vindas aos jardins do meu reino. Vocês e as minhas flores são o meu bem mais precioso. Eu daria a minha vida por vocês!…”

Quando Rubro encontrou-se com Vulcânia e contou-lhe o que ouvira, ela exclamou: “Bom trabalho, meu caro!… Infelizmente, das flores, eu não posso me aproximar porque tenho alergia a essas bolas de pétalas malcheirosas!… Mas há algo que posso fazer em relação às borboletas!…” Soltando estrondosas gargalhadas, a rainha desceu ao seu laboratório e pediu ao seu filho Malefício, que também possuía olhos flamejantes, para ajudá-la a encontrar um modo de fixar borboletas em um caule de flor.

Depois de muitas tentativas frustradas, eles finalmente conseguiram, e a rainha Vulcânia colocou uma mensagem e uma borboflor no bico de Rubro, para que ele as entregasse à rainha Beatriz. A mensagem dizia: “Aqui está a oportunidade que você tanto esperava: prove que realmente ama as borboletas. Essa borboflor é apenas uma amostra do que farei com todas as suas borboletas!… Para salvá-las, você não precisará entregar sua vida, mas certamente deverá abrir mão de sua liberdade. Logo terei um jardim repleto de borboflores, e você trabalhará para mim para libertá-las: cada dia de trabalho permitirá que as borboletas presas em uma borboflor voem novamente!…. Isso significa que o número de borboflores que eu conseguir criar será igual ao número de dias que você trabalhará para mim. Venha imediatamente. Mas venha sozinha porque, do contrário, exterminarei todas as borboflores”.

C O N T I N U A . . .

Queridos Leitores,
Não percam, no dia 31/10/14, sexta-feira, a continuação desta história.
Bom final de semana!!!…
E que seus sonhos se realizem!!!…

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DANILO E OS FANTASMAS DA MANSÃO ABANDONADA (Cont.)

Desanimado, Danilo pensou: “Eu deveria ter trazido algo para comer.” Nesse mesmo instante, ele olhou para o chão e viu um fio de lã estendido. Curioso, ele se levantou do chão e seguiu o fio, que o conduziu até a cozinha. Danilo ficou surpreso e feliz ao verificar que havia, sobre a mesa, uma cesta com frutas. Após comer, ele deixou a cozinha e subiu um lance de escadas. Havia um corredor enorme e várias portas. Ele abriu a primeira, e os seus olhos se depararam com um quarto acolhedor.

Danilo sentou-se na cama e começou a tocar novamente. Mas logo parou porque ouviu uma batida à porta. Ele se levantou para abri-la… Não havia ninguém, mas o fio de lã estendia-se pelo corredor e passava por debaixo de outra porta. Ele seguiu o fio e bateu à porta. Um dos fantasmas, que o recebera quando ele havia entrado na casa, abriu a porta e disse: “Que bom que você apareceu para me ajudar… Eu preciso devolver essa pilha de livros na estante.” O fantasma era bem velhinho, e Danilo realizou sozinho a tarefa.

Quando ele terminou de guardar os livros, o fantasma disse: “Agora você precisa ir ao quarto em frente para ajudar a minha esposa a terminar a costura.” Danilo já estava deixando o quarto quando o velhinho perguntou: “Você é sempre tão calado?!… Se a garota não o ama, você deve esquecê-la!… Aquela canção é muito triste!…” Danilo confidenciou: “Eu escrevi a canção antes de saber que Leonora me amava. Ela estava noiva, mas desistiu do casamento para namorar comigo. O problema é que sou muito pobre, e se eu não conseguir logo o dinheiro para que possamos nos casar, o ex-noivo de Leonora acabará convencendo-a a reatar o compromisso.” O fantasma ficou pensativo, e Danilo saiu.

No quarto de costura da esposa do fantasma, havia um enorme cesto cheio de roupas; Danilo apanhou um paletó e começou a costurar a manga que estava quase toda despregada. Ele foi costurando uma peça após a outra. Quando ele terminou e se despediu da velhinha, ela disse: “Saindo daqui, você verá um fio de lã que o levará para outra ala da casa. O meu filho precisa de sua ajuda para limpar um quarto que está abarrotado de coisas velhas e imprestáveis.”

Lá estava Danilo novamente seguindo o misterioso fio de lã. Ele teve que andar muito antes de chegar ao quarto… Subiu e desceu escadas e teria se perdido se o grosso fio verde não estivesse sempre lhe mostrando o caminho.

Danilo parou ao verificar que o fio continuava o seu trajeto por debaixo de uma porta. Ele se surpreendeu quando o velhinho a abriu para recebê-lo, porque imaginava que fosse encontrar o filho dele, mas limitou-se a perguntar: “Onde está o amontoado de coisas velhas?!… Para mim, tudo parece estar em ordem.”

O velhinho coçou a barba enquanto dizia: “É porque você ainda não olhou dentro do armário. Ele está entulhado de coisas até o teto.” Danilo abriu a porta do armário e disse: “Não há nada aqui além de uma escada. O seu filho deve tê-lo esvaziado.” O velhinho sugeriu: “Suba na escada e verifique se ele não colocou tudo no sótão. O teto é falso. Você terá que levantá-lo levemente e fazer com que ele deslize para o lado direito. Aqui está uma lanterna para ajudá-lo a ver o que há lá em cima.”

Sem reclamar, Danilo aceitou a sugestão e subiu até o sótão. Um baú era tudo o que havia. Ele imaginou que estivesse trancado. Segurou a tampa e levantou-a, direcionando a luz da lanterna para o interior do baú. A princípio, ele ficou maravilhado com o que viu, mas depois soltou a tampa e riu, imaginando tratar-se de uma peça que o velhinho desejava pregar-lhe. Ele resolveu descer e recolocou o teto onde o encontrara.

Quando Danilo saiu do armário, verificou que estava sozinho no quarto. Sentia-se tão cansado que a única coisa que lhe restava a fazer era dormir até o dia clarear. Ele se deitou e dormiu profundamente.

Na manhã seguinte, Danilo procurou os fantasmas para despedir-se e agradecer-lhes pela hospitalidade, mas não os encontrou. Ele deixou a mansão, atravessou a floresta e, quando chegou à cidade, foi ao bar onde havia realizado a aposta. Os amigos o aguardavam… Entregaram-lhe o dinheiro e lhe pagaram um substancioso café da manhã. Enquanto Danilo se alimentava, começou a contar como havia sido a sua estadia na casa, mas interrompeu sua história quando se lembrou de seu violão. Ele o havia esquecido naquele primeiro quarto que entrara, e precisava retornar à mansão para buscá-lo.

Quando ele estava deixando o bar, um de seus amigos disse em tom de gracejo: “Além do violão, traga também o ouro… O meu primo, que trabalha no cartório, disse que há um baú cheio de moedas de ouro em um dos cômodos da casa. Você não conseguiu encontrá-lo?!… Se o tivesse encontrado, estaria riquíssimo, e poderia nos emprestar o seu dinheiro, em vez de levar o nosso!… Segundo o meu primo, existe um documento que diz que a mansão e o ouro pertencem a quem conseguir encontrá-lo. Só você conseguiu passar a noite lá… Procurando o violão, talvez consiga encontrar o baú!…”

Danilo entrou novamente e sentou-se com o olhar perdido na lembrança do baú repleto de moedas de ouro que ele vira no sótão. Por um momento, ele perdeu a ligação com a realidade… Os seus amigos falavam, e ele parecia não compreender o que eles diziam…

Quando Danilo conseguiu se recuperar do impacto que a revelação de seu amigo lhe causara, ele teve um acesso de riso… Foi só depois de alguns minutos que ele encontrou fôlego para contar a história toda. Naturalmente, os amigos não acreditaram, e ele conseguiu convencê-los a ir até a mansão.

Para o espanto de Danilo, a mobília, os quadros na parede e os objetos que ele vira não passavam de ilusão. A cozinha também estava vazia… Danilo, quando subiu o primeiro lance de escadas que o levaria ao quarto onde deixara o seu violão, chegou a duvidar que o encontraria, mas lá estava ele!…

Em seguida, Danilo e os amigos fizeram o percurso até o quarto do filho do casal de velhinhos. Danilo não tinha esperança de localizar o ouro… Contudo, quando ele abriu o armário, lá estava a escada e, sobre um dos degraus, a lanterna. Ele subiu a escada… Deslocou o teto… E chorou de felicidade quando ele e os amigos comprovaram a existência do ouro que garantiria à sua futura esposa uma vida ainda mais confortável do que ela teria tido se tivesse se casado com o seu rival.

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AS CORDAS DO MEU VIOLÃO SE CALARAM

AS CORDAS DO MEU VIOLAO SE CALARAM

A rosa que você recusou
Murchou dentro do livro
Que não mais abri.

A canção que você
Não quis mais ouvir
Emudeceu à luz do luar.

Por que cantar,
Se você não está
Aqui para ouvir?
Por que amar,
Se o seu coração
Se fechou para mim?

Quando o seu amor me abandonou,
As cordas do meu violão se calaram,
E morreram de saudade da canção
Que emudeceu à luz do luar.

Por que cantar,
Se você não está
Aqui para ouvir?
Por que amar,
Se o seu coração
Se fechou para mim?

Sisi Marques

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DANILO E OS FANTASMAS DA MANSÃO ABANDONADA

Danilo não costumava beber, mas foi até o bar, porque desejava fazer uma aposta com os amigos. Ele disse: “Eu estou disposto a passar um dia e uma noite na casa assombrada. Se não acreditam, paguem para ver!…”

Os amigos riram muito!… Enquanto um deles lhe oferecia um copo de cerveja, outro exclamou: “O amor roubou os seus miolos!… Precisa de dinheiro para se casar, e resolveu dar uma de valente!!!… Muitos já tentaram, mas ninguém conseguiu passar a noite na mansão assombrada. Se o aconselhássemos a desistir da ideia, você pensaria que não somos seus amigos… Aceitaremos a aposta. Se você conseguir pernoitar na casa, levará o nosso dinheiro. Mas se sair de lá correndo como um coelhinho assustado, além de não ganhar nada, terá que vestir uma fantasia de coelho e ir até a praça para que todos nós possamos nos divertir, atirando-lhe cenouras.”

Danilo amava Leonora e deseja casar-se com ela o mais breve possível. Ele faria qualquer coisa para apressar a sua felicidade… No dia seguinte, lá estava ele na entrada do casarão que parecia abandonado há séculos. Se algum mal acontecesse a ele, ninguém apareceria para socorrê-lo, porque ninguém conseguiria ouvi-lo. A floresta escondia a propriedade e a protegia como se fosse uma fortaleza. Danilo respirou fundo e fixou o seu pensamento em Leonora no momento em que o pesadelo começou.

Os fantasmas apareciam e falavam todos ao mesmo tempo. Todos eles desejavam roubar-lhe a atenção e, para isso, gritavam, gesticulavam e o puxavam para um canto como se quisessem contar-lhe algum segredo ou pedir-lhe algo. Para distrair-se, ele apanhou a única coisa que havia levado consigo: o seu violão; e começou a cantar a canção que havia criado para Leonora.

AS CORDAS DO MEU VIOLAO SE CALARAM

O pensamento de Danilo estava completamente voltado para a jovem que ele amava… Os fantasmas se calaram e passaram a observá-lo calmamente. Quando ele parou de cantar, ele olhou ao redor e percebeu que estava sozinho.

C O N T I N U A . . .

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A LUZ DE UM FAROL

Mensagem Sisi 205

Quando comecei a escrever a história “Realidade Mágica”,

o Felizardo não passava de uma ideia imprecisa,

e o Caetano ainda não existia. Eu disse ao meu marido:

“Eu hei de construir algo que seja maior do que eu…

Algo que se assemelhe à luz de um farol para que possa ser visto.”

O farol ainda não existe. Mas eu creio que uma vela já foi acesa.

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23/06/2014

 

 

 

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EDVALDO E O GIGANTE QUE GOSTAVA DE OUVIR HISTÓRIAS

Baixinho!… Edvaldo detestava ser baixinho!… Na escola, não havia garoto mais baixo do que ele. Se ele fosse alto, ele poderia ser até gordo… Mas baixinho!… Caminhando, embalado por esses pensamentos, Edvaldo assustou-se quando ouviu um grito. Desconfiado, ele olhou para os lados e não viu ninguém. Ele se preparava para dar o próximo passo, quando ouviu alguém gritar: “Cuidado! Olhe onde pisa!…”

Edvaldo, espantado, segurou o pé no ar, e ficou perplexo ao ver aquele ser minúsculo. Ele se ajoelhou e fixou o olhar no homenzinho. Surpreendeu-se ao ouvi-lo dizer: “Vim buscá-lo. Você precisa me seguir. O reino onde moro foi invadido por um gigante que gosta de ouvir histórias, e você deve ir lá para ensiná-lo a ler. Os meus amigos e eu não aguentamos mais ficar dia após dia inventando histórias para aquele grandalhão insaciável!…”

Edvaldo estendeu a mão enquanto dizia: “Suba aqui. Eu o levarei à minha casa para que possamos conversar.” O homenzinho recusou-se a subir na mão de Edvaldo. Disse: “Eu já compreendi: você não ousaria atravessar o portal que o conduziria ao meu reino. Você ainda é muito jovem e não se afastaria de seus pais. Eu já sei o que faremos: enviarei o gigante para esta dimensão, e você o hospedará em sua casa e o conduzirá à escola. Amanhã você o encontrará nesta mesma hora, neste mesmo lugar.” Sem esperar pela resposta de Edvaldo, o homenzinho desapareceu.

No dia seguinte, quando retornava da escola, Edvaldo passou por aquela mesma rua. Ele não acreditava que fosse encontrar um gigante barrando o seu caminho. Ele contou a história toda a seus pais, e eles disseram que tudo não passara de uma peça que a sua imaginação lhe pregara. Ele caminhava distraído quando um garoto, poucos centímetros mais baixo do que ele, começou a segui-lo a passos largos e logo o alcançou. Edvaldo ficou intrigado quando o ouviu dizer: “Você é um gigante ainda maior do que eu. Se você aprendeu a ler, eu também consigo… Tive que adquirir esta aparência de garoto para que ninguém desconfiasse que tenho cento e trinta e nove anos. Eu sou louco por histórias, e os homenzinhos me aborrecem porque contam quase sempre a mesma história. Depois que eu aprender a ler, levarei muitos livros para a minha dimensão.”

Com o passar do tempo, Edvaldo e o gigante tornaram-se amigos, e Edvaldo nunca mais reclamou de sua estatura. Como ele poderia se considerar baixinho, se era ainda mais alto do que um gigante?!…

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Se você ainda não leu o poema “O GIGANTE QUE GOSTAVA DE OUVIR HISTÓRIAS”, clique no link abaixo:

http://felizardorealidademagica.com.br/?p=2809

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