SERAFIM E A BRUXA LINDALVA (Parte 1)

Serafim e a Bruxa Lindalva

Lindalva, em sua casa construída entre a solidão e a aridez das montanhas, vivia a cantarolar: “Serafim nasceu pra mim; Serafim nasceu pra mim…”

Parecia estar apaixonada por Serafim; e, por essa razão, todos os dias, deixava sua casa para ir espiá-lo no trabalho.

Serafim, embora sentisse alguns arrepios repentinos e inexplicáveis, não poderia imaginar que era o alvo da atenção de uma bruxa. Enquanto arava a terra, o seu amor por Júlia germinava em seu coração e o fazia sonhar.

Seus companheiros de trabalho haviam-no aconselhado a esquecer Júlia, a filha do patrão, mas Serafim pareceu nem sequer ouvi-los. Pensava que o único problema real não era o fato de ser pobre, e sim a sua timidez. Sempre que Júlia aparecia, Serafim tirava o chapéu para cumprimentá-la; mas, em vez de continuar olhando para ela, fitava o chapéu e começava a torcer-lhe a aba. Quando tomava coragem de tornar a olhar em sua direção, ela já havia se retirado. O coração de Serafim suspirava: “Júlia!…”

No final do dia, quando Serafim se recolhia para o merecido descanso, era nas cordas de seu violão que melhor conseguia expressar o seu amor.

Júlia, por sua vez, sem que Serafim pudesse desconfiar, aguardava ansiosamente o momento de ouvi-lo tocar. Deixava sempre a janela de seu quarto um pouco aberta, para poder adormecer embalada pelo som de seu violão apaixonado.

Houve uma ocasião em que Serafim estava tão inspirado que começou a cantar. Júlia saiu à sacada na esperança de vê-lo, mas ao se lembrar de que Serafim, tímido como era, jamais se atreveria a fazer-lhe uma serenata, ela voltou para o quarto, entristecida.

O tempo ia passando, e o amor de Serafim por Júlia cresceu tanto que conseguiu vencer a timidez daninha. Serafim revestiu-se de coragem, e foi falar com o pai de Júlia, para pedi-la em casamento.

Justino, que já suspeitava que a filha estivesse apaixonada pelo empregado, resolveu aceitá-lo por genro. E, assim, Serafim e Júlia começaram a namorar.

Quando Lindalva se deu conta de que começava a perder Serafim para Júlia, revoltou-se. E, quem se atrevesse a passar pelos arredores de sua casa, podia ouvi-la cantar: “Será o fim de Serafim; será o fim de Serafim…”

(Não perca, no próximo domingo, dia 09/06/13, a 2ª Parte da história “Serafim e a Bruxa Lindalva”.)

Até breve.

Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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