FLÁVIA E DOUGLAS (Capítulo VI)

Na manhã seguinte, como era de se esperar, Lucas acordou em péssimo estado. Não se lembrava de nada do que havia acontecido à noite anterior. Depois que Hortência lhe contou sobre Augusto, ele exclamou:

– Lamento ter dado tanto trabalho àquele rapaz! É uma pena que eu não possa telefonar para agradecer a ele.

– Não se preocupe. Augusto sabe que lhe seremos sempre gratos. Além disso, entreguei a ele o seu cartão.

– Mas, se ele não ligar, jamais poderei agradecer-lhe pessoalmente.

– Lucas, pare de se atormentar! Procure esquecer o incidente da noite passada. Faremos de conta que não houve nada. Está bem assim? Agora procure descansar. Já avisei a Elaine que você só irá à tarde.

– Contou a ela que eu…

– Não, por favor, não continue!… É claro que não lhe disse nada. Nem mesmo para Telma e Armando, eu seria capaz de contar uma coisa dessas! Eu disse apenas que você amanheceu indisposto.

Parecia que nada havia mudado entre eles. Entretanto, assim que Lucas se sentiu melhor, resolveu ir para o trabalho. Hortência protestou:

– Você não pode sair sem almoçar. Se você comer em um restaurante, se sentirá ainda pior.

– Por favor, Hortência, não se preocupe. Eu estou bem.

Ele a beijou no rosto e saiu.

Hortência sabia que não era para trabalhar que Lucas estava tão ansioso. Certamente ele convidaria Flávia para almoçar e lhe contaria sobre a proeza da noite anterior. Pensou: “Flávia, Flávia!… Já estou farta dessa mulher!…

Hortência não se enganara. Lucas nem passou em seu escritório; foi direto para a sala de Flávia. Ela não se deu ao trabalho de cumprimentá-lo, e ele foi logo dizendo:

– Preciso falar com você. Poderíamos ir àquele nosso restaurante.

Flávia exclamou:

– Só se eu desejasse perder o apetite de vez!… Por favor, vá embora!

– Não. Você precisa me ouvir. Sei que a magoei muito… Eu gostaria que tudo pudesse voltar a ser como antes. Não quero viver sem você.

Ele havia se sentado ao lado de Flávia; mas, quando fez um movimento para segurar sua mão, ela se afastou bruscamente, e disse:

– Não devemos continuar nos iludindo, porque não há esperança para o nosso amor. A sua retidão de caráter e a sua fidelidade ao seu casamento jamais permitiriam que houvesse um relacionamento sério entre nós. Eu não posso acusá-lo de nada, porque você sempre me respeitou. Mas, por favor, compreenda: eu não quero continuar sonhando com um amor que só existe em contos de fada. Eu preciso de alguém real, tangível, com quem eu possa compartilhar a minha vida. Eu não tenho mais nada a lhe dizer.

Lucas não parecia disposto a desistir do amor de Flávia. Ele já havia se levantado quando disse:

– Não foi só você quem sofreu com o rompimento do nosso namoro. Eu também sofri, e ainda sofro porque amo a sua presença. Viver sem poder vê-la era o mesmo que morrer um pouco a cada dia. Ontem, depois que a vi ao lado daquele rapaz, perdi o controle e me embriaguei.

Flávia comentou:

– Se eu não o conhecesse, diria que está mentindo.

– Eu mesmo nunca pensei que fosse capaz de uma tolice dessas!… Contudo, eu estava desnorteado; sentia-me um covarde: eu deveria ter desistido do meu casamento, em vez de tentar matar o nosso amor. Consegue me perdoar?

– Não quero ficar relembrando o passado. Talvez ainda possamos ser amigos.

– É só isso o que espera de mim: amizade?

– Para quem só experimentava a sua indiferença, um pouco de amizade já seria o bastante.

– Só me afastei de você, para protegê-la. Sempre desejei que você encontrasse alguém que pudesse fazê-la feliz; e, no entanto, agora que você está prestes a se casar, sofro ao pensar que posso perdê-la para sempre.

As lágrimas já começavam a rolar pelo rosto de Flávia. Com a voz entrecortada, ela disse:

– Foi o seu orgulho, e não o seu amor que o trouxe de volta. Se eu desmanchasse o meu noivado com Douglas, você se afastaria de mim outra vez. Você nunca me amou. Quem ama não tem forças para negar o amor que sente. Eu não voltarei atrás na minha decisão de me casar com Douglas.

– Sinto que você ainda me ama. Se insistir em se casar com esse moço, será apenas para se vingar de mim. Enlouqueço só de imaginá-la ao lado dele. Liberte-me desse tormento: acabe logo com esse noivado, porque é a mim que você ama.

Aquela situação já começava a ficar insuportável para Flávia. Uma mistura de revolta, amor e desespero castigava-lhe a alma. Com o coração apertado, ela disse:

– Douglas é apenas meu noivo, e você diz que enlouquece quando o imagina ao meu lado. Hortência é sua esposa; o que pensa que sinto quando imagino você ao lado dela?!… Por favor, Lucas, saia daqui! Deixe-me em paz!

Lucas pensou que talvez fosse melhor não insistir. Só o tempo poderia ajudar Flávia a perdoá-lo.

(Não perca na PRÓXIMA 3ª FEIRA, dia 04/06/13, o 7º CAPÍTULO da história “FLÁVIA E DOUGLAS”.)

Até breve.

Sisi Marques

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Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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