CRISTIANE E A LOJA DE ROUPAS FEMININAS

A história a seguir foi escrita com a colaboração de 4 alunos da EJA: Caique Queiroz, Mayara Capozzollli, Pedro Francisco e Robenilza Pessoa.

CRISTIANE E A LOJA DE ROUPAS FEMININAS
Cristiane tinha ido ao toalete da loja de roupas femininas, onde costumava gastar quase todo o seu salário do mês. Para ela não havia nada mais prazeroso do que fazer compras. Deliciava-se olhando as vitrines, mas sentia-se frustrada no momento de deixar aquela loja que lhe parecia um verdadeiro paraíso.

Ela já estava lavando as mãos, e pensava em retocar a maquiagem, quando as luzes se apagaram. Ela não se afligiu, porque era comum faltar energia elétrica naquela região. Tranquilamente ela apanhou a lanterna, que costuma carregar na bolsa para essas eventualidades, e deixou o toalete.

Cristiane preocupou-se, no entanto, quando verificou que o andar estava deserto. Ela se perguntava como não percebera que a loja estava sendo fechada. Indignada com a negligência, o desrespeito e a falta de responsabilidade dos funcionários em não ter ido verificar se havia alguém no banheiro, ela utilizou a claridade da lanterna para procurar o banco, onde costumava se sentar para passar horas olhando os vestidos caros que jamais poderia comprar.

O que haveria de fazer?… Certamente teria que passar a noite toda ali. Resolveu parar de se lamentar e tirar proveito da situação. Direcionou a lanterna para sua vitrine favorita. Eram tão lindos aqueles vestidos!… Como desejava ser rica para poder comprá-los!… Imaginava o brilho das joias que poderiam torná-los ainda mais deslumbrantes, quando teve a nítida impressão de ver um dos manequins se movendo. Ela se levantou, desconfiada, e caminhou até o vidro para certificar-se de que havia se enganado.

Minutos depois de observar atentamente o manequim, Cristiane quase desmaiou quando o viu locomover-se em sua direção. A linda boneca de plástico sorria, enquanto acariciava o seu vestido dizendo:

– Este vestido é meu. Se você o quer, venha buscá-lo.

No mesmo instante, o elegante manequim trocou o agradável sorriso, por uma gargalhada debochada e estridente.

Cristiane, em seu desespero, começou a gritar. Gritava, gritava e rezava na esperança de que o seu anjo de guarda fizesse com que alguém a ouvisse.

Cristiane despertou. Estava sozinha em seu quarto, em meio a lençóis banhados de suor. Sentindo-se profundamente aliviada por aquela experiência ruim ter sido apenas um pesadelo, ela jurou a si mesma que nunca mais entraria naquela loja de roupas femininas.

FIM

Sisi Marques & Colaboradores

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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