CAIO E O DRAGÃO DOURADO (Parte 3)

Caio e o Dragão Dourado
Eles já haviam cavalgado por algumas horas, quando, de repente, Caio fez um sinal para o cavalo parar. Virando o rosto para trás, disse a Camilo:

– Olhe só para o chão: pegadas… Nosso dragão esteve aqui, e não faz muito tempo. Quer mesmo continuar, ou prefere desistir?

Camilo não respondeu, e Caio desceu do cavalo para observar melhor as enormes pegadas do animal. Quando ia tornar a montar, notou certa apreensão no rosto de Camilo. Para deixá-lo mais à vontade, exclamou:

– Não me diga que nosso pequeno herói está com medo de um dragãozinho de nada! Pensei que fosse mais corajoso!…

Quando os olhos de Camilo se encheram de lágrimas, Caio arrependido de ter feito o gracejo, desculpou-se:

– Ei, foi só uma brincadeira! Não precisa chorar. Sei que é corajoso. Talvez seja por isso que eu goste tanto de você.

As palavras de Caio não foram suficientes para impedir que o rosto de Camilo se banhasse em pranto. Era um choro silencioso, sem soluços, nem lamentações.

Caio percebeu que só havia um modo de alegrá-lo. Começou a cantar:

“Você é criança,
A esperança
De um mundo melhor…

Eu sou um adulto,
Ainda puro;
Um dos poucos que há…

Nós dois unidos
Espalharemos
Confetes de Luz
E Paz…”

Caio não se enganara; a canção fez Camilo enxugar as lágrimas, e voltar a sorrir. Caio também sorriu; a simples presença do garoto tinha o poder de deixar seu coração mais leve, apesar do terrível crime que ele estava prestes a cometer.

Os dois não seguiram viagem. Caio fez uma fogueira para esquentar um pouco da comida que havia levado, e para aquecê-los durante a noite. Receando que o dragão aparecesse e os surpreendesse enquanto dormiam, ele passou a noite toda atento; embora os seus olhos se fechassem de vez em quando, os seus ouvidos continuavam bem abertos.

Camilo, por sua vez, não parecia guardar em seu coração o mesmo receio, porque dormiu feito uma pedra a noite inteira.

Fim da 3ª Parte.

(UM PRESENTINHO PARA VOCÊ: a antecipação da 4ª Parte.)

CAIO E O DRAGÃO DOURADO (Parte 4)

Logo que amanheceu, os dois se alimentaram, e partiram seguindo as pegadas do dragão.

Caio percebeu que, foi só retomarem a busca, a alegria tornou a se apagar no rosto de Camilo. Desconfiado, perguntou:

– Por que não me diz o que está acontecendo?

Camilo fingiu ignorar a pergunta, e Caio, sem parar de cavalgar, insistiu:

– O que você está escondendo? Por que não facilita o meu trabalho e diz logo tudo o que sabe sobre esse dragão? Aposto que você já o viu.

Como Camilo permanecesse calado, Caio olhou para trás para poder observar a expressão em seu rosto. Ficou surpreso ao verificar que uma névoa de ódio e tristeza encobria suas bochechinhas rosadas e contraía suas feições.

Foi só naquele momento que Caio percebeu que Camilo não era tão ingênuo quanto ele acreditara. A contração em seu rosto parecia mais um esforço para tentar segurar a lava de sentimentos tempestuosos que estava prestes a emergir de seu peito.

Não conseguindo mais suportar o olhar firme de Caio, Camilo finalmente disse magoado:

– Ajude-me a descer. Não quero mais acompanhá-lo, porque me enganei a seu respeito.

Caio, reagindo às palavras de Camilo, exclamou:

– Que história é essa?!… É você quem está prestes a explodir e não eu! Você é mesmo uma criança, ou será um daqueles serezinhos endiabrados que as pessoas dizem proteger esses dragões infames?

Camilo rebateu prontamente:

– Os duendes não são seres endiabrados! Eles têm mais coração do que você e a aquela sua princesa assassina!

Caio ia dizer algo em defesa de Cândida, mas o choro convulsivo de Camilo obrigou-o a se calar.

(Gostou do presente?… Não perca na próxima 2ª feira, dia 03/06/13, a 5ª Parte da história “Caio e o Dragão Dourado”.)

Até breve.

Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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