O DESPERTAR DE VENTINHO (Parte 3)

Os dias se passavam, e Manchinha Verde dizia:

– Você precisa resistir a esse amor… Se conseguir esquecer aquela moça, certamente poderá voltar a brincar com o mundo das formas.

Resignado, Ventinho respondeu:

– Eu nunca conseguirei esquecê-la.

– Você está apaixonado!… Isso não faz parte do nosso mundo; é coisa de humanos.

– Eu daria tudo para me tornar um deles. Ajude-me, Manchinha Verde, diga-me o que posso fazer.

– Eu não sei… Talvez, você devesse perguntar a Marronzinho.

Naquela mesma tarde, Ventinho voou ao encontro de Marronzinho, para pedir-lhe que o ajudasse a se tornar humano. Eis a resposta que obteve:

– Ninguém, nesta floresta, conhece os humanos melhor do que eu. Sou o único que pode ajudá-lo. Mas todo trabalho tem um preço: eu quero as suas asas.

– Pode ficar com elas. O que preciso fazer?

– Primeiro, as asas…

Ventinho transferiu suas asas mentalmente para Marronzinho, e ficou surpreso ao vê-las, como num passe de mágica, mudarem de dono. Depois, apreensivo, fechou os olhos, engoliu a saliva e comeu a flor amarga que Marronzinho depositara em sua mão. Quando abriu os olhos, admirou-se com a forma estranha que havia adquirido. Apesar de satisfeito, exclamou zangado:

– Ainda não é suficiente!… Não percebe que estou muito pequeno?!… É o máximo que consegue fazer: reduzir-me ao seu tamanho?!

– Ora, não reclame! Se desejar, posso lhe devolver as asas.

Profundamente abatido, Ventinho sentou-se na relva e começou a chorar, enquanto dizia:

– De que me servem as asas, se o meu coração não quer se libertar?!…

Sentando-se pesadamente ao lado de Ventinho, Marronzinho revelou:

– Ouça, existe um modo, mas é muito perigoso. Teremos que mergulhar nas sombras do interior das cavernas até encontrarmos o dragão guardião das formas. Se o motivo de nossa visita não lhe parecer justo, seremos aprisionados no interior de um vulcão por dois séculos no mínimo!… Essa é a penalidade para quem perturba o seu repouso desnecessariamente.

– Nenhum tormento pode ser maior do que o fogo da paixão que me aprisiona… Estou disposto a empreender a viagem.

(Não perca no próximo domingo, dia 02/06/13, a 4ª Parte da história “O Despertar de Ventinho”.)

Até breve.

Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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