DANILO E OS FANTASMAS DA MANSÃO ABANDONADA (Cont.)

Desanimado, Danilo pensou: “Eu deveria ter trazido algo para comer.” Nesse mesmo instante, ele olhou para o chão e viu um fio de lã estendido. Curioso, ele se levantou do chão e seguiu o fio, que o conduziu até a cozinha. Danilo ficou surpreso e feliz ao verificar que havia, sobre a mesa, uma cesta com frutas. Após comer, ele deixou a cozinha e subiu um lance de escadas. Havia um corredor enorme e várias portas. Ele abriu a primeira, e os seus olhos se depararam com um quarto acolhedor.

Danilo sentou-se na cama e começou a tocar novamente. Mas logo parou porque ouviu uma batida à porta. Ele se levantou para abri-la… Não havia ninguém, mas o fio de lã estendia-se pelo corredor e passava por debaixo de outra porta. Ele seguiu o fio e bateu à porta. Um dos fantasmas, que o recebera quando ele havia entrado na casa, abriu a porta e disse: “Que bom que você apareceu para me ajudar… Eu preciso devolver essa pilha de livros na estante.” O fantasma era bem velhinho, e Danilo realizou sozinho a tarefa.

Quando ele terminou de guardar os livros, o fantasma disse: “Agora você precisa ir ao quarto em frente para ajudar a minha esposa a terminar a costura.” Danilo já estava deixando o quarto quando o velhinho perguntou: “Você é sempre tão calado?!… Se a garota não o ama, você deve esquecê-la!… Aquela canção é muito triste!…” Danilo confidenciou: “Eu escrevi a canção antes de saber que Leonora me amava. Ela estava noiva, mas desistiu do casamento para namorar comigo. O problema é que sou muito pobre, e se eu não conseguir logo o dinheiro para que possamos nos casar, o ex-noivo de Leonora acabará convencendo-a a reatar o compromisso.” O fantasma ficou pensativo, e Danilo saiu.

No quarto de costura da esposa do fantasma, havia um enorme cesto cheio de roupas; Danilo apanhou um paletó e começou a costurar a manga que estava quase toda despregada. Ele foi costurando uma peça após a outra. Quando ele terminou e se despediu da velhinha, ela disse: “Saindo daqui, você verá um fio de lã que o levará para outra ala da casa. O meu filho precisa de sua ajuda para limpar um quarto que está abarrotado de coisas velhas e imprestáveis.”

Lá estava Danilo novamente seguindo o misterioso fio de lã. Ele teve que andar muito antes de chegar ao quarto… Subiu e desceu escadas e teria se perdido se o grosso fio verde não estivesse sempre lhe mostrando o caminho.

Danilo parou ao verificar que o fio continuava o seu trajeto por debaixo de uma porta. Ele se surpreendeu quando o velhinho a abriu para recebê-lo, porque imaginava que fosse encontrar o filho dele, mas limitou-se a perguntar: “Onde está o amontoado de coisas velhas?!… Para mim, tudo parece estar em ordem.”

O velhinho coçou a barba enquanto dizia: “É porque você ainda não olhou dentro do armário. Ele está entulhado de coisas até o teto.” Danilo abriu a porta do armário e disse: “Não há nada aqui além de uma escada. O seu filho deve tê-lo esvaziado.” O velhinho sugeriu: “Suba na escada e verifique se ele não colocou tudo no sótão. O teto é falso. Você terá que levantá-lo levemente e fazer com que ele deslize para o lado direito. Aqui está uma lanterna para ajudá-lo a ver o que há lá em cima.”

Sem reclamar, Danilo aceitou a sugestão e subiu até o sótão. Um baú era tudo o que havia. Ele imaginou que estivesse trancado. Segurou a tampa e levantou-a, direcionando a luz da lanterna para o interior do baú. A princípio, ele ficou maravilhado com o que viu, mas depois soltou a tampa e riu, imaginando tratar-se de uma peça que o velhinho desejava pregar-lhe. Ele resolveu descer e recolocou o teto onde o encontrara.

Quando Danilo saiu do armário, verificou que estava sozinho no quarto. Sentia-se tão cansado que a única coisa que lhe restava a fazer era dormir até o dia clarear. Ele se deitou e dormiu profundamente.

Na manhã seguinte, Danilo procurou os fantasmas para despedir-se e agradecer-lhes pela hospitalidade, mas não os encontrou. Ele deixou a mansão, atravessou a floresta e, quando chegou à cidade, foi ao bar onde havia realizado a aposta. Os amigos o aguardavam… Entregaram-lhe o dinheiro e lhe pagaram um substancioso café da manhã. Enquanto Danilo se alimentava, começou a contar como havia sido a sua estadia na casa, mas interrompeu sua história quando se lembrou de seu violão. Ele o havia esquecido naquele primeiro quarto que entrara, e precisava retornar à mansão para buscá-lo.

Quando ele estava deixando o bar, um de seus amigos disse em tom de gracejo: “Além do violão, traga também o ouro… O meu primo, que trabalha no cartório, disse que há um baú cheio de moedas de ouro em um dos cômodos da casa. Você não conseguiu encontrá-lo?!… Se o tivesse encontrado, estaria riquíssimo, e poderia nos emprestar o seu dinheiro, em vez de levar o nosso!… Segundo o meu primo, existe um documento que diz que a mansão e o ouro pertencem a quem conseguir encontrá-lo. Só você conseguiu passar a noite lá… Procurando o violão, talvez consiga encontrar o baú!…”

Danilo entrou novamente e sentou-se com o olhar perdido na lembrança do baú repleto de moedas de ouro que ele vira no sótão. Por um momento, ele perdeu a ligação com a realidade… Os seus amigos falavam, e ele parecia não compreender o que eles diziam…

Quando Danilo conseguiu se recuperar do impacto que a revelação de seu amigo lhe causara, ele teve um acesso de riso… Foi só depois de alguns minutos que ele encontrou fôlego para contar a história toda. Naturalmente, os amigos não acreditaram, e ele conseguiu convencê-los a ir até a mansão.

Para o espanto de Danilo, a mobília, os quadros na parede e os objetos que ele vira não passavam de ilusão. A cozinha também estava vazia… Danilo, quando subiu o primeiro lance de escadas que o levaria ao quarto onde deixara o seu violão, chegou a duvidar que o encontraria, mas lá estava ele!…

Em seguida, Danilo e os amigos fizeram o percurso até o quarto do filho do casal de velhinhos. Danilo não tinha esperança de localizar o ouro… Contudo, quando ele abriu o armário, lá estava a escada e, sobre um dos degraus, a lanterna. Ele subiu a escada… Deslocou o teto… E chorou de felicidade quando ele e os amigos comprovaram a existência do ouro que garantiria à sua futura esposa uma vida ainda mais confortável do que ela teria tido se tivesse se casado com o seu rival.

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About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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