O PRÍNCIPE GERVÁSIO E A GAIOLA DOURADA (Parte 17)

Sem poder imaginar que Luciano descobrira o seu paradeiro e fora buscar ajuda, Luísa chorava… Não sabia o que fazer… Leôncio, impaciente, esmurrava a porta e começava a ofendê-la. Por fim, ele lançou a ameaça:

– Sei que está aí, Luísa… Fui paciente, porque não pretendia assustá-la… Mas, agora, é diferente… Se teimar em permanecer trancada nesse quarto, quando resolver sair, será tarde demais, porque eu já terei matado Gervásio.

Luísa, segurando a medalha de São Jorge que trazia ao pescoço, caminhou até a porta e deixou Leôncio entrar.

Trancando a porta atrás de si, ele disse:

– Você só concordou em abrir, porque mencionei o nome dele. O que estava tramando, Luísa? Pretendia me trair… Você é minha; eu jamais permitirei que você e Gervásio fiquem juntos. Eu me livrarei dele custe o que custar.

Ainda segurando a medalhinha, Luísa pensava num modo de esquivar-se. Leôncio estava cada vez mais próximo; dois passos a mais e poderia alcançá-la. Conseguindo desviar-se, ela disse:

– Está certo… Fui tola em pensar que poderia enganar você e continuar casada com Gervásio. Concordo em pertencer a você, mas eu não queria que fosse aqui… Prefiro que seja no quarto dele.

Com o raciocínio nublado pela paixão, Leôncio disse:

– Você tem razão: desse modo o meu triunfo será maior.

Destrancando a porta, Leôncio pediu a Luísa que o acompanhasse.

Ela, mal atravessou a porta, pôde avistar uma estátua sobre um pedestal a apenas alguns passos de onde estavam. Sem deixá-lo suspeitar do que tencionava fazer, com os olhos colados ao chão, ela começou a segui-lo. Quando verificou que a estátua estava ao seu alcance, num movimento rápido, apanhou-a e ia golpear Leôncio, mas ele conseguiu segurar o seu braço a tempo e a fez soltar o objeto.

Antão, que chegara há alguns instantes, ainda pôde presenciar a cena. Depois de pedir a Luciano que se retirasse, disse em tom de desrespeito:

– Então aí está a nossa fugitiva! Selvagem como é, duvido que as feras tivessem alguma chance!

Leôncio, satisfeito com as palavras do oficial, exclamou no mesmo tom:

– Quem há de compreender as mulheres?!… Num dia nos amam e, no outro, parecem mesmo dispostas a acabar conosco!…

As lágrimas recomeçavam a emergir dos olhos de Luísa. Sentia-se impotente, humilhada… Nada do que fizera parecia ter funcionado: todas as suas mentiras, o trabalho que teve confeccionando a boneca… Leôncio segurava seu braço como se quisesse arrancá-lo… Não havia como escapar!

Para livrar-se de Antão, Leôncio disse:

– Foi uma noite difícil para todos nós. É melhor descansarmos um pouco, se quisermos estar dispostos para o dia que já começa a raiar.

Aproveitando-se das palavras de Leôncio, Luísa murmurou:

– Quero ir para o meu quarto.

Leôncio respondeu:

– Mais tarde, querida, discutiremos isso.

Impaciente, porque Antão ainda continuava ali a observá-los, Leôncio disse:

– O que ainda está fazendo aqui? Deve estar cansado. Gostaria de pedir-lhe desculpas por Luísa… Ela não deveria ter lhe causado tanto aborrecimento.

Antes que Antão pudesse pensar em alguma coisa para responder, Luísa insistiu:

– Quero ir para o meu quarto; estou cansada… Por favor, solte o meu braço.

Bombardeado pelo olhar curioso de Antão, Leôncio, com um sorriso desconcertado, deixou-a ir. Depois, com ar severo, sugeriu:

– Agora, vá se recolher, que farei o mesmo.

(No próximo segmento, não perca a 18ª Parte da história “O Príncipe Gervásio e a Gaiola Dourada”.)
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!!!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
This entry was posted in O PRÍNCIPE GERVÁSIO E A GAIOLA DOURADA. Bookmark the permalink.

Leave a Reply