ÁQUILA, O GÊNIO DO MEDALHÃO (Capítulo III)

Faltavam quase duas semanas para o torneio quando Aurélio pediu a Áquila que o deixasse falar com a princesa Miranda. O gênio disse-lhe que o encontro poderia ser arrumado durante o sono da princesa.

Naquele mesmo dia, a princesa Miranda foi ter com Aurélio. Pensando que se tratasse apenas de um sonho, ela disse:

– Como é bom poder sonhar com você! Desde o dia em que me disfarcei de camponesa e o vi distribuindo laranjas aos pobres, não consegui parar de pensar em você um só instante. Vejo que fez bom uso do dinheiro que lhe dei. O traje de cavaleiro assenta-lhe de modo extraordinário! A sua aparência também mudou: você parece mais confiante, mais seguro. Por favor, vença. Eu odiaria ter que me casar com outro homem.

Aurélio respondeu timidamente:

– Princesa, desde o dia em que nos encontramos na estrada, também não consegui pensar em mais nada além de vencer o torneio para poder agradar-lhe. Sossegue o seu coração, porque acredito que poderei vencer.

– Já pedi ao meu pai não sei quantas vezes para cancelar o torneio. Receio por você, por sua vida, por mim. Se você não vencer, estará tudo acabado.

Sem ousar aproximar-se da princesa, Aurélio disse:

– Não tema. O sentimento que aproximou os nossos destinos ajudar-nos-á a vencer e concretizar o sonho que enche nossos corações de esperança.

A princesa Miranda, olhando-o com ternura, murmurou:

– Diga que também me ama.

No momento em que Aurélio encorajou-se a aproximar-se da princesa para beijá-la, ela desapareceu. Enfurecido, ele gritou para Áquila:

– Por que fez isso?!… Aposto que foi de propósito!

Áquila, tornando-se visível, disse:

– Eu cumpri a minha promessa de não interferir. Alguém deve tê-la feito despertar. Ouvi o que conversaram; fico feliz por você.

Aurélio, recuperando o bom humor, respondeu:

– Obrigado; você tem sido um grande amigo.

Depois, com a voz denunciando tristeza, acrescentou:

– Estive pensando… Posso continuar o treino sozinho e, se eu o libertar, você poderá ajudar mais alguém.

– Receava que isso fosse acontecer; mas não imaginei que pudesse ser tão depressa. Você me surpreende a todo instante. Posso saber quando e a quem pretende entregar o medalhão?

– Amanhã pela manhã. Seu nome é Genésio. Procure ser tolerante e ajude-o a desvencilhar-se do vício da bebida. Ele só bebe para se esquecer das privações.

Após um prolongado suspiro, Áquila disse:

– Já que esta parece ser a última vez que nos encontramos, há algo que preciso lhe dizer. O seu pai não é um mortal comum; é um gênio como eu. Ele guardou o medalhão até o momento conveniente de entregá-lo a você, e afastou-se porque pressentiu que você estava pronto para seguir o seu próprio caminho. Não sei o que ele dirá quando souber que você entregou o medalhão aos cuidados de outra pessoa.

Aurélio, emocionado com a recente revelação do gênio, asseverou:

– Ele compreenderá. Por favor, fale mais sobre o meu pai.

– Não há muito o que dizer… Ele, por razões que desconheço, conseguiu libertar-se da servidão. Não está mais subordinado àquele maldito zunido ensurdecedor que o medalhão aciona quando alguém o segura com determinação.

FIM DO 3º CAPÍTULO DA HISTÓRIA “ÁQUILA, O GÊNIO DO MEDALHÃO”.
Sisi Marques
06/01/2014

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA “ÁQUILA, O GÊNIO DO MEDALHÃO”.
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

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Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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3 Responses to ÁQUILA, O GÊNIO DO MEDALHÃO (Capítulo III)

  1. Crisélia says:

    Você está acompanhando essa história, Afrânio?

  2. Afrânio says:

    Naturalmente. É interessante essa parte em que o gênio diz que é o medalhão que aciona o zunido ensurdecedor. Em Realidade Mágica, o ruído é provocado pela ampulheta.

  3. Sisi Marques says:

    Querido(a) Leitor(a),
    Crisélia e Afrânio são personagens da história Realidade Mágica.

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