LÁGRIMAS DE AMOR (Capítulo IV)

Passaram-se vários dias, e nada de Tortulho aparecer. Bartolomeu já havia se tornado motivo de riso em todo o Reino, porque ninguém parecia crer que aquele “pintorzinho medíocre”, como o chamavam, fosse capaz de deter Tortulho.

Bartolomeu, indiferente aos insultos que ouvia dos transeuntes, parecia imantado àquele pedaço de estrada, elegendo por companheiro apenas o seu material de trabalho.

Marco, por sua vez, ciente do que se passava, procurava tranquilizar o ânimo de seu povo, fortalecendo o seu exército.

Certo dia, finalmente, o barulho surdo das pegadas distantes de Tortulho se fez ouvir. Bartolomeu apartou-se de seu cavalete para esperá-lo.

Marco reuniu seu exército e juntou-se a Bartolomeu. O povo aglomerava-se à procura de um bom lugar para poder observar o encontro a uma distância segura.

Contrariado com a chegada de Marco, Bartolomeu perguntou:

– Por que veio? Volte para o palácio e leve esses homens com você. Ninguém precisa sair ferido. Agora, quanto a esse bando de curiosos apinhados aqui e ali, ordene que se tranquem em seus lares até que o perigo tenha passado.

Marco balbuciou:

– Eu seria um covarde se o abandonasse aqui sozinho.

Bartolomeu sorriu confiante antes de dizer:

– Vocês temem esse brutamontes, eu não. Confie em mim… Volte para o seu lar e ordene a todos que se recolham. Se o encontro for apenas entre mim e ele, creio que dentro de um quarto de hora o serviço estará terminado.

Marco obedeceu, e todos os presentes também acataram as ordens. Em poucos minutos, só restava Bartolomeu à espera de Tortulho.

Quando Tortulho avistou Bartolomeu, foi logo bradando:

– O que faz aí, verme?… Quer ser calcado?!

Uma risada histérica ecoou no ar.

Bartolomeu, calmo, perguntou:

– Por que não procura alguém do seu tamanho?

Irreverente, o Gigante respondeu:

– Por dois motivos: em primeiro lugar, porque não existe alguém do meu tamanho; e, em segundo, mesmo que existisse, eu não poderia fazer com ele o que pretendo fazer com você. Prepare-se para morrer, tampinha!

Bem diante dos olhos de Tortulho, Bartolomeu cresceu até ficarem os dois da mesma altura.

Tortulho, com os olhos esbugalhados, exclamou:

– Que diabo de gente é você?!… Como conseguiu fazer isso?!…

Sem afetação, Bartolomeu respondeu:

– Sou apenas alguém interessado em proteger este lugar. Por que não dá o fora enquanto ainda pode?

Com voz ensurdecedora, Tortulho gritou:

– Isso é uma ameaça?

Bartolomeu advertiu:

– Não, baixinho, é apenas um aviso.

No mesmo instante, Bartolomeu cresceu até o limite de sua capacidade e acrescentou:

– Quanto mais você espera que eu cresça para perceber que aqui não há nada para a sua sede de destruição?

Para espanto de Bartolomeu, Tortulho murmurou com os olhos quase saltando das órbitas:

– É uma pena que eu não possa ser como você.

Reduzindo a estatura ao tamanho de Tortulho, Bartolomeu perguntou em tom amigável:

– Por que diz isso?

Tortulho confidenciou:

– Se eu tivesse o dom de esticar e encolher, viveria sempre encolhidinho, para que ninguém percebesse que sou diferente. No início, quando comecei a crescer demais, fiz de tudo para que me aceitassem. De nada adiantou, porque continuei sendo sempre motivo de riso. Uma vez, chegaram a me apedrejar. Desde então, comecei a retribuir com a mesma moeda.

Aproveitando-se do momento de fraqueza de Tortulho, Bartolomeu afirmou:

– Tudo poderá ser diferente a partir de agora, se você desejar que seja. Conheço um lugar, bem longe daqui, onde todos têm aproximadamente a sua altura.

Profundamente interessado, Tortulho perguntou:

– E como eu faria para ir a esse lugar?

Bartolomeu respondeu:

– Há uma pessoa que pode conduzi-lo até lá.

Bartolomeu fechou os olhos e gritou:

– Cesarina, se estiver me ouvindo, apareça.

A Fadinha Cesarina apareceu bem diante do olhar abobalhado do Homem-Montanha e disse a Bartolomeu:

– Bom trabalho, meu amigo! Eu mesma não teria feito melhor. Deixe que me encarrego de levá-lo aonde ele será mais feliz.

Depois, dirigindo-se a Tortulho, a Fadinha perguntou bem-humorada:

– Está pronto para seguir viagem?… É um longo caminho!

Tortulho respondeu decidido:

– Estou. Não quero ficar nesta terra de baixinhos nem mais um minuto.

Esboçando um delicioso sorriso, a Fadinha disse:

– Então, feche os olhos que lá vamos nós!

Cesarina desapareceu levando Tortulho consigo.

FIM DO 4º CAPÍTULO DA HISTÓRIA “LÁGRIMAS DE AMOR”.
Sisi Marques
03/12/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA “LÁGRIMAS DE AMOR”.
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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2 Responses to LÁGRIMAS DE AMOR (Capítulo IV)

  1. Lucia says:

    Ficou emocionante!!!! Vamos esperar os proximos capitulos! Ansiosa!!
    Sisi , vc eh demais!!! Bjs

  2. Lucia says:

    Sisi,
    Todas as suas historias estao protegidas? Vc as registra? Isso eh muito importante, para que nao copiem sem dar os creditos. Bjs

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