O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA (Capítulo VII)

No caminho de volta, Abelardo pensava no que Glicínia lhe dissera sobre encontrar o verdadeiro amor. Embora ele já tivesse começado a suspeitar de que o seu amor por Glicínia não passava de ilusão, ele preferia continuar acreditando que a amava.

Contudo, o seu coração não parava de sussurrar a inoportuna pergunta: “Como será o verdadeiro amor?”.

Quando Abelardo chegou ao lugar onde costumava encontrar-se com Glicínia, ficou surpreso ao ver outra jovem observando as flores. Seria ela, e não Glicínia, a dona de seu coração?!… Essa era uma pergunta inquietante para a qual Abelardo não possuía a resposta.

Aos olhos de Abelardo, a moça era ainda mais bela do que Glicínia. Mas, e o seu coração, seria ele tão puro quanto o coração de Glicínia? Glicínia!… Onde estaria ela? Só sabia mesmo era colocá-lo em apuros!

Um pouco constrangida pela sua chegada repentina, pelo seu silêncio e, especialmente, pelo seu modo de olhar, a jovem perguntou:

– Quem é você? Pela expressão em seu rosto, posso jurar que ficou decepcionado em me ver. Esperava encontrar outra pessoa?

Abelardo respondeu:

– Glicínia. Você a conhece?

– Não. É sua namorada?

– Não.

Depois de um breve silêncio, Abelardo aventurou-se a perguntar:

– Está esperando alguém?

Um pouco sem jeito, ela respondeu:

– Não.

Abelardo comentou preocupado:

– Não deveria passear por aqui sozinha; é sempre tão deserto!

Para sua surpresa, ela respondeu:

– É só por esse motivo que venho; gosto da solidão.

– Prefere que eu vá?

– Não. Para ser sincera, gostaria que ficasse. É tão difícil, hoje em dia, encontrar alguém com quem se possa conversar.

Depois, com um sorriso, a moça acrescentou:

– Você é novo por aqui.

– Como sabe?

– Se não fosse, saberia com quem está falando, e já teria se curvado. Sou a princesa Gláucia.

Abelardo disse apenas:

– Meu nome é Abelardo.

– Você é diferente dos outros rapazes que conheci; mesmo depois de saber que sou uma princesa, continua agindo com a mesma naturalidade.

– E não é desse modo que deveria ser?

– É evidente que sim; só receio que nem todos pensem como você. Se soubesse o quanto é desconcertante ter a certeza de que os meus pretendentes têm os olhos colados na coroa do meu pai!

– É apenas porque desconhecem o peso de uma coroa.

– E quem disse que estão pensando em assumir responsabilidade?!… Só querem mesmo é o poder! Odeio ser princesa! Se eu fosse uma moça pobre, o homem que se aproximasse de mim, aproximar-se-ia por amor, e não por interesse.

– Está sendo injusta consigo mesma! Você é muito bonita, e inteligente também. Só um tolo teria olhos para a coroa do seu pai, estando na sua presença.

Abelardo já não pensava mais em Glicínia. O seu coração dizia-lhe que somente o amor de Gláucia poderia ajudá-lo a suportar o peso de sua coroa. Encorajou-se a pedi-la em casamento; mas Gláucia, aborrecida, respondeu:

– Infelizmente, não posso aceitá-lo como esposo, porque o meu pai deseja que eu me case com um príncipe.

Gláucia nem ao menos suspeitava que Abelardo fosse um rei. Para sondar-lhe o coração, ele perguntou:

– Você não seria capaz de desafiar o seu pai em nome do nosso amor?

Gláucia corou. Depois, levantando os olhos e atrevendo-se a olhar para o rosto de Abelardo, disse:

– O amor é mágico: pode aproximar dois corações com a rapidez do vento. Eu não gostaria de perder você. Não me importo que você não tenha título algum de nobreza, porque sei que é digno de ser amado. Meu pai terá que aceitar a minha escolha.

Abelardo sorriu. O amor era realmente mágico!

Gláucia fitava o chão. Ele se aproximou; e, depois de encorajá-la a olhar para ele, confessou-lhe:

– Não sou um príncipe, mas sou um rei. Isso deve bastar para o seu pai. Agora, quanto a nós dois, que não ligamos para essa tolice de títulos, o nosso amor será suficiente para manter os nossos corações alegres e unidos enquanto pulsarem.

Depois de beijá-la, Abelardo voltou para o seu reino.

FIM DO 7º CAPÍTULO DA HISTÓRIA “O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA”.
Sisi Marques
30/11/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A ÚLTIMA PARTE DA HISTÓRIA “O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA”.
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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