O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA (Capítulo V)

Abelardo parecia nervoso quando se encontrou com Glicínia no dia seguinte. Mal a viu, e já foi logo perguntando:

– Quem é você? Exijo que me responda.

Glicínia, calmamente, arremessou-lhe o comentário espirituoso:

– Pela expressão em seu rosto, e pelo tom de sua voz, eu diria que as sementes falharam.

– Guarde o seu senso de humor, porque a brincadeira terminou. Graças a você e às suas sementes, fui despedido, ou melhor, enxotado do meu emprego. O pobre homem ficou assombrado quando se deparou com aquele canteiro repleto de gloxínias!

Fazendo-se de inocente, Glicínia exclamou:

– Pensei que ele gostasse de gloxínias! Eu deveria ter entregado a você um saquinho com sementes sortidas. É uma pena!… Também não se pode acertar sempre!

Abelardo, perplexo, procurando manter a calma, disse:

– Sabe que o problema não é esse! Como conseguiu fazer com que aquelas sementes virassem plantas floridas da noite para o dia?!… O homem expulsou-me dizendo que eu era um bruxo, que tinha parte sabe lá Deus com quem!

– Então é isso?… Não deveria se aborrecer… Aquele homem não sabe o que diz!…

– Glicínia, vou lhe perguntar pela última vez: quem é você?

Glicínia respondeu:

– A fada das flores.

– Está mentindo! Fadas não existem; e, mesmo que existissem, não se dariam ao trabalho de aparecer para um homem descrente como eu.

– Você é bom; e, além disso, sempre amou as flores, especialmente, as gloxínias do seu jardim.

– Por que as gloxínias são tão importantes para você?! Espere um pouco!… Só agora reparei no tecido e no acabamento do seu vestido!… Você se veste como uma gloxínia!

– Isso não é verdade. São as gloxínias que se vestem como eu. Fui eu quem as criou.

– Glicínia, apesar da semelhança, não consigo acreditar em nada do que diz. É melhor esquecermos o que aconteceu com as sementes… Estou pensando em voltar para o meu reino… Gostaria de vir comigo?

– Ainda não é hora. Há outro lugar aonde você deve ir em busca de trabalho. Só que, dessa vez, não poderá contar com a minha ajuda, porque não é exatamente o tipo de trabalho que aprecio.

Depois de uma ligeira pausa, Glicínia acrescentou:

– Você contará apenas com a força dos seus braços para derrubar as árvores; e não poderá mais visitar-me todas as tardes. Durante um mês, deverá dar o máximo de si, sem fraquejar ou reclamar… Só então poderá retornar a este lugar.

Com o coração transbordando de amor, Abelardo perguntou:

– Promete que estará aqui à minha espera?

Glicínia sorriu. Depois disse:

– Fadas não fazem promessas. Contudo, posso assegurar-lhe de que você encontrará o seu verdadeiro amor no dia em que vier à minha procura.

Glicínia explicou-lhe o caminho que deveria seguir, e Abelardo partiu imediatamente.

FIM DO 5º CAPÍTULO DA HISTÓRIA “O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA”.
Sisi Marques
27/11/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA “O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA”.
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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One Response to O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA (Capítulo V)

  1. Sisi Marques says:

    O meu marido tem razão em dizer que a história de Abelardo é muito especial para mim. E esta parte, em que Abelardo e Glicínia falam sobre as gloxínias, é a parte que eu mais gosto.
    Realmente, poder publicar no blog as histórias que escrevi, e que ainda escrevo, é a realização de um sonho. Eu agradeço a Deus, ao meu marido e a você, leitor(a), por essa oportunidade maravilhosa. A propósito, este é o 90º comentário. Eu estou felicíssima!!! Muito obrigada. Beijos

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