O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA (Capítulo IV)

Na tarde seguinte, quando tornou a encontrar Glicínia, Abelardo comentou desanimado:

– Passei a manhã toda cuidando da terra como você disse que eu deveria cuidar; não foi difícil…

– Então, o que o preocupa?

– São todas aquelas mudas. Receio não ter jeito para plantar. Se eu demorar muito com o serviço, o homem acabará desconfiando que não sou um jardineiro. Se bem que ele até já desconfia… Reparou nas minhas mãos e disse que não pareciam acostumadas a trabalhar a terra.

Abelardo ficou sem resposta quando Glicínia perguntou-lhe:

– Por que abandonou o seu reino?

Entretanto, não era apenas Abelardo quem parecia estar embaraçado. Glicínia também parecia pouco à vontade, quando exclamou:

– Pare de olhar para mim desse jeito!

Abelardo desculpou-se:

– Perdoe-me; não consigo evitar… Gosto de olhar para o seu rosto; há tanta beleza e sabedoria em seus olhos… Deveria sentir-me diminuído perante você; mas não é assim que me sinto. Como descobriu que sou um rei?

– Não foi difícil. Ainda estou aguardando sua resposta.

– Percebi que eu era uma fraude. Como pode alguém julgar-se no direito de decidir sobre as vidas de tantas pessoas quando, na verdade, não se vê em condições de decidir sobre sua própria vida? Admito que foi covardia fugir.

– Você não fugiu. Digamos que tenha decidido dar a si mesmo um tempo para se conhecer melhor. Além disso, sentindo na própria pele a luta e as necessidades de seu povo, quando retornar, estará apto para governar com benevolência e justiça.

– Como consegue transformar em palavras as coisas que nem eu mesmo consigo explicar?

– Posso ler o seu coração.

Abelardo, depois de hesitar um pouco, encorajou-se a dizer-lhe:

– Se consegue mesmo ler o meu coração, já deveria saber que estou apaixonado por você.

– Não seria preciso ler o seu coração para descobrir isso, porque os seus olhos já se confessaram.

Abelardo fez um movimento para aproximar-se dela; entretanto, como areia movediça, uma confusão de sentimentos imobilizou os seus pés quando Glicínia disse:

– Não seja precipitado! Não percebe que ainda não é o momento de entregar o seu coração? Apanhe este saquinho de sementes e despeje-o na terra que você preparou.

Ainda atordoado, Abelardo perguntou surpreso:

– Sementes?! Irão demorar ainda mais do que as mudas!

– Não irão! Confie em mim.

FIM DO 4º CAPÍTULO DA HISTÓRIA “O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA”.
Sisi Marques
26/11/2013

NO PRÓXIMO SEGMENTO, NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA “O REI ABELARDO E A FADA GLICÍNIA”.
Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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