O LENHADOR LEONARDO E A ÁRVORE ENCANTADA (Parte 12)

Quando o duende e o bruxo se afastaram, Léo ajoelhou-se diante da princesa e, sem ousar tocá-la, disse:

– Princesa, por favor, acorde; preciso levá-la de volta ao palácio.

A princesa abriu os olhos lentamente; e, depois, esfregou-os com uma das mãos. Parecia estar despertando de um sono profundo.

À medida que ia recobrando a consciência, começou a se perguntar quem era aquele homem à sua frente, e o que ela estaria fazendo tão tarde no bosque. Levantou-se assustada.

Léo ficou surpreso com a sua reação; nunca pensou que a arvorezinha pudesse sentir medo dele quando voltasse a ser princesa. Embaraçado, disse:

– Não precisa ter medo; agora, está tudo bem. Não está feliz por termos conseguido?

A princesa perguntou:

– Conseguido o quê? Quem é você?

Léo comentou:

– Infelizmente o bruxo estava com a razão quando disse que você poderia não me reconhecer.

– Bruxo?!… Eu não conheço nenhum bruxo!… Por que me trouxe aqui?!… Exijo que me leve de volta ao palácio.

Léo, procurando ajudá-la a lembrar-se, disse:

– O meu nome é Leonardo. Quando a conheci, eu era lenhador. Você tinha sido transformada em uma árvore, e eu, sem suspeitar disso, ia… Talvez seja melhor deixamos essa parte de lado.

– Você quer bancar o engraçadinho!… Mas não conseguirá achar graça nenhuma quando o meu pai mandar enforcá-lo!…

– Princesa, por favor, tente se lembrar… O que estou dizendo é a mais pura verdade.

– Moço, por favor, esqueça o que eu disse sobre a forca. Deixe-me ir; prometo que nenhum mal acontecerá a você. Sei que está doente…

Léo descontrolou-se:

– Pare com isso! Pensa que sou maluco?! Se não consegue acreditar em mim, não tem importância; mas pare de me tratar como se eu estivesse louco. Venha; eu a acompanho até o palácio.

– Não será necessário, porque conheço o caminho. Se prometer não me seguir…

– Princesa, o que posso fazer, para que compreenda que só quero ajudá-la?!

– Deixe-me ir, e não me siga.

– Tenho que acompanhá-la; não posso permitir que vá sozinha. Além disso, Vossa Alteza não pode proibir-me de segui-la, porque atualmente também estou morando no palácio.

– Quem é você?!… Por que não consigo acreditar em nada do que diz?!… Por que não consigo me lembrar de como vim parar aqui?!… Está tão escuro! Este lugar me dá calafrios, e essa sua insistência em me fazer acreditar nesse amontoado de tolices me apavora. Sinto-me como se estivesse numa espécie de armadilha. É como se eu quisesse correr, e os meus pés não obedecessem… É como se eles estivessem acorrentados ao chão.

Léo sentiu um enorme pesar envolvê-lo ao pensar que era a arvorezinha que o amava, e não a princesa. Disse:

– Perdoe-me, princesa, por tê-la assustado. Sei que está cansada… Dê-me a oportunidade de provar-lhe que sou seu leal servidor. Por favor, acompanhe-me; quando chegarmos ao palácio, estou certo de que todo esse mal-entendido será desfeito.

A princesa Deise cobriu o rosto com as mãos e começou a chorar. Léo não sabia mais o que fazer. Embora compreendesse que sua presença a amedrontava, não poderia simplesmente ir embora e deixá-la ali. Sentou-se aos pés de uma árvore, e disse:

– Está bem. Pode ir; não vou segui-la.

A princesa não se moveu. Léo sentiu uma forte intuição de que algo estava errado. Começou a se perguntar por que a princesa, se estava com tanto medo, não tentou fugir. Só então se deu conta de que, depois que ela se levantou da pedra, não tinha dado um único passo.

Com voz trêmula, a princesa disse:

– Por favor, comece a andar na direção oposta e não pare, nem olhe para trás.

– Eu já disse que não pretendo segui-la.

– Por favor, faça o que lhe peço.

Léo estava mesmo convencido de que a princesa não estava conseguindo mover-se do lugar. Aventurou-se a perguntar-lhe:

– Por que não me disse que não estava conseguindo tirar os pés do chão?

A princesa olhou para ele apavorada. Contudo, procurou dissimilar o seu receio:

– Que ideia mais absurda!

Léo levantou-se e começou a caminhar lentamente em sua direção; não com o propósito de assustá-la mas para certificar-se de que ela não conseguiria recuar.

A princesa gritou:

– Pare onde está! Não consigo correr, mas posso gritar até os meus pulmões arrebentarem; tenho a certeza de que alguém ouvirá.

Léo disse:

– Poupe o seu fôlego e as suas lágrimas, e deixe-me ajudá-la. Terá que confiar em mim. Segure a minha mão.

A princesa perguntou desconfiada:

– E por que eu deveria confiar em você?!…

– Porque Vossa Alteza não tem escolha.

Depois de hesitar um pouco, a princesa finalmente segurou em sua mão para apoiar-se, e ensaiou o primeiro passo. Não obtendo nenhum progresso, disse aborrecida:

– Não adianta; é como se os meus pés fossem feitos de chumbo!…

– Se permitir que eu a abrace, poderei segurá-la com mais firmeza, e Vossa Alteza poderá apoiar-se em mim quando precisar.

Léo procurava fazer a princesa compreender que ele não pretendia aproveitar-se daquele seu momento de fragilidade, e sim que ele queria apenas poder ajudá-la. A princesa, desconfiada, olhou para ele. Contudo, ao beber da doçura de seu olhar, um calor estranho aqueceu seu coração, e ela, corando, abaixou os olhos.

Um calor semelhante havia aquecido o coração de Léo, e ele compreendeu que o mesmo amor que habitava o coração da arvorezinha começava a encontrar espaço no coração da princesa.

Com o braço ao redor de seus ombros, Léo procurava ampará-la; enquanto que a princesa, por sua vez, passou o braço ao redor da cintura de Léo e esforçava-se para conseguir tirar o pé do chão.

Após algumas tentativas fracassadas, a princesa finalmente conseguiu dar o primeiro passo. Um sorriso iluminou o seu rosto, e Léo também sorriu.

Ainda abraçados, começaram a caminhar lentamente. Depois de alguns minutos, a princesa parou e, desanimada, disse:

– Se continuarmos andando nesse passo de tartaruga, demoraremos a vida inteira para chegar… Estou tão cansada!…

– Permita-me carregá-la. Chegaremos mais depressa, e Vossa Alteza poderá descansar.

– Está bem… Como você disse, não tenho escolha.

– Pensei que estivesse começando a confiar em mim.

– E estou; só que eu não deveria estar lhe dando todo esse trabalho.

– Gostaria que soubesse que não é trabalho algum.

Léo segurou-a nos braços. Nem bem havia começado a caminhar, percebeu que a princesa havia adormecido.

(No próximo segmento, não perca a 13ª Parte da história “O Lenhador Leonardo e a Árvore Encantada”.)

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!!!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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