O PRÍNCIPE GERVÁSIO E A GAIOLA DOURADA (Parte 16)

Quando Leôncio voltava ao seu quarto, surpreendeu-se ao ver Luciano vagando pelo corredor. Cauteloso, pôs-se a segui-lo a uma distância segura. Perguntava-se o que ele estaria fazendo, por que não fora comunicar ao príncipe o desaparecimento de Luísa.

Leôncio estava intrigado. Luciano conhecia bem o castelo… Por que, de repente, parecia ter perdido o rumo?… Entrava nos quartos vagos e saía logo em seguida… Estaria procurando algo?

Continuou a segui-lo. Luciano parou em frente ao antigo quarto de Leôncio: tentou entrar, mas não conseguiu porque estava trancado. Após bater várias vezes, desistiu e afastou-se.

Leôncio, assaltado por um pensamento súbito, sentiu o estômago congelar: estaria Luciano procurando por Luísa?… Forçou a maçaneta e verificou que a porta estava realmente trancada. Luísa sabia que ele odiava aquele quarto… Teria armado tudo aquilo não para fugir do castelo mas para puni-lo?! Se não era Luísa trancada naquele quarto, quem poderia ser?

Enquanto Leôncio batia à porta e chamava o nome de Luísa, o príncipe, aflito, dizia a Luciano:

– Acalme-se, por favor; assim você me deixa confuso. Faça os sinais mais devagar para que eu possa compreender.

Luciano gesticulava, gesticulava alucinado… Sabia que Luísa estava naquele quarto… Mas percebeu também que alguém o vigiava; foi só para não levantar suspeitas que ele se retirou.

Depois de algum tempo, Gervásio conseguiu entender e, esperançoso, disse a Luciano:

– Não posso protegê-la… Temos que correr o risco de chamar Antão… Além de mim, só ele tem autoridade para deter Leôncio.

Luciano deixou o salão e foi encontrar o chefe da guarda na entrada do castelo. Ao vê-lo aproximar-se, Antão comentou mal-humorado:

– Depois de tanto trabalho inútil que tivemos, era só você que faltava aparecer!

Em seguida, para causar riso nos guardas que o acompanhavam, acrescentou irônico:

– Como anda o bebezinho? Já lhe trocou as fraldas hoje?… Você não deveria estar aqui porque, se ele acordar e não o vir, começará a berrar. Ele já tomou a mamadeira?…

Indiferente à zombaria, Luciano gesticulava aflito.

Alguém disse:

– Esperem! Ele parece nervoso… Alguma coisa grave deve ter acontecido…

Antão, atento às palavras do subordinado, recobrou o ar severo e perguntou a Luciano:

– O que houve?… O Príncipe Gervásio está doente?…

Luciano fez um sinal negativo com a cabeça e, segurando a mão do chefe da guarda, puxou-o como a pedir-lhe que o seguisse.

(No próximo segmento, não perca a 17ª Parte da história “O Príncipe Gervásio e a Gaiola Dourada”.)

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!!!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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