O LENHADOR LEONARDO E A ÁRVORE ENCANTADA (Parte 11)

No dia seguinte, pela manhã, ao encontrar-se com o rei, Léo preferiu não lhe dizer que havia conversado com o bruxo e que tornaria a vê-lo. O rei, por sua vez, percebeu que Léo acordara mais bem disposto e aproveitou a ocasião para dizer:

– Não vejo razão para continuarmos adiando o casamento. Valéria acabará desconfiando que você não a ama, e isso não seria um bom começo.

Léo respondeu:

– Majestade, gostaria que soubesse que ainda não desisti de trazer a princesa Deise de volta.

– Confesse, rapaz: não quer se casar e está apenas querendo ganhar tempo. Deu-me sua palavra de que se casaria; não pode voltar atrás. O casamento será realizado daqui a cinco dias.

Léo calou-se amargurado.

Quando a noite chegou, ele estava ansioso e aflito. Passara uma boa parte do dia em seu quarto, andando de um lado para o outro, apenas pensando no encontro que teria com o tal bruxo. Ele sentia o coração apertado ao pensar que seu destino e a vida da princesa Deise estavam nas mãos daquele homem tão estranho.

Chegando ao lugar do encontro, Léo sentou-se em uma pedra e começou a rezar. Enquanto ele orava, o duende apareceu resmungando:

– Eu tinha a certeza de que aquele bruxo tratante ainda não havia chegado. Mas ele virá; não precisa ficar preocupado, porque ele virá.

Quando o bruxo apareceu minutos depois, Léo levantou-se e encorajou-se a dizer:

– Se eu não puder confiar em você, não tenho mais ninguém a quem recorrer.

Revelando seriedade no olhar, o bruxo disse:

– Não precisa ter receio, porque também tenho razões pessoais para resolver logo essa questão. Infelizmente, não posso revelar o autor do feitiço; mas posso garantir que será fácil desfazer o encanto.

Os olhos de Léo brilharam de contentamento. E o bruxo acrescentou:

– Eu disse que o culpado não será punido. E você terá que me deixar em paz! Está de acordo?

– Se você trouxer a princesa de volta, poderá pedir o que desejar, que terei o maior prazer em atendê-lo.

– Só quero que me deixe em paz. É melhor terminarmos logo com isso.

O bruxo, Léo e o duende caminharam em direção à arvorezinha. Léo sentia-se zonzo; tudo parecia estar acontecendo rápido demais. Assim que chegaram, Léo acercando-se dela, disse:

– Arvorezinha, ouça bem o que vou lhe dizer: não precisa ter medo…

O bruxo exclamou:

– Pare com essa tolice! Não percebe que ela está dormindo?!…

Léo, apreensivo, perguntou-lhe:

– Como sabe?

– Chega de perguntas. Afastem-se.

Depois de gesticular e dizer as palavras mágicas, o bruxo levantou os braços, e uma forte claridade, que parecia vir de suas mãos, cobriu a arvorezinha.

A luz era tão intensa que Léo não conseguia ver coisa alguma, e acabou mesmo sendo obrigado a cobrir os olhos com uma das mãos.

Aos poucos, a claridade foi diminuindo, e Léo, no lugar da arvorezinha, pôde ver a princesa Deise.

Entretanto, ele pôde perceber também que os modos do bruxo para com a princesa eram irrepreensíveis. A princesa ainda estava com os olhos fechados, e o bruxo segurou sua mão gentilmente e conduziu-a até uma pedra, para que ela pudesse se sentar. Em seguida, ele se agachou ao seu lado e, colocando um pequeno cálice em suas mãos, pediu-lhe que bebesse até a última gota da poção. Parecendo estar hipnotizada, a princesa o obedecia, sem questionar.

Foi só nesse momento que Léo reparou melhor no rosto do bruxo. Não havia nada, absolutamente nada, em seu semblante que o diferenciasse dos outros homens. Talvez, fosse por esse motivo que ele usava aquele chapéu e aquelas roupas tão extravagantes.

Léo descobriu que o bruxo não passava de um homem comum. E, quanto aos poderes mágicos, ele deveria tê-los aprendido. Havia sido o bruxo quem libertara a princesa do encanto; e, quando ela acordasse, seria para o rosto dele, e não para o rosto de Léo, que ela olharia.

O ciúme havia se apoderado da mente e do coração de Léo. Ele temia que a princesa, ao acordar, se apaixonasse pelo bruxo que pacientemente a fitava. Porém, ele ficou alegremente surpreso quando o bruxo estendeu a mão em sua direção, fazendo-lhe um sinal para que se aproximasse.

Assim que Léo chegou mais perto, o bruxo disse:

– Já fiz a minha parte; agora, é com você. Não se surpreenda se ela não o reconhecer.

– Obrigado. Perdoe-me por tê-lo julgado mal.

– Esqueça!

Em seguida, virando-se para o duende com a visível intenção de provocá-lo, o bruxo perguntou:

– O que está esperando?!… Trate de ir embora!

O duende respondeu:

– Não sairei daqui enquanto eu não ganhar um beijo da princesa.

– Você não poderá estar aqui, quando ela acordar. Você é tão feio que certamente iria assustá-la!…

Zangado, o duende o seguiu enquanto dizia:

– Espere até eu colocar as mãos em você, seu… seu…

Os dois desapareceram. Léo sorriu, porque sabia que eles estavam apenas se divertindo.

(No próximo segmento, não perca a 12ª Parte da história “O Lenhador Leonardo e a Árvore Encantada”.)

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!!!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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One Response to O LENHADOR LEONARDO E A ÁRVORE ENCANTADA (Parte 11)

  1. Maria Aparecida says:

    Adorei *—*

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