O LENHADOR LEONARDO E A ÁRVORE ENCANTADA (Parte 10)

Léo já estava bem próximo ao palácio, quando resolveu testar o apito. Ele acreditava que, se o homenzinho aparecesse, poderia levá-lo até o bruxo. Ele recuou e tornou a entrar no bosque. Bastou um leve sopro para que o duende aparecesse com aquele ar travesso.

Léo começou a se perguntar se poderia confiar nele. Ele olhava pensativo para aqueles dois olhinhos que o fitavam curiosos. Lembrou-se da velhinha: aquele serzinho era tão estranho quanto ela. Por fim, Léo animou-se a dizer:

– Obrigado por ter vindo. Preciso de sua ajuda.

O duende respondeu:

– Sei que está preocupado com a arvorezinha, mas não há nada que se possa fazer.

– Não desistirei nunca.

– Você não compreende: ela é uma árvore de verdade. Não me pergunte como ela consegue falar, porque também não sei. Mas posso afirmar que ela é uma árvore de verdade.

– Você não pode fazer essa afirmação baseado apenas nos registros de um livro. Talvez o bruxo que a enfeitiçou tenha sido outro.

– O livro registra o feitiço de todos os bruxos e bruxas. Não houve feitiço; do contrário, estaria lá.

– De qualquer modo, eu precisava ter uma conversa com o seu amigo.

– O bruxo?!… Perde seu tempo, porque ele não é exatamente o que se pode chamar de amigo. Em outras palavras: ele se recusará a ajudar.

– Mas ele terá que responder a algumas perguntas sobre o desaparecimento de uma jovem.

O duende começou a rir, mas parou logo porque Léo o encarava com firmeza. O homenzinho comentou:

– Você só pode estar brincando!… Ele não faria algo tão cruel. No fundo, ele é um bom sujeito. É verdade que ele é um pouco nervoso, mas não é mau. É por isso que eu sempre o provoco.

– Eu ouvi você dizer que o bruxo não era amigo de ninguém.

– Se ele e eu ficássemos amigos, nossas vidas se tornariam monótonas!

– Confia mesmo nele?

– Inteiramente. Pare de olhar para mim com esse ar de desconfiança!… Estou sendo sincero; não por você, mas pela arvorezinha. Acredita que ela seja a jovem que sumiu?

Léo preferiu calar-se. Lembrava-se, ainda, do que a velhinha lhe dissera sobre manter em sigilo as revelações do machado. Contudo, o duende o surpreendeu quando disse:

– Agora, compreendo… Por que não disse logo que conseguiu vê-la na árvore?!… Não me olhe com essa cara de espanto! Apenas li o seu pensamento.

Léo permanecia calado, e procurava calar também os seus pensamentos. De repente, assustou-se ao ouvir uma voz que ecoava em toda a parte. Era o bruxo. Eis o que ele disse em tom de ameaça:

– Estou aqui. Sustente as acusações, se tiver coragem.

Léo não se deixou intimidar, e respondeu:

– Apareça! Precisamos conversar de homem para homem.

O duende não perdeu a oportunidade de dizer:

– “De homem para bruxo” seria mais apropriado.

O bruxo, levando a sério suas palavras, replicou:

– Não. Será mesmo uma conversa de homem para homem. Estou sendo acusado injustamente e quero ter o direito de me defender.

O bruxo apareceu em meio a um clarão, que depois se desfez. Disse a Léo:

– Estou sendo responsabilizado pelo desaparecimento de uma jovem; e por ela, posteriormente, ter sido transformada em árvore. Posso saber em que se baseiam essas acusações ridículas?

– No dia em que a princesa Deise desapareceu, um bruxo esteve no palácio jurando vingar-se do rei.

– Coincidência!

– Coincidência?! Quem mais, além de você, poderia tê-la transformado em árvore?

– Essa é realmente uma boa pergunta! Não nego que estive no palácio, mas nada sei sobre o desaparecimento da princesa. Quanto ao feitiço, é meu dever investigar. Volte aqui amanhã à noite, que lhe direi quem foi o autor do encantamento, e se há um meio de quebrá-lo.

Depois, virando-se para o duende, o bruxo exclamou:

– Quanto a você, seu intrometido, pare de ficar xeretando no que não lhe diz respeito!

Sem dar ao duende ou a Léo tempo de responder, o bruxo desapareceu.

(No próximo segmento, não perca a 11ª Parte da história “O Lenhador Leonardo e a Árvore Encantada”.)

Grata,
Sisi Marques

Que os seus sonhos se realizem!!!

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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