A RAINHA DE ESPERANÇA (Capítulo XXXVIII)

Àquela tarde, os quatro, reunidos na biblioteca, não poderiam imaginar o diálogo que se desenrolava entre Alfredo e Constância, sentados à sombra de uma árvore. Ele dizia:

– Eu serei um eterno insatisfeito!… O fim do mundo deve mesmo estar próximo, porque acontecem coisas que, em outra época, seriam inconcebíveis!… O que devo fazer: me calar?!… Eu não creio que seja o único a pensar desse modo.

Constância comentou:

– Eu concordo com você. Mas não se trata apenas de eu ter sido trocada por uma ex-escrava. Eu deveria ter percebido que ele estava apaixonado por ela!… Você reclama da sua insatisfação em relação a tudo; eu também não fiquei satisfeita com a sua insinuação de que eu poderia me casar com Durval.

– Você sabe que eu não tive a intenção de ofendê-la. Quem sou eu para dar a minha opinião em assuntos sentimentais, se não consigo nem mesmo resolver a minha própria vida?!… Sinto-me um idiota por ter empenhado minha palavra na aliança com este reino. Não amo Natália, e ela não esconde o fato de que também não me ama. Quando a beijo, abraço sempre a decepção, porque uma porta seria mais receptiva.

Constância sugeriu:

– Você deveria desmanchar o noivado.

– Eu mentiria se dissesse que não sonho com essa possibilidade. Mas, infelizmente, não posso voltar atrás com a minha palavra. Desistir do casamento seria o mesmo que cortar os laços de amizade com este reino. Natalício jamais perdoaria a ofensa. Tenho ou não motivos para afirmar que serei um eterno insatisfeito?!

– Não sei como você consegue brincar com algo tão sério!… Ninguém deveria abraçar voluntariamente o desamor e a indiferença. Por que não conversa com Natália?… Talvez, ela pudesse ajudá-lo a encontrar uma solução.

– Você não compreende: o acordo já está selado, e não há nada que eu possa fazer. Por que não mudamos de assunto?

Após esboçar um sorriso, Constância ensaiou um gracejo:

– E sobre o que conversaríamos?!… Por favor, não comece a planejar o meu casamento com Durval. Você pode até levá-lo para Boa-Venturança se desejar, e eu terei prazer em acompanhá-los, mas termina aí. Você não é meu pai, não é meu irmão; e o fato de eu passar a morar em seu castelo não lhe dá o direito de decidir com quem eu irei me casar.

Constância ainda estava sorrindo quando Alfredo encorajou-se a dizer:

– Se eu não fosse comprometido, pediria a você que se casasse comigo.

Por um breve momento, o olhar de Alfredo pousou nos olhos de Constância, e ela parou de sorrir. Ela corou e desviou o olhar, antes de sugerir:

– É melhor retornarmos. Não fica bem ficarmos aqui sozinhos, conversando.

– Novamente eu a ofendi sem ter tido a intenção de ofendê-la. Perdoe-me, Constância. Você tem razão: é melhor voltarmos ao palácio.

FIM DO CAPÍTULO XXXVIII
Sisi Marques

(NO PRÓXIMO SEGMENTO DA HISTÓRIA “A RAINHA DE ESPERANÇA”, NÃO PERCA O 39º CAPÍTULO.)

Grata,
Sisi Marques

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One Response to A RAINHA DE ESPERANÇA (Capítulo XXXVIII)

  1. Edmeia Mafra says:

    Muito legal.

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