O PRÍNCIPE GERVÁSIO E A GAIOLA DOURADA (Parte 9)

Na manhã seguinte, Luísa foi visitar o príncipe para dizer:

– Tenho boas notícias: Luciano passará a cuidar de você. Assim, você poderá pedir-lhe tudo o que desejar: o quadro, a harpa, seus livros, roupas limpas, água para o banho… Precisa cuidar de sua higiene, de sua saúde, de seu bem-estar.

Com voz ligeiramente amargurada, Gervásio disse:

– Em outras palavras, você quer que Luciano cuide da minha sobrevivência enquanto você cuida da sua felicidade ao lado de Leôncio. Percebo que não sobrará nem mesmo uma migalha do seu tempo para mim. Está muito bem: concordo com a substituição. Quando será o casamento?

Sentindo-se desfalecer interiormente, ela respondeu:

– Dentro de uma ou duas semanas. Tudo dependerá da chegada dos meus pais. Afinal, depois de tanto carinho que recebi deles, não poderia negar-lhes o direito de presenciarem a cerimônia.

O príncipe comentou:

– Lamento não ter conseguido ser, nem ao menos, seu amigo.

Procurando segurar o redemoinho de sentimentos que lhe assolava a alma, Luísa murmurou:

– Aceito sua amizade, se concordar em sair daí. Não percebe que não conseguirei ser feliz enquanto não me libertar do fantasma do remorso? Se for honesto consigo próprio, compreenderá que não quer a minha felicidade, e sim a minha destruição. Se eu adoecer, se eu desistir de viver, será por sua causa.

Depois de um triste suspiro, Gervásio disse:

– Você quis dizer: por culpa minha. Após o seu casamento com Leôncio, mande serrar as grades, e desaparecerei de sua vida para sempre.

Quase não podendo mais conter o desespero, Luísa encerrou a conversa:

– Concordo. Não será o início de nossa amizade; mas, certamente, será o fim de um tormento.

(No próximo segmento, não perca a 10ª Parte da história “O Príncipe Gervásio e a Gaiola Dourada”.)

Grata,
Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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