A RAINHA DE ESPERANÇA (Capítulo XXXVI)

Cerca de uma hora depois, Natanael deixou o quarto disposto a desafiar o seu pai. Dirigiu-se à biblioteca na esperança de encontrar Catarina. Apenas Natália estava sentada lendo. Ele perguntou:

– Onde estão Catarina e Durval?

Natália fechou o livro antes de dizer:

– Ela deve estar, no quarto, bordando. Quanto a Durval, eu pensei que ele estivesse com você, no escritório.

Sentando-se em frente a Natália, ele confidenciou:

– Eu não vim do escritório. Eu subi ao meu quarto para me refazer da discussão que tive com o nosso pai. Ele não aceita o meu casamento com Catarina, e eu ainda acabei falando sobre você e Durval. Não está zangada?

– Não. Eu agradeço que você tenha tentado me ajudar. Eu não consigo me imaginar vivendo ao lado de Alfredo até que a morte se lembre de mim. Hoje, quando eu o vi todo sorridente, ajudando Constância a subir na carruagem, desejei que ele pudesse se apaixonar por ela e levá-la para Boa-Venturança no meu lugar.

Natanael perguntou:

– Então, eles foram mesmo à cidade?

– Sim. E Adelaide resolveu acompanhá-los.

Natanael deixou a biblioteca e foi ao escritório. Encontrou o rei Natalício conversando com Durval. Disse-lhe em tom áspero:

– Gostaria que nos desse licença, porque Durval e eu temos muito trabalho pela frente.

– Não será me tratando com rispidez que conseguirá obter o que deseja.

Natanael afirmou:

– Eu me casarei com Catarina, com ou sem o seu consentimento. E farei o que estiver ao meu alcance para impedir o casamento de Natália com Alfredo.

– Você sonha alto demais: não pode tocar as estrelas!

Não conseguindo permanecer na presença de seu pai, Natanael abandonou o escritório novamente. Antes, porém, ele exclamou:

– Veremos!

Na ausência de Natanael, o rei Natalício perguntou a Durval:

– Fui claro?… Você compreendeu bem o que eu lhe disse?… Se você ousar aproximar-se da minha filha, contarei a Alfredo que obtive informações seguras de que é você o “Cavaleiro Misterioso” que tanto assombra a vida de Adelaide. Siga o meu conselho, rapaz: case-se com Catarina e volte a servir Alfredo em Boa-Venturança. Eu acredito que ele lucrará muito mais com a sua lealdade do que com a sua prisão.

O rei Natalício, após certificar-se de que Durval compreendera sua ameaça, deixou o escritório e surpreendeu-se ao encontrar Natanael parado no corredor, aguardando que ele saísse. Ousando desafiá-lo, Natanael perguntou:

– O que disse a ele?

O rei Natalício respondeu pacientemente:

– Venha ao meu escritório que lhe contarei tudo o que sei a respeito desse sujeito. Ele é astuto e representa uma ameaça para Natal e Esperança.

Natanael estava a poucos passos da porta de seu próprio escritório. Ele a abriu e convidou o seu pai a entrar novamente:

– Entre, por favor. O que tem a me dizer sobre Durval deverá ser dito na presença dele.

Natanael esperou que o seu pai entrasse. Após sentar-se confortavelmente, ele disse:

– Pode falar; eu estou ouvindo.

O rei Natalício fixou a atenção no rosto de Durval enquanto dizia:

– Este homem lidera a conspiração que tem por objetivo derrubar Adelaide do trono. Eu tenho provas que confirmam as suspeitas de Alfredo. Se a verdade toda aparecesse, ele não seria o único a ser punido, porque a lista que possuo com os nomes de seus seguidores é extensa.

Demonstrando tranquilidade, Natanael perguntou:

– Onde está essa lista?… Posso vê-la?… Aposto que os nomes estão escritos nesse papel que o senhor está segurando com tanto zelo. Trouxe-o para ameaçar Durval? Eu sou o príncipe de Natal e tenho o direito de saber em quem posso ou não confiar.

O rei Natalício entregou a folha de papel a Natanael enquanto dizia:

– Você ficará surpreso! Aproximadamente um terço de nosso exército é cúmplice de Durval. Eu só não coloco esses conspiradores infames no olho da rua, porque a demissão em massa atrairia a atenção de Alfredo e Adelaide. O que estou propondo a Durval é uma oferta bastante generosa: o meu silêncio em troca de sua lealdade incondicional a Alfredo. Naturalmente, antes de partir para Boa-Venturança, ele terá a permissão de casar-se com Catarina.

Natanael aventurou-se a dizer:

– Eu não creio que o seu silêncio possa comprar a submissão de Durval a Alfredo. A propósito, a lista está incompleta.

No momento em que Natanael assinava a lista, o rei Natalício perguntou atordoado:

– O que pensa que está fazendo?

Natanael mentiu quando respondeu:

– Estou atestando a minha lealdade a Catarina. Tanto quanto Durval e as outras pessoas cujos nomes estão relacionados, acredito que seja Catarina, e não Adelaide, a rainha de Esperança. Eu não sou covarde. Se eles tiverem que ser punidos, eu exijo que a punição também recaia sobre mim. Aqui está o seu precioso documento. Guarde-o cuidadosamente.

Após arrancar a folha da mão de Natanael, Natalício exclamou exaltado enquanto a rasgava:

– Mentiroso! Não pense que acreditarei que o meu próprio filho faça parte dessa manobra sórdida! Se deseja o meu lugar, é só dizer! Não precisa me enlouquecer para consegui-lo.

Natalício deixou o escritório de Natanael, batendo a porta atrás de si.

Natanael, após respirar profundamente, sorriu. Durval, apesar de retribuir o sorriso, ainda deixava transparecer certa preocupação.

FIM DO CAPÍTULO XXXVI
Sisi Marques

(NO PRÓXIMO SEGMENTO DA HISTÓRIA “A RAINHA DE ESPERANÇA”, NÃO PERCA O 37º CAPÍTULO.)

Grata,
Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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