A RAINHA DE ESPERANÇA (Capítulo XXXIV)

Durante aquela primeira noite em que Constância ficou hospedada no palácio, Catarina mal conseguiu dormir. A todo instante, voltava-lhe à mente a lembrança de Natanael sorrindo para Constância. O sono ia e vinha, e os pensamentos embaralhavam-se. Constância!… Por que se impacientava tanto ao vê-la?… Poderia culpá-la por ter sido o primeiro amor de Natanael?… O primeiro amor, mas não o grande amor.

Catarina desistiu de lutar contra a falta de sono e resolveu descer à biblioteca para ler um pouco. Escolheu um livro qualquer e sentou-se tentando afugentar os pensamentos. Nenhuma história nos romances se pareceria com a sua. Embora o assunto não a interessasse, ela se esforçou para continuar lendo.

Cerca de meia hora depois, Catarina surpreendeu-se ao ver Natanael entrar. Igualmente surpreso ao encontrá-la, ele disse:

– Se eu tivesse imaginado que você estava aqui, eu teria vindo antes. Também não conseguiu dormir?

Catarina respondeu timidamente:

– Eu estava sem sono; mas, após ler um pouco, o sono começou a chegar. Eu já estava de saída. Boa noite.

Catarina levantou-se e passou por ele, mas não conseguiu se afastar porque o olhar de Natanael parecia hipnotizá-la. Ele perguntou sorrindo:

– Por que não confia em mim?

Catarina, desviando o olhar do rosto de Natanael para fugir àquele poder de atração, confidenciou:

– Eu receio que você ainda esteja apaixonado por Constância. Eu sinto tanto ciúme quando o vejo ao lado dela!

Olhando em seus olhos, ele disse ternamente:

– Você não precisa sentir ciúme de Constância, porque é você quem eu amo. Agora, o que você me diria se eu lhe dissesse que também morro de ciúme quando a vejo ao lado de Durval? Não acha que está na hora de terminar esse noivado de faz de conta? Eu quero você só para mim. Quando o meu pai acordar, direi a ele que a pedi em casamento. Você deseja se casar comigo?

Os olhos de Catarina resplandeceram, e Natanael a beijou apaixonadamente.

Apesar de intenso, o beijo durou pouco porque eles perceberam que alguém os observava: era Natália. Ela perguntou com a voz repleta de indignação:

– O que pensam que estão fazendo? Perderam o juízo?

Transbordando de alegria, Natanael respondeu:

– Não. Ganhamos coragem. Pedi Catarina em casamento, e ela aceitou. Não vai cumprimentar sua futura cunhada?

Os olhos de Natália se iluminaram por um momento. Mas, enquanto abraçava Catarina e Natanael, ela perguntou:

– Já pensaram no que Durval irá dizer, em como ele irá se sentir quando souber dessa súbita resolução?

Catarina respondeu:

– Ele ficará feliz. Mas a felicidade dele só seria completa se você conseguisse se desvencilhar do compromisso com o príncipe Alfredo.

Natália murmurou entristecida:

– Isso é um sonho que jamais se realizará.

FIM DO CAPÍTULO XXXIV
Sisi Marques

(NO PRÓXIMO SEGMENTO DA HISTÓRIA “A RAINHA DE ESPERANÇA”, NÃO PERCA O 35º CAPÍTULO.)

Grata,
Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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