FLÁVIA E DOUGLAS (Capítulos XXXII e XXXIII)

Capítulo XXXII
No domingo, os dois voltaram a se encontrar. Augusto ficou fascinado ao ver Hortência livre do ódio que a aprisionara: ela parecia ainda mais bela e mais atraente. Além disso, havia aquele brilho misterioso em seu olhar…

Depois que conversaram um pouco, Hortência comentou:

– Estive pensando e resolvi não ir mais atrás de Lucas. Quando ele quiser falar sobre a separação, terá que vir me procurar.

– Isso quer dizer que você concorda em se separar?

– Não há outro jeito; e também já não tenho mais tanta certeza de que gostaria de continuar casada com ele. Tenho que reconhecer que, antes mesmo de Flávia entrar para a vida de Lucas, eu já havia começado a encarar o meu casamento como uma espécie de armadilha, da qual eu só não fugia porque tinha medo.

– Medo de quê?

– Da solidão, talvez. Chego a sentir vergonha quando me recordo das coisas que disse sobre Flávia e do mal que desejei a ela. Sinto-me como se tivesse despertado de um sonho ruim.

– Você recobrou a lucidez.

– Mas ainda há um vazio.

– Que poderá ser preenchido.

Augusto arriscou tudo, quando acrescentou:

– Estou perdidamente apaixonado por você.

Olhando nos olhos dele, Hortência encorajou-se a dizer:

– Se eu não o conhecesse bem, diria que está mentindo.

– Se você soubesse o quanto eu sofri quando você tentou atirar-me para os braços de Flávia!…

– Confesso que, apesar das aparências, a ideia também não me agradava muito. Embora eu desejasse que você conseguisse afastá-la de Lucas, eu receava que você viesse a se apaixonar por ela. Eu nunca senti ciúmes de Lucas; mas, de você, eu sentia. Augusto, eu não sei como você pode continuar gostando de mim depois de tudo o que presenciou. Lucas e Flávia nunca me perdoarão pelo sofrimento desnecessário que causei a eles.

– Talvez agora eles estejam pensando o mesmo em relação a você. Eles têm consciência de que também a fizeram sofrer. Ninguém pode ser responsabilizado pelas escolhas do coração; elas simplesmente acontecem.

– Sei que o tempo há de nos ajudar a esquecer; contudo, eu só lamento o fato de não ter conhecido você antes. Se eu tivesse me casado com você, em vez de Lucas, aposto que não teria passado por essa decepção.

– Diga que aceita casar-se comigo; e, amanhã mesmo, procurarei Lucas para dizer-lhe que você também deseja o divórcio. A nossa felicidade só depende de você.

Hortência sorriu, revelando ternura no olhar. Os dois se abraçaram, e Augusto, depois de beijá-la, perguntou:

– Você promete que, se um dia eu falar em separação, lutará por mim do mesmo modo que lutou por Lucas?

Ela murmurou:

– Eu lutaria ainda mais e não desistiria nunca de você.

FIM DO 32º CAPÍTULO
Sisi Marques

FLÁVIA E DOUGLAS (Capítulo XXXIII)
Douglas e Elaine foram padrinhos de casamento de Lucas e Flávia; enquanto Armando e Telma foram padrinhos de Augusto e Hortência.

Sou filho de Lucas e Flávia, e não preciso explicar por que meus pais escolheram para mim o nome Douglas. Hortência, por sua vez, quando sua filha nasceu, com a intenção de provar que não guardava ressentimentos, resolveu dar a ela o nome de minha mãe.

Amanhã será, para todos nós, um dia de muita alegria, porque estaremos reunidos para a celebração do meu casamento com Flávia. Douglas e Elaine, agora casados, serão nossos padrinhos.

Mesmo que Hortência ainda não houvesse perdoado minha mãe, o destino certamente encarregar-se-ia de aproximá-las, porque nada, nem ninguém, poderia impedir que Flávia e eu nos uníssemos.

F I M

Sisi Marques

Grata,
Sisi Marques

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Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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