FLÁVIA E DOUGLAS (Capítulo XXVIII)

Enquanto Flávia e Douglas jantavam naquele restaurante, Lucas rodava com o carro, lutando consigo para não cair nas garras da desesperança.

Flávia não lhe saía do pensamento. Eram ruas e mais ruas… Essa impressão de não estar indo a lugar nenhum lhe dava uma gostosa sensação de liberdade. Li-ber-da-de!… Ele daria tudo para voltar a ser livre!… Douglas era um homem livre e poderia acabar roubando-lhe Flávia.

De repente, Lucas entrou numa rua que o fez lembrar do dia em que tomou conhecimento do noivado de Flávia. Ele reduziu a velocidade e logo pôde avistar o bar onde tentara afogar todo o ciúme que sentia.

Era como se pudesse ainda recordar o momento em que, sem pensar duas vezes, parou o carro e entrou naquele mesmo bar, que agora podia ver de um modo tão sóbrio. Sóbrio!… Agora, poderia dizer que estava sóbrio; mas, naquele dia, já não saberia mais nem dizer quem era.

Contornou a esquina, deu a volta e tornou a entrar na mesma rua. Estacionou o carro no mesmo lugar em que o havia deixado naquele dia. Entrou no bar, e pediu um sanduíche e um copo de leite.

Flávia ainda ocupava a tela de sua imaginação. Receava que ela estivesse mesmo decidida a casar-se com Douglas para tentar esquecê-lo. Ele terminou a refeição, pagou a conta e saiu.

Quando Lucas se aproximou do carro com a chave na mão, o rosto de Antonio veio-lhe à mente. Ele sentiu uma vertigem, entrou no carro, mas não deu a partida. Precisava pensar. Cruzou os braços sobre o volante e abaixou a cabeça. Foi nesse momento que o arquivo da mente lhe mostrou a cena que vivera: ele se esforçava muito para abrir a porta do carro, porque nenhuma das chaves parecia servir; de repente, um homem que não conhecia apareceu para ajudá-lo. O rosto de Antonio ressurgiu em sua mente; dessa vez, com mais clareza. Hortência havia dito que o rapaz que o ajudara chamava-se Augusto. Lucas estava convencido de que Antonio e Augusto eram a mesma pessoa. Ele levantou a cabeça e seguiu em direção ao apartamento onde, infelizmente, ainda morava.

(Não perca, no próximo segmento, o 29º CAPÍTULO da história “FLÁVIA E DOUGLAS”.)

Grata,
Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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