REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 5 – O CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE (Capítulos XVI, XVII e XVIII)

Capítulo XVI
Naquele mesmo dia, durante o almoço, Afrânio comentou:

– Hoje, além das surpresas agradáveis que Tadeu proporcionou-me, eu ainda recebi um convite que jamais sonhei em receber. Só existe um problema: se eu aceitar tornar-me membro do Conselho, não poderei retornar a esta dimensão. Receio que os Conselheiros não sejam tão generosos quanto a Feiticeira. Tadeu tornou-se o Guardião do Coração das Fontes e está entre nós. Se eu não declinar do convite, jamais tornarei a participar de uma reunião tão agradável quanto esta.

Cibele, direcionando sua atenção a Tadeu, perguntou:

– O que Afrânio disse é verdade?… Você se tornou o Guardião?…

Olhando-a ternamente, ele respondeu:

– Tudo leva a crer que sim. A Feiticeira entregou-me um anel de compromisso e disse que ele poderia levar-me de volta, se eu desejasse. O mesmo anel trouxe-me à casa de Anabel.

Foi a vez de Afrânio dizer:

– Perdoe-me a insistência, Tadeu; mas, segundo a lenda, o Guardião seria atraído pela Feiticeira de um modo irresistível, e tudo começaria com um beijo.

Tadeu confidenciou:

– Ela pediu-me que a beijasse, mas eu me recusei. Talvez tenha sido por esse motivo que consegui desvencilhar-me de sua presença magnetizante.

Afrânio, balançando a cabeça para os lados, atreveu-se a dizer:

– Você não compreende a magnitude da experiência que teve, ou melhor, que deixou de ter ao se recusar a beijá-la. Ela não pretendia enfeitiçá-lo e sim despertá-lo para o verdadeiro amor. Segundo a lenda, o Guardião e a Feiticeira são almas gêmeas. Só o amor da Feiticeira conseguirá preencher o vazio que há em seu coração.

Tadeu desviou o assunto quando perguntou a Eliel:

– Poderia acompanhar-me à sala?

Eliel, que já havia terminado a refeição, levantou-se para acompanhá-lo. Os dois estavam sozinhos quando Tadeu, entregando-lhe o frasco de cristal, disse:

– Cabe a você entregar a Cibele esta dádiva. Talvez Afrânio esteja certo: eu deveria confiar no amor da Feiticeira para libertar-me do meu amor por Cibele.

Eliel disse:

– Receio não ser o confidente adequado para esse assunto. Eu lhes proporcionei a oportunidade de se reencontrarem a sós porque temia que, ao revê-lo, ela desistisse do meu amor. Apesar de amar Cibele intensamente, eu seria incapaz de mantê-la ao meu lado contra a sua vontade. O que eu tenho a lhe propor poderá fazer com que eu me arrependa eternamente: convide-a para um passeio e entregue a ela a água da Fonte; abra o seu coração e confesse o seu amor. Eu saberei respeitar a decisão de Cibele por mais que me faça sofrer. Agora, Tadeu, eu só lhe faço um pedido: não retorne àquele lugar sem consultar Cibele. Se você a deixar antes de convencê-la de que está fazendo um bem a si mesmo, nem todo o amor que sinto por ela será suficiente para ajudá-la a suportar a sua ausência.

FIM DO CAPÍTULO XVI
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 5 –
O CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE
Capítulo XVII
Quando Eliel e Tadeu voltaram a sentar-se à mesa, eu disse a Eliel com a intenção de animá-lo:

– A sobremesa é você quem providencia.

Eliel perguntou:

– Quer aquele sorvete?

Respondi afirmativamente, e ele providenciou sorvete para todos nós com sua magia.

Após a sobremesa, Eliel perguntou a Cibele:

– Gostaria de passear de moto com Tadeu? Vocês têm muito a conversar.

Cibele fez um sinal afirmativo com a cabeça e beijou o rosto de Eliel. Enquanto ela esperava Tadeu ir à garagem tirar a moto, pôde ouvir Anabel perguntar a Afrânio:

– Pretende aceitar a proposta de tornar-se Conselheiro?!

Afrânio respondeu:

– Ainda não decidi. Eu não gostaria de abrir mão de ocasiões como esta; mas, por outro lado, participar do Conselho é uma ambição que todo gênio possui.

Anabel atreveu-se a emitir o comentário:

– Pensei que sua ambição maior fosse ter um lar.

Cibele não pôde ouvir a resposta de Afrânio porque Tadeu entrou para chamá-la, e os dois saíram de mãos dadas. Quando subiram na moto, Tadeu disse:

– Coloque o capacete e segure firme. Pretendo levá-la ao Poço das Fadas. Concorda em ir até lá?

Ela respondeu afirmativamente e acenou para Eliel, que os observava parado em frente ao portão.

Cerca de quinze minutos depois, Tadeu e Cibele retiravam os capacetes e desciam da moto naquele lugar repleto de lembranças. Ele sentou em um tronco caído e convidou-a a sentar-se ao seu lado. Olhando nos olhos de Cibele, ele perguntou:

– O que você sente por mim?!… Se disser que não me ama, que não sofrerá com a minha ausência, eu colocarei o anel e aceitarei o amor da Feiticeira.

Cibele murmurou:

– Eu me habituei à sua companhia e detestaria vê-lo partir.

Tadeu disse:

– Você não me ama. O que eu pensava que fosse amor você rotulou de hábito. Você se acostumou à minha presença naquela dimensão onde sua mãe me obrigou a viver. Eu era apenas um escravo, e você sentia pena de mim e desejava proteger-me.

Cibele, irradiando ternura, afirmou:

– Você distorceu as minhas palavras. Eu procurava minimizar a sua desventura, porque receava que você sofresse e acabei me afeiçoando a você.

Tadeu concluiu amargamente:

– Afeiçoou-se a mim como teria se afeiçoado a qualquer animalzinho indefeso. Eu confundi o seu instinto de proteção com amor.

Cibele confessou:

– Houve um tempo em que eu acreditei estar apaixonada por você.

Ele afirmou:

– Isso foi antes de Eliel entrar para a sua vida.

Olhando nos olhos de Cibele, ele perguntou:

– Por que nos abraçamos e nos beijamos em nosso reencontro? Esse sentimento em relação a mim não significa nada?!

Cibele desviou o olhar antes de responder:

– Eu estava preocupada, aflita, com saudade… Imaginava que o tivesse perdido para sempre… Eu não sei mais o que dizer… Só existe uma certeza em minha vida: eu amo Eliel e, depois dele, você é a pessoa com a qual eu mais me importo.

Tadeu, procurando esconder a dor que sentia, retirou o frasco do bolso da jaqueta e disse:

– Permita-me, ao menos, poder perpetuar a sua felicidade ao lado de Eliel. Beba a água da Fonte Mais Pura.

Cibele respondeu:

– Eu aceito e agradeço o presente, mas só beberei a água da Fonte na presença de Eliel para poder contemplar a felicidade nos olhos dele.

Tadeu, deixando transparecer a mágoa que o consumia, perguntou:

– E para mim não resta nem mesmo um último beijo?

Cibele sorriu e permitiu que Tadeu a beijasse.

Após o beijo, ela disse ternamente:

– É melhor voltarmos para que Eliel não se magoe com a nossa demora.

FIM DO CAPÍTULO XVII
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 5 –
O CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE
Capítulo XVIII
Quando Tadeu e Cibele voltaram, ela imaginou que não mais encontraria Eliel na minha casa. Ao vê-lo, porém, ela exclamou:

– Que bom que ainda está aqui! Eu pensei que você já tivesse ido para a nossa árvore.

Abraçando-a, ele comentou:

– Eu disse que a esperaria. Está tudo bem?

Ela respondeu:

– Sim, mas há algo que eu preciso lhe dizer e espero que não se zangue. Poderíamos ir ao jardim?

Eliel acompanhou Cibele ao jardim, e ela confessou:

– Hoje, quando Tadeu foi à nossa árvore, eu fiquei tão feliz em revê-lo que o abracei e o beijei. O beijo foi espontâneo e continha apenas alegria e amizade. Consegue me
perdoar?!…

Eliel confidenciou:

– Eu já imaginava que isso pudesse acontecer. Foi por esse motivo que preferi que se reencontrassem a sós. Não há o que perdoar. Você bebeu a água da Fonte? Fui eu que sugeri a Tadeu que a ofertasse a você durante o passeio.

Cibele, encabulada, disse:

– Preciso lhe fazer outra confissão: antes de deixarmos o Poço das Fadas, permiti que Tadeu me beijasse pela última vez.

Eliel perguntou:

– Você o beijou em agradecimento por ele ter lhe ofertado a água da Fonte?

O olhar apaixonado de Cibele estava colado no rosto de Eliel quando ela respondeu:

– Não. Eu só não lhe neguei um último beijo porque não desejava magoá-lo ainda mais.

Deixando-se envolver pelo olhar carinhoso de Cibele, Eliel beijou-a ternamente. Quando os dois voltaram à sala, Tadeu solicitou a nossa atenção por um momento. Eliel emocionou-se quando Tadeu, entregando-lhe o frasco de cristal no formato de dragão, disse:

– Cabe a você a felicidade de entregar a Cibele a água da Fonte da Juventude.

Eliel, após endereçar um olhar de agradecimento a Tadeu, depositou o frasco nas mãos de Cibele. Profundamente emocionada, ela retirou o lacre e ingeriu o líquido. Cibele sorriu para Eliel, e ele, atraído pela meiguice que transbordava de seu olhar, beijou-a carinhosamente.

Afrânio aventurou-se a dizer a Anabel:

– Há tanto romance no ar que contagia… O que me diz de irmos ao jardim?

Afrânio e Anabel saíram, e ela comentou:

– Não haverá romance em sua vida se aceitar a proposta de fazer parte do Conselho.

Afrânio perguntou:

– E quem disse que estou pensando em aceitá-la? Case-se comigo, Anabel. Dê uma oportunidade ao meu amor de conquistar o seu coração.

Anabel sorriu, e Afrânio beijou-a apaixonadamente.

FIM DA HISTÓRIA “REALIDADE MÁGICA” LIVRO 1
Sisi Marques
22/07/2013

Grata,
Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
This entry was posted in REALIDADE MÁGICA LIVRO 1 - PARTE 5 (O CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE). Bookmark the permalink.

Leave a Reply