FLÁVIA E DOUGLAS (Capítulo XXVI)

Na manhã seguinte, Hortência telefonou para Flávia; disse-lhe:

– Só estou ligando para avisá-la que pretendo voltar amanhã, à noite. Espero que você e Lucas estejam aproveitando bastante a minha ausência. Lembre-se, Flávia, uma oportunidade como essa não é sempre que se tem; portanto, não é bom desperdiçá-la.

Flávia não disse nada, e desligou o telefone.

Quando Lucas foi buscá-la para almoçarem juntos, Flávia não quis sair. Disse-lhe magoada:

– Lucas, é bom você esquecer o caminho da minha sala, para que eu não seja forçada a deixar este emprego.

– Não vai me dizer o que aconteceu?

– É embaraçoso demais… Eu gostaria de poder esquecer, em vez de ficar lembrando. A sua esposa é doente; talvez, seja melhor mesmo que continuem casados. Não aguento mais essa situação.

– Flávia, procure esquecer aquele dia em que esteve com Hortência. Aposto que ela foi viajar apenas porque desejava descansar um pouco. Ela deve estar se divertindo e já nem se lembra mais das coisas que lhe disse.

– Detesto o modo como você a defende.

– Não a estou defendendo. Só gostaria que pudéssemos esquecer que ela existe. Não quero perder você.

Flávia começou a chorar, e Lucas a abraçou. Ela manteve a recusa de sair para almoçar. Depois que Lucas deixou sua sala, ela telefonou a Douglas, pedindo-lhe que fosse encontrá-la após o expediente.

Quando Douglas chegou, Flávia disse:

– É melhor sairmos logo antes que Lucas venha até aqui.

– Pediu-me que viesse buscá-la, sem dizer nada a ele?

– Que diferença faria?!… Acabou, Douglas!… Não posso mais continuar com Lucas!… É loucura!…

– Procure se acalmar. Quero saber o que está acontecendo.

– Eu lhe direi; mas não aqui. Por favor, vamos embora.

Lucas entrou e ainda pôde ouvir as últimas palavras de Flávia. Perguntou:

– Aonde vão com tanta pressa?

Foi Douglas quem respondeu:

– Lucas, eu posso explicar…

Flávia o interrompeu dizendo:

– Não; deixe que eu mesma digo. Douglas e eu reatamos o nosso compromisso.

Lucas olhou nos olhos de Douglas antes de perguntar:

– Isso é mesmo verdade?

Douglas não respondeu. Disse apenas:

– Vou deixá-los sozinhos, para que possam conversar.

Flávia chamou-o de volta, dizendo:

– Douglas, se você não confirmar o que eu disse, se sair e me deixar aqui; vou entender essa sua atitude como um rompimento definitivo do nosso noivado.

Douglas, que já estava saindo, hesitou. As palavras de Flávia deixaram-no sem ação.

Lucas disse-lhe:

– Fique Douglas. Já compreendi o que está acontecendo. Você a merece mais do que eu. Apesar de tudo, fico feliz em saber que Flávia soube escolher.

Os olhos de Flávia encheram-se de lágrimas; e Lucas, depois de contemplar o seu rosto mais uma vez, retirou-se sem dizer nada.

Douglas olhou para Flávia e perguntou:

– Por que agiu desse modo? Até quando pretende continuar se iludindo? Você não sabe viver sem ele; essa que é a verdade! Olhe só para você: ele nem bem saiu, e você já está se desmanchando em lágrimas!…

Flávia permaneceu calada, e Douglas a abraçou.

Quando ele percebeu que ela estava mais calma, disse:

– Ainda não sei como tudo isso vai acabar…

Flávia comentou:

– Prefiro que termine com você e eu no altar a terminar…

– Continue.

– Com Lucas e eu na cama.

–Tem certeza?

– Tenho.

Douglas tornou a abraçá-la, e Flávia disse:

– Gosto tanto de você; sei que não será difícil aprender a amá-lo. Não quero mais que se afaste de mim.

– Prometo-lhe que, de uma forma ou de outra, eu estarei sempre ao seu lado. Vou levá-la para um lugar onde possamos conversar melhor. Nervosa do modo que você estava quando me telefonou, aposto que nem almoçou. Está com fome?

– Para ser sincera, não.

– Mas irá jantar… Depois que jantarmos, você me conta o que a está atormentando tanto. Está bem assim?

– Está.

– Então, vá lavar esse rostinho para podermos ir.

(Não perca, no próximo segmento, o 27º CAPÍTULO da história “FLÁVIA E DOUGLAS”.)

Grata,
Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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