REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 5 – O CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE (Capítulos I e II)

Capítulo I
Aproximadamente sete meses após Eliel, Cibele, Tadeu e Anabel terem retornado da dimensão de Cibele, o seguinte diálogo estava em andamento na árvore de Eliel:

– Eu vim o mais depressa que pude. Como está ela?

Eliel respondeu a Anabel:

– Está deitada, repetindo sempre a mesma coisa. Eu fiz um chá para acalmá-la, mas ela ainda está bastante agitada.

Anabel perguntou:

– Ela sabe onde Tadeu está?

Eliel exclamou:

– Aí está o problema! Cibele fica repetindo o tempo todo que o perdeu. Ela afirma que há um portal atrás da cachoeira… Ele conseguiu atravessá-lo, e ela não.

Confusa, Anabel perguntou:

– Como Tadeu e Cibele descobriram esse portal e por que decidiram atravessá-lo?

Eliel, remoendo-se em pensamentos e receios, murmurou:

– Eu não sei. O que me entristece é pensar que Cibele teria me deixado se o portal não tivesse barrado sua entrada.

Anabel comentou magoada:

– Ela teria deixado você do mesmo modo que Tadeu me deixou. O que você pretende fazer agora?

Eliel, com a voz recoberta de tristeza, disse:

– Pretendo esperar que ela se recupere, para que possa explicar o que houve. Eu não quero tirar conclusões precipitadas.

Anabel, lutando consigo mesma para segurar as lágrimas que teimavam em rolar pelo seu rosto, concluiu:

– Não resta a menor dúvida de que os dois pretendiam partir. E se ela diz que o perdeu, é porque sabia que não haveria retorno uma vez que tivessem atravessado o portal. Agora ela está aqui, e Tadeu se foi para sempre. Não é justo, Eliel! Não é justo!

Eliel abraçou Anabel para confortá-la em sua dor e para buscar conforto para si próprio. Ele disse:

– Talvez a situação não seja tão irremediável assim. Espere aqui; eu preciso ver como ela está.

Quando Eliel entrou no quarto, perguntou:

– Você está melhor? Precisa se alimentar.

Cibele murmurou:

– Eu não tenho fome. Você estava falando com alguém… É Anabel?

Ele respondeu:

– Sim. Gostaria de falar com ela?

Cibele, recomeçando a chorar, murmurou:

– Não. Ela jamais me perdoará.

Levantando-se inesperadamente, Cibele caminhou até a penteadeira e começou a revistar as gavetas.

Eliel, preocupado, perguntou:

– O que está procurando?…

Ela exclamou:

– Eu perdi Tadeu!… Preciso encontrar um meio de trazê-lo de volta. Onde está a chave?!… Onde você a guardou?!… Por favor, responda. Eu preciso da chave!

Pesaroso, Eliel afirmou:

– Você só permaneceu ao meu lado porque o portal impediu a sua passagem. Agora você quer a chave para ir ao encontro de Tadeu. Como espera que eu me sinta?!… Eu confiei em você… Confiei no nosso amor… Entre nós haverá sempre a certeza de que você só não me deixou porque o seu plano de fuga não deu certo. Responda-me, Cibele: Você ainda me ama?!… Você ainda precisa de mim?!…

Cibele sentiu uma vertigem e teria caído se Eliel não a tivesse amparado. Sentindo-se profundamente egoísta ao verificar que as palavras de Eliel a afligiram mais do que a perda de Tadeu, num estalar de dedos, Cibele desapareceu; e Eliel ficou desesperado ao contemplar seus braços vazios.

Ele voltou para a sala na esperança de encontrar Cibele justificando-se com Anabel. Como não encontrou nenhuma das duas, utilizou a magia do anel para dirigir-se à casa de Anabel. Chegando lá, viu apenas Anabel. Ela disse:

– Eu vim embora porque não quis interferir na vida de vocês. Eu fico pensando que teria sido melhor se nós não os tivéssemos conhecido. Ainda estaríamos juntos e não passaríamos por mais esse dissabor.

Eliel comentou:

– Não éramos felizes.

Anabel disse:

– Mas ainda não tínhamos conhecimento disso.

Ele afirmou:

– Eu preciso encontrá-la. Ela deve ter voltado àquele maldito lugar.

Eliel desapareceu, e Anabel ficou com os olhos parados fitando o vazio.

FIM DO CAPÍTULO I
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 5 –
O CORAÇÃO DAS FONTES DA JUVENTUDE
Capítulo II
Enquanto Eliel procurava por Cibele no Poço das Fadas e, posteriormente, na praia; Cibele, na minha casa, conversava com Crisélia. Ela dizia:

– Eu pensei em você, Crisélia, porque você não esconde os seus sentimentos. Se não gosta de mim, fica muito mais fácil conversarmos porque você não tem nenhuma expectativa a meu respeito, e eu não corro o risco de decepcioná-la. Hoje eu já decepcionei as pessoas a quem amo; por favor, atenda ao meu pedido e deixe-me passar alguns dias em sua árvore. Prometo que será por pouco tempo. Preciso de um lugar seguro onde eu possa abrigar-me até decidir o que fazer.

Esquadrinhando o rosto de Cibele, Crisélia perguntou:

– Eliel sabe que está aqui?

Deixando transparecer a mágoa que a consumia, Cibele respondeu:

– Não. Por favor, Crisélia, eu não tenho mais ninguém a quem recorrer.

Não conseguindo mais ficar calado, acabei me intrometendo na conversa das duas para dizer:

– Crisélia tem um grande coração, e ele não se fechará para você. Ela a conduzirá à sua árvore e lhe servirá um chá que a fará adormecer. Quando você despertar, estará mais calma e mais senhora da situação.

Crisélia, impacientando-se com a minha atitude, exclamou na frente de Cibele:

– Você não tem o direito de decidir por mim! Eu não gosto dela, e ela sabe muito bem disso!… Foi muito atrevimento ela ter vindo até aqui pedir para hospedar-se em minha árvore!

Eu contemplava as lágrimas transbordando dos olhos de Cibele quando a ouvi dizer:

– Não foi o atrevimento que me trouxe aqui, e sim a humildade. Eu não conheço o seu mundo. Eu perdi Eliel, Tadeu e Anabel em um único dia. Por favor, não me faça perder também a esperança.

Crisélia calou-se. Preparou um chá calmante para Cibele e conduziu-a à árvore. Após certificar-se de que ela havia conseguido conciliar o sono, Crisélia dirigiu-se à árvore de Eliel. Ele já havia retornado da busca frustrada que fizera e parecia transtornado. Surpreso com a inesperada visita, ele disse:

– Eu devo admitir que você estava certa: Cibele foi embora; ela me trocou por Tadeu.

Crisélia, contemplando o estado deplorável de Eliel, disse:

– Eu não sei o que está acontecendo e não me interessa saber. Só vim lhe dizer que Cibele está dormindo na minha árvore. Ela estava muito fragilizada, e eu lhe ofereci aquele chá que eu costumava dar a Anabel. Espero que não se importe.

Eliel, com o ânimo renovado, comentou:

– Você não sabe o quanto a sua revelação me conforta. Eu pensei que ela tivesse atravessado o portal. Eu me sentia oprimido; era como se o mundo estivesse desabando sobre mim. Importa-se se eu for vê-la? Ela não precisa saber que eu estive lá.

Crisélia consentiu, e Eliel acompanhou-a.

FIM DO CAPÍTULO II

Sisi Marques

No próximo segmento, não perca a continuação da 5ª Parte (O Coração das Fontes da Juventude) da história “Realidade Mágica” – livro 1.

Grata,
Sisi Marques

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