REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 4 – CIBELE (Capítulos XXXIII, XXXIV e XXXV)

Capítulo XXXIII
Na manhã seguinte, Anabel levou Tadeu à minha casa para apresentá-lo a Crisélia e a mim. Crisélia perguntou entre surpresa e preocupada:

– Onde está Eliel? Ele resolveu dormir até mais tarde e virá depois? Por que não nos acordaram assim que chegaram? Teriam nos poupado mais uma noite de preocupação!

Anabel disse apenas:

– Eliel está ótimo! E, como ele não perde o café da manhã na casa de vocês, provavelmente logo estará aqui. Ele deve estar tão ansioso quanto eu estava para revê-los. A propósito, Crisélia, você se importaria de substituir-me só mais hoje?

Crisélia respondeu:

– Será um prazer! Descanse!… Você precisa se recuperar do trauma.

Foi Tadeu quem acrescentou:

– E do cansaço também. Eu acredito que Anabel nunca trabalhou tanto em toda a sua vida!

Crisélia e eu continuamos conversando com Anabel e Tadeu. Cerca de uma hora depois, Eliel apareceu para cumprimentar-nos. Crisélia perguntou:

– Não vai se sentar à mesa e tomar café? Eu fiz aquele bolo de laranja que você gosta.

Ele respondeu:

– Não, obrigado. Eu prometi voltar logo… Cibele está me esperando.

Crisélia olhou para Anabel e, em seguida, para Eliel. Fitou os dois por alguns segundos antes de perguntar desconfiada:

– O que está havendo?… Por que tiveram que trazer aquela bruxa com vocês?… Ela poderia ter permanecido em sua própria dimensão depois de tê-los ajudado. Quem garante que a “bruxa-mãe” não virá atrás dela?…

Eliel exclamou:

– Impossível! Fechamos a passagem, e só a chave de ouro poderia reabri-la.

Para provocar Eliel, Crisélia comentou:

– E presumo que a chave esteja com a “bruxa-filha”. Quem garante…

Eliel interrompeu Crisélia para dizer:

– Se não consegue conversar comigo sem ofender Cibele, eu não tenho mais nada a fazer aqui.

No mesmo instante, Eliel desapareceu tão rapidamente quanto chegara. Foi Anabel quem disse a Crisélia:

– Você aprenderá a gostar de Cibele. Dê um tempo a Eliel.

Inconformada, Crisélia perguntou:

– Dar um tempo?!… O que houve com você, Anabel?!… Responda-me: é na casa de vocês que a bruxa está hospedada?

Anabel respondeu:

– Não. Ela está morando na árvore de Eliel.

Crisélia comentou:

– Assim é melhor! Ela logo se cansará dessa acomodação temporária e desejará voltar à dimensão à qual pertence.

Anabel começava a impacientar-se com a obstinação de Crisélia em não querer enxergar a verdade. Para mudar de assunto, ela olhou para mim antes de perguntar:

– Você poderia nos emprestar a caneta e o cartão que o gênio Afrânio lhe deu?

Respondi:

– Farei melhor do que isso: darei a vocês a carteira que Eliel me deu para ajudá-los a cobrir as despesas até você receber o seu salário, e Tadeu conseguir um emprego.

Anabel disse:

– Agradecemos a sua generosidade, mas o que desejamos mesmo é poder utilizar o cartão e a caneta para atrair o gênio. Se escrevermos o nome dele no cartão, eu acredito que ele aparecerá.

Crisélia perguntou com desdém:

– E o que pedirá a ele que nós não podemos lhe oferecer?

Endereçando um olhar na direção de Tadeu, Anabel confidenciou:

– Eliel quer passar a eternidade ao lado de Cibele, e eu quero passar a eternidade ao lado de Tadeu. O gênio poderia realizar os nossos desejos, ofertando-nos duas doses da água da Fonte da Juventude.

Crisélia não conseguiu evitar o comentário:

– Então, era como eu suspeitava: Eliel e Cibele estão juntos. O que me admira muito, Anabel, é você, que parecia gostar tanto dele, desistir assim tão facilmente! E, além disso, querer se unir a alguém que mal conhece! Você e Eliel perderam o juízo! Se deseja manter aquele emprego na biblioteca, faça isso por si mesma porque eu estou farta dessa loucura de vocês dois, aliás, da loucura de vocês três!

Crisélia estava com o olhar cravado no rosto de Tadeu quando pronunciou as últimas palavras. Continuando a encará-lo, ela perguntou:

– O que aconteceu com o amor que você devotava à bruxa?

Ele respondeu:

– Agigantou-se com o amor que ela ofertou a Eliel e com o amor que entreguei a Anabel. Eliel tem razão: se não somos bem-vindos aqui, não há motivo para ficarmos.

Eu procurei contornar a situação:

– Por favor, perdoem Crisélia. A sua única preocupação é o bem-estar e a felicidade de Eliel. Enquanto eu subo para buscar o cartão e a caneta, por que não comem mais uma fatia de bolo?

Crisélia aproveitou a ocasião para dizer:

– Se querem destruir suas vidas, fiquem à vontade! Apenas o tempo poderá dizer quem estava com a razão.

Crisélia mal acabou de pronunciar essas palavras e desapareceu num picar de olhos. Esforçando-me para disfarçar o meu constrangimento, comentei:

– Ela sempre faz isso quando se sente contrariada. O tempo há de provar que vocês estavam certos.

FIM DO CAPÍTULO XXXIII
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 4 – CIBELE
Capítulo XXXIV
Enquanto eu subia ao meu quarto para apanhar a caneta e o cartão para Tadeu e Anabel; Eliel, em sua árvore, dizia a Cibele:

– Não se aborreça, meu anjo; quando Crisélia conhecê-la melhor, perceberá o quanto estava enganada a seu respeito. Não podemos permitir que algo tão passageiro e sem importância estrague o nosso momento. Venha, quero levá-la para conhecer um lugar maravilhoso: chama-se Poço das Fadas.

Eliel abraçou Cibele e os dois se transportaram da árvore para aquele recanto que exibia uma exuberante cachoeira. Cibele comentou:

– Agora eu entendo por que você desejava voltar para esta dimensão. Existem mais lugares tão encantadores quanto este e a sua árvore?… Eu gostaria de conhecer todos eles! Que bobagem estou dizendo!… Não há nada de especial neste lugar ou em qualquer outro. O que torna este lugar tão fascinante é a sua presença. É você quem irradia a magia que eleva a minha alma e enternece o meu coração.

Eliel sorriu e beijou-a carinhosamente.

FIM DO CAPÍTULO XXXIV
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 4 – CIBELE
Capítulo XXXV
Quando desci segurando o cartão e a caneta, Anabel praticamente arrancou-os das minhas mãos dizendo:

– É agora ou nunca! Esse gênio terá de aparecer!

Aconselhei:

– Escreva o nome dele desejando gentilmente que ele apareça, e não ordenando como se ele fosse seu escravo.

Anabel escreveu o nome “Afrânio” no cartão, e ele não apareceu. Ela tornou a escrever seu nome pelo menos uma dezena de vezes e não obteve êxito. Eu disse:

– Talvez ele esteja ocupado e não possa se deslocar até aqui no momento. Anabel, eu não quero ser indelicado, mas preciso ir à árvore de Crisélia. Se eu não for encontrá-la, tenho a certeza de que ela ficará magoada.

Anabel disse:

– Vá, Felizardo, e procure convencê-la da bondade que há no coração de Cibele.

Girei o anel e, num piscar de olhos, eu estava na árvore de Crisélia, ou melhor, na nossa árvore. Ela comentou magoada:

– Você demorou… Pensei que estivesse zangado comigo.

Abraçando-a, comentei:

– Não estou zangado. Eu só demorei porque Anabel estava tentando localizar Afrânio.

Ela exclamou:

– Eu sou uma tola! Por que devo me aborrecer com Eliel e Cibele, se Anabel não está nem aí para o que está acontecendo?!… Eu não consigo entender!… Eliel e Anabel sempre pareceram tão apaixonados, tão apegados um ao outro… Como, de repente, eles terminam o relacionamento e agem naturalmente como se fossem apenas amigos?!… Eu nunca imaginei que eles pudessem se separar dessa forma tão leviana e inconsequente. E esse rapaz?!… É um estranho!… Eu não me sinto à vontade ao vê-lo ocupando o lugar, que era de Eliel, ao lado de Anabel. Que loucura! Como eu me sentirei se tiver que presenciar Eliel abraçando e beijando aquela bruxa?!… Eu não a quero como cunhada. A única coisa que espero dela é que mantenha distância.

Confesso que me entristeci profundamente ao ouvir Crisélia falar daquela forma tão cruel. Cheguei mesmo a sentir vontade de deixá-la falando sozinha. Em vez disso, porém, comentei:

– Enquanto você permite que a amargura a consuma e estrague este nosso momento, Eliel está feliz ao lado de Cibele; e Anabel parece feliz ao lado de Tadeu. Por que não aproveitamos a paz que existe nesta árvore para pensarmos um pouco em nós? O amor de Eliel e Anabel não sobreviveu à passagem do tempo, mas o nosso há de tornar-se cada vez mais forte e mais intenso. Permita que ele envolva o seu coração. Pare de julgar e solte aquilo que não cabe a você decidir.

Acariciando o meu rosto, Crisélia confessou seu receio:

– Você pensa que estou preocupada com eles, mas é o nosso relacionamento que me aflige. Eu não suportaria perdê-lo, Felizardo. Se o amor é algo tão inconstante, tão efêmero; como podemos acreditar que seremos eternamente felizes?!… O que farei se um dia você descobrir que não precisa mais de mim, que está apaixonado por outra?!…

Em vez de responder com palavras, preferi beijá-la para expressar o amor que eu ainda sentia.

FIM DO CAPÍTULO XXXV
E DA 4ª PARTE (CIBELE) DA HISTÓRIA “REALIDADE MÁGICA” – LIVRO 1

Sisi Marques

No próximo segmento, não perca os Capítulos I e II da 5ª Parte (O Coração das Fontes da Juventude) da história “Realidade Mágica” – livro 1.

Grata,
Sisi Marques

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Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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