REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 4 – CIBELE (Capítulos XIX, XX e XXI)

Capítulo XIX
Na outra dimensão, Anabel e Tadeu também procuravam descansar, entretanto não conseguiam conciliar o sono. Anabel levantou-se e caminhou até a porta da cela para perguntar:

– Tadeu, você está dormindo?

Ele levantou e aproximou-se da abertura para responder:

– Não; eu não conseguia parar de pensar.

Curiosa, ela perguntou:

– Pensar em quê?

Abrindo a porta da cela, ele respondeu:

– Na oportunidade que estamos perdendo. Se não aproveitarmos hoje, que nossas celas estão abertas e você está de posse do espelho de Cibele, jamais teremos outra oportunidade de sairmos daqui para procurarmos o amuleto.

Anabel, balançando a cabeça para os lados em sinal de desaprovação, ponderou:

– Não. Cibele aconselhou que voltássemos para as nossas celas. Consegue imaginar o que aconteceria se a bruxa voltasse da casa de suas amigas e nos surpreendesse revistando o laboratório?!… Não! Já estaremos bastante encrencados se, quando ela voltar, Cibele ainda não tiver retornado.

Tadeu, após refletir sobre a prudência contida nas palavras de Anabel, disse:

– Você tem razão. Fique aqui esperando por mim.

Anabel, abrindo a porta de sua cela, segurava o espelho de encontro ao peito enquanto dizia:

– Se você for, também irei.

Aproximando-se dela, Tadeu aconselhou:

– Anabel, precisa fazer o que digo; você é muito jovem e inocente. Veja em mim o irmão mais velho que deseja protegê-la.

Anabel aproveitou a ocasião para dizer em tom de gracejo:

– Se eu não tivesse bebido a água da Fonte da Juventude quando eu tinha vinte e um anos, hoje eu estaria com mais de oitenta. Ainda se considera em posição de querer bancar o irmão mais velho?

Entre surpreso e desconfiado, Tadeu exclamou:

– Vamos logo antes que a bruxa volte!

Os dois subiram a escada que dava para a cozinha e sentaram-se à mesa com o intuito de pedir ao espelho que lhes revelasse onde estava escondido o amuleto. Ficaram eufóricos quando, na superfície do espelho, apareceu uma coruja empalhada que ficava exposta sobre um dos armários do laboratório. Tadeu comentou:

– Eu sempre admirei essa chave de ouro pendurada no pescoço da coruja, mas nunca a toquei porque receava que a bruxa pensasse que eu tencionava roubá-la. Eu jamais poderia suspeitar que o amuleto estivesse diante dos meus olhos, ao alcance das minhas mãos…

Tadeu e Anabel caminharam até o laboratório e se aproximaram do armário sobre o qual repousava a coruja empalhada. Ele esticou o braço e puxou a fita com a chave. Anabel, temerosa, perguntou:

– O que faremos agora?…

Segurando sua mão e puxando-a para que se apressasse, ele respondeu:

– Voltaremos às celas para não levantarmos suspeitas, Bebel.

Ensaiando uma careta, Anabel exclamou:

– Bebel?! Ninguém nunca me chamou assim.

Irradiando simpatia, Tadeu perguntou:

– Não lhe agrada? É como eu costumava chamar a minha irmãzinha. O nome dela é Isabel.

Anabel sorriu, e os dois votaram às celas de mãos dadas.

FIM DO CAPÍTULO XIX
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 4 – CIBELE
Capítulo XX
Na segunda-feira, por volta das 8h, eu olhava para Crisélia, vestida com as roupas de Anabel, e não conseguia entender como as pessoas na biblioteca pensariam que ela fosse Anabel. Comentei:

– Você não conseguirá enganar ninguém.

Crisélia, pacientemente, explicou:

– Você me vê como eu realmente sou porque sabe que sou eu. Para as outras pessoas, no entanto, a minha magia criará a ilusão de que sou Anabel.

Nesse exato momento, Eliel apareceu na cozinha, acompanhado de Cibele. Surpresa, endereçando um olhar a Crisélia, ela comentou:

– Anabel não disse que tinha uma irmã gêmea. Muito prazer; meu nome é Cibele.

Crisélia não retribuiu o cumprimento e olhou para Eliel em busca de explicações. Ele disse:

– Ontem à noite, Cibele conseguiu acessar a nossa dimensão.

Em tom ríspido, Crisélia perguntou:

– Por que você a trouxe aqui? Por que ela está usando o anel e as roupas de Anabel?

Sem esperar pela explicação de Eliel, Crisélia, dirigindo-se a Cibele, ordenou:

– Saia da minha casa! Aqui você não é bem-vinda. Pode enganar o meu irmão; mas, a mim, você não engana. Saia, vamos! Será que, além de bruxa, é surda?!

Eliel, inconformado com a inesperada reação de Crisélia, colocou o braço ao redor dos ombros de Cibele enquanto dizia:

– Venha, meu anjo. Infelizmente aqui não há lugar para nós.

Eliel e Cibele desapareceram. Perguntei a Crisélia:

– O que deu em você? Por que a tratou tão mal? Deveria agradecer-lhe por ter confirmado a sua teoria de que estava parecida com Anabel! Poderia tê-los convidado para o café.

Zangando-se comigo, Crisélia exclamou:

– Não me aborreça você também! Isso não é brincadeira! Não é mais uma de suas histórias, Felizardo! É real! Essa mulher é uma cobra, e você ouviu como ele a chamou?! Chamou-a de “meu anjo”!… Ela deve tê-lo enfeitiçado!… Ele não parece nem um pouco preocupado com Anabel!

Abraçando-a, aconselhei:

– Não se precipite em julgá-la. Talvez ela só esteja interessada em ajudar. Confie no julgamento de Eliel.

Deixando-se embalar por uma pontinha de remorso, Crisélia disse:

– Não precisa me acompanhar à biblioteca. Assim que eu sair, vá e convide-os para o café. Eu deixarei a mesa posta.

FIM DO CAPÍTULO XX
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 4 – CIBELE
Capítulo XXI
Esperei Crisélia sair e fui à casa de Eliel e Anabel. Com o semblante carregado, Eliel comentou:

– Cibele ficou tão magoada que começou a chorar, subiu as escadas correndo e trancou-se no quarto de hóspedes. Eu não sei como desfazer a má impressão que Crisélia causou.

Fui diretamente ao assunto quando perguntei:

– Está apaixonado por Cibele?… Esqueceu-se de Anabel?…

Eliel expressou a sua indignação quando exclamou:

– É evidente que não!… Essa desconfiança não deve ter partido de você. Certamente foi Crisélia quem o mandou aqui para fazer essas perguntas absurdas.

Procurando evitar que ele se aborrecesse ainda mais, eu disse:

– As perguntas são minhas. Agora, o convite para vocês dois irem lá e servirem-se à mesa é de Crisélia. Ela foi à biblioteca no lugar de Anabel e pediu-me que viesse aqui desculpar-me em seu lugar.

Para fazê-lo rir, ensaiei um gracejo:

– Só espero não estar parecido com ela!

Eliel abraçou-me e comentou:

– Você é um grande amigo. Por favor, converse com Cibele. Faça-a acreditar que este mundo não é tão hostil quanto ela imagina que seja.

A pedido de Eliel, subi e bati à porta do quarto dizendo:

– Por favor, Cibele, perdoe Crisélia. Ela está nervosa porque terá que se passar por Anabel. Além de não conhecer nada do serviço na biblioteca, ela ainda sente muito a falta da cunhada. Crisélia reconheceu que errou e pediu-me que viesse aqui convidá-los para o café. Por favor, abra a porta. Você está entre amigos e será sempre muito bem-vinda.

Quando Cibele abriu a porta, seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar e, em vez do vestido florido de Anabel, ela estava trajando uma túnica preta. Para alegrá-la, comentei:

– Eu gostava mais do vestido. Com ele você fica ainda mais bela.

Saindo do quarto e encostando a porta atrás de si, ela comentou:

– Crisélia aborreceu-se por causa dele. Depois que Eliel foi à árvore descansar, eu subi para tomar um banho e pensei que não haveria mal em pegar um vestido de Anabel emprestado. Na dimensão de onde eu venho, somos amigas. Estou certa de que ela mesma não teria se importado.

Olhando em seus olhos, confidenciei:

– Crisélia não se aborreceu pelo vestido. Ela imaginou que você e Eliel estivessem apaixonados.

Ela afirmou:

– Eu amo Tadeu, e Eliel ama Anabel; portanto, nunca poderia existir nada entre mim e ele. Não sei de onde ela foi tirar essa ideia!

FIM DO CAPÍTULO XXI
Sisi Marques

No próximo segmento, não perca os Capítulos XXII, XXIII e XXIV da 4ª Parte (Cibele) da história “Realidade Mágica” – livro 1.

Grata,
Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
This entry was posted in REALIDADE MÁGICA LIVRO 1 - PARTE 4 (CIBELE). Bookmark the permalink.

Leave a Reply