REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 4 – CIBELE (Capítulos XV e XVI)

Capítulo XV
Minutos depois, Cibele, sozinha em seu quarto, assustou-se quando ouviu uma voz chamando o seu nome:

– Cibele, Cibele! Consegue me ouvir?… Por favor, responda.

Cibele aproximou-se da cômoda e apanhou o espelho. Surpreendeu-se ao verificar que o rosto de Eliel ainda estava refletido em sua superfície. Ela exclamou entusiasmada:

– Você ainda está aí! Eu imaginei que a magia da minha mãe tivesse interrompido a comunicação, mas você ainda esta aí!

Ele respondeu:

– Sim, eu estou. E pude ouvir tudo também. Quem é a megera que ousou trancafiar Anabel?

Cibele respondeu entristecida:

– Ela é minha mãe. Nós somos bruxas. O que pretende fazer com esse globo em sua mão?

Eliel respondeu:

– Estou tentando ajustar a frequência do cristal ao seu espelho… Espere só um segundo… Consegui! Posso ver o seu rosto nitidamente.

Cibele disse:

– O meu espelho consegue investigar o passado. Talvez ele possa lhe mostrar como a minha mãe fez para retirar Anabel do porão. Vamos tentar?

Eliel respondeu:

– Pode começar; eu estou pronto. Concentre-se no dia de ontem… Concentre-se em sua mãe, em Anabel, no porão… Está funcionando: a imagem do porão está começando a aparecer… É impressionante como a sua magia se afiniza à minha!

Cibele comentou:

– Eu também consigo ver o porão, mas está vazio. Espere! Lá estão minha mãe e Anabel. Elas parecem estar procurando alguma coisa. Acharam: é uma bolsa. Anabel abaixou-se para apanhá-la. Ah, não! Era uma armadilha! A minha mãe aproveitou a oportunidade para golpeá-la com a varinha do entorpecimento. A partir daí não será difícil dominar a sua vontade e conduzi-la para cá. Eu não consigo mais, meu amigo. Teremos que parar. Eu estou exausta, e a imagem começa a ficar distorcida.

Ele insistiu:

– Por favor, meu anjo, não pare. A minha magia há de sustentar a sua. Respire profundamente e concentre-se. Estamos conseguindo: a imagem voltou a ficar nítida. Por favor, Cibele, concentre-se… Pergunte ao espelho qual foi a passagem que sua mãe usou para tirar Anabel daquele porão. Pergunte-lhe. A sua magia está solicitando a ele que responda, e ele é um amigo fiel. A sua magia o envolve de maneira irresistível, e ele cede revelando-lhe o que deseja saber. Respire profundamente e concentre-se.

Cibele murmurou:

– Está funcionando… Eu consigo ver o tapete… A magia da minha mãe conseguiu erguer o tapete e revelar um alçapão embaixo dele. A minha mãe levantou a mão esquerda e, num estalar de dedos, o alçapão ergueu-se revelando uma escada. Minha mãe colocou uma venda nos olhos de Anabel e forçou-a a iniciar a descida. As duas continuaram descendo e foram parar em um túnel subterrâneo. Chega! É melhor pararmos… Eu nunca mantive a minha magia funcionando por tanto tempo, exceto para energizar as poções da minha mãe. E a minha energia sempre foi fraca. Isso é o que a minha mãe vive dizendo.

Eliel encorajou-a:

– A sua magia só enfraquece quando a sua mãe a força a praticar maldades. Agora você está usando a sua magia para o bem. E o bem é o maior catalisador de energia que existe. Sinta a sua energia se expandindo e a sua magia também. A magia que está usando não sai de sua mente, não sai de seus olhos, não sai de suas mãos. É o seu coração quem a irradia farta e generosamente. Você não é uma bruxa, Cibele. Você é uma fada. A mais pura e bela de todas.

Embalada pelo doce som da voz de Eliel e pelas palavras que ela sempre desejou ouvir, Cibele concentrou-se e atraiu para si todo o encantamento que lhe foi possível. Eliel, que por alguns instantes contemplara apenas o cristal sem vida, sorriu quando as imagens reapareceram, e ele conseguiu escutar novamente a voz de Cibele:

– Consegue vê-las? Elas estão caminhando em um corredor que já faz parte desta dimensão onde vivo. A dimensão na qual vocês vivem termina no piso que oculta o alçapão. A nossa, a da minha mãe e a minha, começa com o aparecimento do alçapão. O corredor é longo e deveria terminar quando aparecesse outra escada que conduziria à saída que deveria existir no interior da floresta. Foi esse o caminho que Tadeu procurou para retornar, mas não o encontrou porque a minha mãe o havia bloqueado. Ela conduziu Anabel por um caminho que eu desconhecia. Veja só: agora o túnel não para… Ele se estende sob a floresta, passa por debaixo do castelo e termina em uma escada que dá para o quarto da minha mãe. Com sua magia, ela construiu um alçapão no piso e o escondeu sob um imenso e pesado tapete.

Eliel sugeriu finalmente:

– Descanse. Já conseguimos o que precisávamos. Deixe o restante por nossa conta. Obrigado. Por favor, cuide bem de Anabel; ela está em suas mãos.

Cibele perguntou:

– Por que só consigo ouvi-lo? Depois que as imagens desapareceram, o seu rosto não deveria ter voltado a aparecer?

Com a voz revestida de ternura, Eliel comentou:

– Eu consigo vê-la perfeitamente no globo de cristal. Talvez a magia de seu espelho esteja enfraquecendo. É melhor interrompermos a sintonia para que ele possa recarregar-se. Se continuarmos, em breve nem a minha voz você conseguirá ouvir. Cuide-se bem.

FIM DO CAPÍTULO XV
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 4 – CIBELE
Capítulo XVI
Crisélia e eu estávamos jantando quando Eliel apareceu segurando cuidadosamente o globo de cristal.

Crisélia comentou:

– Pensei que estivesse trabalhando no espelho.

Sentando-se à mesa e começando a servir-se, ele disse:

– Não consegui arrancar nada dele e o devolvi à parede do porão.

Crisélia comentou desconfiada:

– Tem alguma pista? Você está com uma aparência ótima, e o seu apetite voltou.

Acariciando o globo que deixara ao seu lado sobre a mesa, ele exclamou:

– Foi uma experiência maravilhosa! Eu pude ver o rosto de Anabel e falar com ela, como estou vendo e conversando com vocês agora. Cibele é formidável! A sua magia é muito poderosa.

Intrigada, Crisélia perguntou:

– Quem é Cibele?

Ele respondeu sorrindo:

– Nossa aliada. Anabel e o garoto desaparecido estão em outra dimensão, e Cibele os protege. Ela é filha da bruxa…

Antes que Eliel pudesse terminar a frase, Crisélia exclamou:

– Você enlouqueceu?!… Como pôde confiar em uma bruxa e, ainda mais, na bruxa cuja mãe foi responsável pelo desaparecimento de Anabel e do garoto?!… Ela deve ser tão má quanto a mãe e deve estar usando Anabel para nos atrair.

Eliel discordou:

– Não deve julgá-la sem antes conhecê-la. Com a ajuda de seu espelho, conseguimos descobrir como sua mãe retirou Anabel daquele porão.

Confusa, Crisélia perguntou:

– Como conseguiu ter acesso a esse espelho?

Ele explicou:

– Através deste globo, eu consegui ver as imagens refletidas no espelho que ela segurava.

Ainda não satisfeita, Crisélia tornou a perguntar:

– Como isso é possível?

Ele respondeu entusiasmado:

– A nossa magia é compatível. Conseguimos unir forças e trabalhar juntos. Eu só lamento ter forçado um pouco a situação. Mas eu não me arrependo. Só espero que Cibele me perdoe.

Procurando entender, ela perguntou:

– Forçou a situação em que sentido?

Envergonhado, Eliel respondeu:

– Cibele, influenciada pela mãe, subestima a extensão e a qualidade especial de sua magia. Ela tentou interromper o experimento, e eu insisti para que ela continuasse se concentrando e extraindo as imagens. Quando terminamos, ela estava exausta, e a magia do espelho estava por um fio. Eu não deveria ter exigido tanto dela. Isso faz com que eu me sinta um monstro. E o pior de tudo é que preciso de sua magia para ajudar-me a abrir a passagem embaixo do tapete do porão.

Crisélia afirmou:

– Não há nada lá. Eu mesma verifiquei. Você fica aí se torturando enquanto que essa bruxa só está tentando nos distrair, nos enganar. Ela conseguiu fasciná-lo. Se não acredita em mim, termine o seu jantar e venha comigo ao porão.

Eliel disse:

– Quando eu fui pendurar o espelho, já examinei debaixo do tapete e também não encontrei nada. Precisamos de Cibele para ajudar-nos a acessar essa outra dimensão.

Eliel olhou para mim antes de perguntar:

– E você, por que está tão calado? Pensei que já tivéssemos feito as pazes.

Eu fui sincero quando respondi:

– Está tudo bem. O único problema é que eu não me sinto muito à vontade com o assunto. Além disso, eu fico pensando no que vou dizer a Ermínio amanhã quando ele perguntar sobre Anabel. Já pensei em várias desculpas, mas nenhuma delas pareceu-me adequada.

Crisélia confidenciou:

– Não é apenas Derlo quem consegue modificar sua aparência. Eu nunca lhe disse isso, porque não queria assustá-lo. Eu me lembro bem da sua reação quando eu disse que poderia ficar invisível.

Receando magoá-la, eu perguntei da forma mais natural possível:

– Consegue mesmo se passar por Anabel sem que ninguém perceba a diferença?

Ela respondeu:

– Se você e Eliel não se opuserem, eu acredito que essa seja a melhor solução.

FIM DO CAPÍTULO XVI
Sisi Marques

No próximo segmento, não perca os Capítulos XVII e XVIII da 4ª Parte (Cibele) da história “Realidade Mágica” – livro 1.

Grata,
Sisi Marques

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Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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