FLÁVIA E DOUGLAS (Capítulo XXIV)

Enquanto isso, Lucas pensava no que Elaine havia lhe contado. Lembrou-se de que Flávia se aborrecera quando ele negou a possibilidade de Hortência estar tramando algo contra ela. E começou a se perguntar onde Antonio se encaixava nessa história.

Após o expediente, ele se encontrou com Flávia e disse:

– Por favor, tenha só mais um pouco de paciência. Prometo-lhe que logo estaremos livres de tudo isso.

– Elaine lhe contou?

– Sim. Você tem que me ajudar porque eu não conseguirei sozinho. Conte-me tudo sobre aquele rapaz.

– Antonio?!

– Foi sobre Hortência que conversaram?

– Ah, Lucas!… Não percebe que estou cansada demais para você ainda chegar aqui e ficar me pressionando?!

– O que foi que conversaram, Flávia? Eu preciso saber.

– Talvez Elaine esteja certa: eu devo mesmo ter pego a estrada errada.

– Isso quer dizer que a “estrada certa” é Douglas?

– Às vezes, chego a acreditar que sim. Se espera que continuemos juntos, vamos esquecer esse assunto: não quero mais ouvi-lo falar em Antonio e, muito menos, na sua esposa.

Na semana em que Hortência viajou, Lucas parecia outro homem. Acordava bem-disposto, passava o dia todo bem-humorado e depois, quando chegava em casa, a angústia não mais o acompanhava.

Certo dia, almoçando com Flávia, ele chegou a comentar:

– Sei que parece desumano o que vou dizer, mas eu gostaria que Hortência nunca mais voltasse. Aquele apartamento é um verdadeiro paraíso quando ela não está.

– Já percebeu que, mesmo quando a sua esposa resolve se ausentar, não conseguimos ficar sozinhos?

– Desculpe-me; sei que não deveria ter tocado no nome dela. Foi estupidez minha.

– Eu é que sou uma tola. Deixar de falar em Hortência não irá resolver a nossa situação.

– Você deve pensar que sou um covarde por ainda não ter deixado aquele apartamento.

– Eu nunca disse isso.

– Ainda assim, eu gostaria que soubesse que já pensei, várias vezes, em alugar um apartamento e sair dali. Meu único receio é que Hortência, para se vingar de mim, desconte toda a raiva em você. É por essa razão que prefiro ter paciência e esperar um pouco mais. Não quero que se magoe.

– Você fala como se eu o estivesse pressionando a tomar alguma decisão… Sabe que não me importo de esperar.

– Sei que não é você quem me pressiona; sou eu mesmo. Há tantas coisas que eu gostaria de lhe dizer…

– E por que não diz?

– Porque nos sentiríamos ainda mais infelizes.

– Mais do que já estou, seria impossível! Hortência tem razão quando diz que não podemos fazer planos.

– É só uma questão de tempo.

– Será?!

– Acabamos sempre batendo na mesma tecla: você não acredita que conseguirei o divórcio, não acredita que iremos nos casar!…

– Para ser sincera, não. Se não quiser que eu comece a chorar, é melhor mudar de assunto.

(Não perca, no PRÓXIMO SÁBADO, dia 20/07/13, o 25º CAPÍTULO da história “FLÁVIA E DOUGLAS”.)

Até breve.

Sisi Marques

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Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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