FLÁVIA E DOUGLAS (Capítulo XXIII)

Hortência sentia-se tão vitoriosa com o encontro que tivera com Flávia, que não conseguiu resistir ao impulso de telefonar a Augusto para contar-lhe tudo.

Depois de tê-la ouvido pacientemente, Augusto comentou perplexo:

– Tenho que admitir que você se superou.

– Dará certo, Augusto. Tem que dar!

– O que eu quis dizer é que você conseguiu provar que é ainda mais inconsequente do que eu imaginava.

– Não entendeu o meu plano?

– Honestamente, não dá para entender por que, de uma hora para outra, você resolveu jogar Lucas nos braços de Flávia.

– É aí que você se engana. Quero jogar Flávia nos braços de Lucas.

– E qual é a diferença?

– Não percebe?! Lucas quer o divórcio para se casar com Flávia. Pois bem, se eu facilitar a situação de tal modo que eles comecem a viver juntos a partir de agora, será que ele ainda desejará se casar com Flávia?

– É evidente que sim, porque os dois se amam. Ainda não compreendi a sua linha de raciocínio.

– Não acredito que ele a ame. O que fascina Lucas é a inocência de Flávia. E, por ironia do destino, será ele quem destruirá isso.

– Por mais que você tente me convencer do contrário, não há lógica no que você está tramando. Tudo o que fizer nesse sentido, só servirá para aproximá-los ainda mais.

– Pense bem, Augusto: enquanto os dois forem apenas namorados, Flávia não irá pressioná-lo. Mas, depois que tiver se tornado amante dele, aí sim é que ela irá revelar sua verdadeira personalidade. Tudo o que ela não tiver exigido dele até então, começará a exigir. Ele se sentirá sufocado e acabará se cansando do brinquedo.

– Nunca ouvi tanta tolice em toda a minha vida!…

– Tolice?!… Mesmo que, na pior das hipóteses, Lucas não venha a se cansar de Flávia; consegue imaginar o quanto ela estará vulnerável? Por exemplo, se hoje eu tivesse dito a ela tudo o que está entalado na minha garganta, não a teria afetado, porque eu seria forçada a admitir que, apesar de tudo, ela é uma moça decente…

– Cale-se! Eu já ouvi o bastante!

– Não grite comigo quando estivermos ao telefone porque, da próxima vez, eu desligo.

– A sua sorte é estarmos ao telefone… Se você pudesse ver a expressão de desagrado em meu rosto, jamais pensaria em me telefonar novamente para se vangloriar de seus planos simplórios e absurdos. Continue, continue ao telefone para ouvir o que penso a seu respeito.

– Pode pensar e dizer o que quiser, porque eu não me importo. A única coisa que me interessa é fazer com que Lucas desista do divórcio.

– Se você amasse Lucas, eu ainda tentaria compreender essa sua obsessão, mas você não o ama… Em vez de viver a sua vida, por que fica aí pensando num modo de humilhar a mulher por quem o seu marido se apaixonou?

– Não é isso o que ela merece?! Se não fosse por ela…

Augusto desligou o telefone.

(Não perca, na PRÓXIMA 3ª FEIRA, dia 16/07/13, o 24º CAPÍTULO da história “FLÁVIA E DOUGLAS”.)

Até breve.

Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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