REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 3 – ENCONTROS E REENCONTROS (Capítulos IX, X e XI)

Capítulo IX
Quando voltei para casa, encontrei Crisélia conversando com Eliel. Eu não tenho palavras para expressar a satisfação que senti ao revê-lo. Ele me abraçou enquanto dizia:

– Estou muito feliz por vocês.

Foi Crisélia quem disse:

– Não precisa contar-nos sobre o seu encontro com Aldo, porque presenciamos tudo através do espelho.

Perguntei a Eliel:

– Você concorda em fazer a apresentação?

Com um sorriso cativante, ele comentou:

– Se eu sobreviver a esta, pretendo fazer muitas outras porque elas poderão proporcionar a Anabel um pouco de distração.

Endereçando um olhar a Crisélia, ele acrescentou externando leve aborrecimento:

– Anabel está na sua árvore tomando conta daqueles dois. Nunca vi criaturas mais arrogantes! É bom recuperarmos logo essa pérola para nos livrarmos deles.

Eu disse:

– Pedirei a Sílvia para marcar a sua entrevista.

Ele respondeu com um gracejo:

– Faça isso o quanto antes. Agora preciso resgatar a minha fada das mãos daqueles diabretes.

FIM DO CAPÍTULO IX
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 3 – ENCONTROS E REENCONTROS
Capítulo X
Na segunda-feira, fui à biblioteca para dizer a Sílvia:

– O meu cunhado pediu que eu lhe perguntasse quando ele poderá comparecer à entrevista.

Olhando em sua agenda, ela respondeu:

– Amanhã, às 10h, estaria perfeito. Se ele não puder comparecer, peça para ele telefonar, e remarcaremos.

Na manhã seguinte, acompanhei Eliel à biblioteca. Enquanto ele realizava a entrevista com Sílvia, fui à sala onde eu realizava as sessões para atualizar alguns registros. Cerca de meia hora depois, decidi ir à sala de Sílvia para verificar se a entrevista havia terminado. A porta estava aberta, e eu ameacei entrar, mas não consegui porque fiquei petrificado ao ver os dois se beijando. Foi só quando o beijo terminou que eles notaram a minha presença. Sílvia, entusiasmada, segurou a minha mão e puxou-me para dentro da sala, dizendo:

– Fê, você nem imagina o que aconteceu… Lembra-se de quando estávamos na confeitaria, e eu disse à sua noiva que gostaria de ter um objeto que me mostrasse o homem ideal?… Pois bem, Eliel confeccionou este broche com essa finalidade e, foi só ele prendê-lo à minha blusa, o miolo da flor acendeu. Não é extraordinário?! O seu cunhado é o homem certo para mim!

O meu mau-humor só me permitiu dizer:

– Talvez o artefato esteja com defeito.

Senti o mundo desabar no momento em que Eliel, abraçado a Sílvia, comentou:

– É impossível! Em toda a mágica, há sempre um pouco de magia, e a magia não mente. Se a pedra no centro da flor acendeu, é porque o destino quis nos mostrar que fomos feitos um para o outro. Eu só não sei como dizer isso a Anabel.

Aquela foi a gota d’água! Eu estava furioso e não conseguia ouvir mais nada. Saí da sala de Sílvia soltando faíscas. Eu não fui direto para casa. Eu estava quase entrando em combustão. Decidi caminhar e fui à praia. Reparei na fileira de pedras, e os meus olhos identificaram algumas cavernas entre elas. Aldo morava em uma ânfora, mas Derlo certamente habitava uma daquelas cavernas. Resolvi investigar e acabei entrando em uma caverna que mais parecia um labirinto de tantas bifurcações que possuía. Vasculhei cada nicho e finalmente encontrei o que procurava: vários artefatos mágicos, escondidos sob uma pedra. Temendo ser descoberto, saí dali correndo e fui para casa sem utilizar o anel, porque receava que sua magia pudesse atrair a atenção de Derlo.

Quando entrei em casa esbaforido, Crisélia comentou:

– O que houve com você?!… Está ofegante e lívido como uma folha de papel. Até parece ter visto um fantasma!

Comentei:

– Consegui descobrir a caverna onde Derlo guarda os objetos roubados.

Crisélia, terrivelmente preocupada, exclamou:

– Ficou maluco?! Por onde você andou?! Eliel ficou aqui, esperando por você por mais de duas horas, e estava preocupado porque você não retornava. Por alguma razão, eu não consegui localizá-lo no espelho. Da próxima vez, não banque mais o detetive sozinho!

Para espanto de Crisélia, eu disse contrariado:

– Não mencione mais esse nome na minha presença. Para mim, o seu irmão deixou de existir. Aldo estava errado quando afirmou que precisávamos dele.

Confusa, Crisélia balançava a cabeça para os lados, procurando compreender. Exclamou:

– Ou você ficou louco, ou fui eu que enlouqueci! Você se oferece a acompanhar Eliel à entrevista; sai de lá sozinho e não volta para casa; descobre uma caverna misteriosa com os objetos roubados; volta para casa transtornado; e começa a odiar o meu irmão. Explique-me o que está havendo, para que eu possa tentar entender.

Balbuciei:

– É melhor não.

Sem fazer ruído, Eliel apareceu de repente na sala e disse:

– Ele está zangado porque viu quando Sílvia e eu nos beijamos.

Partilhando a minha decepção, Crisélia perguntou:

– Você fez o quê?!

Eliel respondeu com a maior naturalidade:

– Beijei Sílvia.

Inconformada, Crisélia perguntou:

– Por que fez isso?!

Tencionando mudar de assunto, ele exclamou:

– Dessa vez você se superou, Crisélia! A mesa está tão arrumada, e a refeição parece deliciosa! Não vai me convidar para almoçar?

Ela murmurou deixando transparecer sua mágoa em relação a mim:

– Só você reparou. Sente-se e sirva-se à vontade.

Eu não quis ser indelicado. A presença de Eliel, apesar de tudo, ainda me causava admiração. Sentei à mesa e almocei calado. Não quebrei o silêncio nem mesmo quando o ouvi dizer:

– Serei franco. Só estou aqui por um motivo: preciso da pérola de Osmar, e ele se recusa a entregá-la a mim. Ele disse que só a entregará a você, Felizardo. Poderia, por um instante, esquecer o incidente e acompanhar-me para que eu possa obter a pérola e preparar-me para a apresentação no domingo?

Crisélia perguntou a Eliel:

– Onde estão os pombinhos: na minha árvore ou na sua?

Ele ensaiou um gracejo:

– Na minha. Receio que Anabel esteja pensando em adotá-los.

Antes de irmos, eu disse a Crisélia:

– Obrigado pelo almoço. Estava uma delícia!

Num piscar de olhos, estávamos na árvore de Eliel e Anabel. Quando ela nos viu, abraçou-nos enquanto dizia:

– Parabéns pelo enlace! Eleomar e eu ficamos pensando em um presente que pudesse ser útil e tivemos uma ideia. Eliel encarregou-se de materializá-la.

Crisélia agradeceu o presente e estava ansiosa para ver o que havia dentro da caixa que Anabel e Eleomar lhe entregaram. Eram três sininhos de prata. Foi Eleomar quem comentou orgulhosa:

– Nós, fadas, prezamos a nossa privacidade e não gostamos de visitas inoportunas. Por esse motivo, temos um sininho de prata que toca dentro da concha sempre que alguém se aproxima. Pensamos que seria bom haver um sininho nesta árvore, na árvore de Crisélia e na casa de Felizardo. E há um detalhe: se o sino tocar e ninguém aparecer, significa que a outra pessoa que possui o sino deseja ser visitada.

Enquanto Eleomar explicava a Crisélia a utilidade do presente, chamei Osmar a um canto para dizer-lhe:

– Entregue a pérola a Eliel. Não percebe que ele só está tentando ajudar?

Osmar afirmou:

– A pérola está com ele desde ontem.

Percebi que Eliel nos observava. Ele mentiu sobre a pérola apenas para atrair-me à sua árvore e restabelecer a nossa amizade. Enderecei-lhe um olhar de desaprovação, e ele sorriu. Após alguns minutos, ele perguntou:

– O que acham de tomarmos sorvete?

Enquanto eu saboreava o meu sorvete enorme, colorido, com cobertura de chocolate e muitas cerejas, Eliel sentou-se ao meu lado para dizer:

– Crisélia contou-me que você localizou a caverna. Preste bastante atenção: você e Crisélia não irão à estreia no domingo. Em vez disso, ficarão aguardando o meu sinal. Eu enviarei uma mensagem. Quando o cartão pular em seu bolso, você e Crisélia irão para a caverna, e ela fará o encantamento que devolverá cada coisa ao seu dono. Se Derlo estiver sem a pérola e sem os seus objetos de magia, ficará inofensivo e vulnerável. Aldo ficará livre e poderá aprisioná-lo na ânfora, em seu lugar.

Perguntei interessado:

– Acredita que Derlo comparecerá à estreia?

Ele afirmou confiante:

– Com toda a certeza.

FIM DO CAPÍTULO X
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 3 – ENCONTROS E REENCONTROS
Capítulo XI

No domingo, quando Eliel chegou sozinho à biblioteca, foi direto à sala de Sílvia. Ela perguntou surpresa:

– Onde está o Fê? Eu não imaginei que ele fosse perder a estreia.

Eliel, aproximando-se dela, disse em tom carinhoso:

– Ele está desapontado. Eu expliquei a ele que foi um beijo sem importância, mas ele não acreditou. Felizmente ele não contou nada a Anabel.

Começando a acariciar o rosto de Eliel, Sílvia, com a voz encharcada de ciúme, sussurrou:

– Você não conseguirá enganá-la para sempre; além disso, eu não gosto de dividir o que é meu.

Eliel sugeriu:

– Por que não discutimos esse assunto após a apresentação? Agora eu preciso me concentrar. Deseje-me sorte.

Os lábios de Sílvia tocaram os lábios de Eliel, e eles se beijaram como se estivessem perdidamente apaixonados. Enquanto isso, Crisélia e eu aguardávamos a mensagem de Eliel em angustiante expectativa. Eu não poderia imaginar que ele tornaria a beijá-la. Se eu o tivesse surpreendido novamente, não sei dizer qual teria sido a minha reação. Os minutos se passavam e nada! De repente, senti alguma coisa pular em meu bolso e, para o meu espanto e felicidade de Osmar e Eleomar, não era um cartão e sim as duas pérolas. Exclamei felicíssimo:

– Ele conseguiu! Eliel conseguiu!

Nós nos abraçamos e comemoramos a vitória de Eliel. Anabel estava conosco e ofereceu-se para acompanhar-nos à caverna. Crisélia afirmou:

– Você será mais útil ajudando os dois a voltarem para o mar. Eles sabem melhor do que ninguém o que precisa ser feito. Basta que você os acompanhe e se certifique de que ficarão bem.

Anabel concordou. Crisélia e eu nos despedimos de Osmar e Eleomar e rumamos para a caverna. Chegando lá, o encantamento de Crisélia fez com que todos os objetos fossem restituídos aos seus donos.

Enquanto voltávamos para casa satisfeitos; Eliel, no anfiteatro da biblioteca, deleitava os visitantes com a sua magia protegida pelo disfarce da mágica. Sílvia e Aldo, além de mais de cinquenta pessoas, prestigiaram a sua estreia.

Quando a apresentação terminou, Aldo aproximou-se para cumprimentá-lo:

– Você esteve magnífico! Eu mesmo não teria feito melhor. Só lamento que ele não tenha aparecido.

Entregando-lhe um par de óculos, aparentemente comum, Eliel afirmou:

– Não lamente, porque logo você o verá. Esses óculos lhe mostrarão o que precisa ver. Guarde-os em seu bolso e espere o momento oportuno.

Eliel e Aldo estavam conversando quando Sílvia apareceu discretamente e convidou-o para ir à sua sala. Ele disse:

– Vá na frente e aguarde só um instante; eu não demoro.

Quando Sílvia afastou-se, Eliel disse a Aldo:

– Espere alguns minutos e depois me encontre na sala de Sílvia. Só lhe peço um favor: poupe-me do constrangimento de desmascará-lo na minha frente.

Eliel foi à sala de Sílvia como havia prometido. Ela o aguardava com uma garrafa de champanhe e duas taças sobre a mesa. Aproximando-se dele, antes de beijá-lo novamente, disse:

– Precisamos brindar ao seu sucesso e ao início de nosso relacionamento.

O beijo foi breve. Eliel afastou-a gentilmente enquanto dizia:

– Quando você me cumprimentou no anfiteatro, reparei que o centro da flor no seu broche estava apagado. Preciso levá-lo para sintonizar a frequência. Permita-me retirá-lo de sua blusa.

Sílvia consentiu. Eliel retirou o broche e guardou-o em seu bolso. Quando os seus olhos esbarraram com Aldo na porta, ele disse:

– Por favor, Sílvia, apanhe mais uma taça para que ele possa brindar conosco.

Sílvia, esforçando-se para conter o seu desagrado, sorriu sem vontade e colocou mais uma taça sobre a mesa. Eliel, tencionando deixá-los a sós, mentiu:

– Eu já volto. É só o tempo de escolher um livro para Anabel. Ela não me perdoará se eu esquecer; depois que bebo, perco a noção de tudo.

Sílvia sorriu e pareceu não se importar com a saída de Eliel.

FIM DO CAPÍTULO XI
Sisi Marques

Não perca os Capítulos XII, XIII e XIV da 3ª Parte da história “Realidade Mágica” – livro 1 (Encontros e Reencontros), no próximo domingo, dia 14/07/13.

Até breve.
Sisi Marques

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Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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