REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 3 – ENCONTROS E REENCONTROS (Capítulo VIII)

Quando cheguei à confeitaria, Aldo já estava sentado me esperando. Ele comentou:

– Tive receio de que você não viesse.

Desculpei-me:

– Perdoe-me. Acabei me atrasando. Mas vamos logo ao que interessa: por que pediu este encontro?

Ele disse:

– Estou disposto a contar-lhe tudo se prometer me ajudar. O que gostaria de receber em troca?

Respondi:

– Não precisa me oferecer coisa alguma. Você já me deu um presente magnífico. Obrigado.

Aldo perguntou:

– Refere-se à caneta e ao cartão? Eles foram apenas uma amostra do que poderá ganhar ajudando-me. Tem que haver algo que você deseje.

Aventurei-me a dizer:

– E há: a localização da Fonte da Juventude.

Ele respondeu:

– Infelizmente não possuo essa informação. Embora eu a tenha encontrado algumas vezes, não há como saber em que lugar ela estará no minuto seguinte.

Exclamei:

– Esqueça! Foi uma ideia tola! Para mim, a sua história já será o bastante.

Ele começou a narrar:

– O meu irmão e eu somos gêmeos. Gênios gêmeos, para ser mais exato. Ambos nascemos livres e com poderes dos quais ele abusou. Derlo colocava-nos em tantas enrascadas e depois se esquivava, fazendo parecer que o responsável era sempre eu. A lei dos gênios, porém, é infalível porque possui o olho que tudo vê e o coração que tudo sente. Cada poder mal usado significava um poder perdido, e ele perdeu todos, exceto um: a capacidade de mudar de aparência. Ele foi banido do nosso mundo e, antes de partir, pediu-me que lhe desse um presente de recordação, algo que eu gostasse muito e eu, inadvertidamente, entreguei-lhe a bola que se transformava em pelicano quando arremessada. Como ele se utilizou dela para capturar a fadinha, a responsabilidade pelo seu crime recaiu sobre mim. O artefato continha magia, a minha magia porque fui eu quem o inventou, e eu fui condenado a expiar pelo meu crime até que a fadinha fosse devolvida ao seu habitat, e os objetos atraídos por sua pérola fossem devolvidos aos seus donos. A minha sentença foi inexorável: eu serviria a alguém, teria que realizar todos os seus desejos e viveria em uma ânfora de ouro. Felizmente o meu amo sempre foi bom e generoso, chegando mesmo a conceder-me um dia livre por semana para que eu pudesse resolver os meus próprios assuntos.

Quando ele se calou, perguntei:

– Como posso recuperar a pérola de Eleomar?

Ele afirmou:

– A pérola da fadinha poderá ser facilmente atraída pela pérola do namorado dela.

Perguntei entre desconfiado e surpreso:

– Como sabe a respeito de Osmar?

Ele respondeu enigmático:

– Eu já lhe disse: o vento sussurra histórias, e eu as ouço atentamente.

Aproveitei-me de suas palavras para perguntar-lhe com a voz revestida de ironia:

– E por que o vento não lhe sussurra sob que disfarce Derlo se esconde?

Ele disse baixinho:

– Não pronuncie esse nome, porque ele poderá ouvi-lo e descobrir sob que disfarce eu me escondo. O meu irmão é muito astuto, e você precisará da ajuda do elfo para vencê-lo. Fui eu que, insistentemente, sugeri ao diretor da biblioteca que contratasse um mágico. E eu já soube que, por uma feliz coincidência, o seu cunhado será o mágico.

Comentei:

– E se Eliel não quiser fazer a apresentação? Foi Crisélia quem o indicou a Sílvia.

Aldo respondeu:

– Convença-o. Ele será a isca e o anzol. Sem ele, não poderemos apanhar o nosso peixe.

Não perca o 9º Capítulo da 3ª Parte da história “Realidade Mágica” – livro 1 (Encontros e Reencontros), no próximo sábado, dia 13/07/13.

Até breve.
Sisi Marques

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Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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