O PRÍNCIPE GUILHERME E A FADA DA FLORESTA (5ª Parte)

Para a surpresa dos dois rapazes, Elisa entrou na sala dizendo:

– Se eu estiver atrapalhando, posso sair.

– Não, por favor, Elisa, fique. Gouveia estava mesmo perguntando por você.

– Verdade? Eu também precisava muito falar-lhe, Gouveia.

O príncipe Guilherme retirou-se logo em seguida, deixando Elisa a sós com Gouveia. Foi ela quem disse timidamente:

– Você acredita que alguém possa se apaixonar por duas pessoas ao mesmo tempo? Algo muito estranho está acontecendo comigo.

– Não me diga que, finalmente, resolveu se apaixonar por mim?

– Ora, Gouveia, por favor, pare com isso! Já se esqueceu do trabalho que me deu quando se fez passar por Guilherme?!… Não sei como ainda conseguimos brincar diante de um problema tão sério.

– Por que não me diz qual é o problema?

– Receio que pense mal de mim.

– Eu jamais faria isso.

– Sou muito infeliz ao lado de Guilherme. Ele age como se eu não existisse. Ele poderia muito bem viver sem mim. Mas a pergunta é: eu conseguiria viver sem ele?

– Elisa, seja paciente, porque é só uma questão de tempo. Lembre-se: faltam somente quatro meses.

– Duvido que Guilherme venha a se apaixonar algum dia. Ele parece ter uma pedra no lugar do coração.

– Não seja injusta! Ele gosta muito de você.

– Mas se afasta de mim! Você acreditaria se eu lhe dissesse que, em três meses de casamento, nós nunca dançamos, nunca saímos para passear ou cavalgar juntos? Gouveia, ele nunca me beijou.

– É porque ele ainda não a ama. Gostaria que ele fingisse sentir por você o que ainda não sente? Agora, diga-me: quem é a outra pessoa por quem você pensa estar apaixonada? Por favor, confie em mim.

– Ah, ultimamente eu tenho sonhado muito, e é sempre com o mesmo rapaz.

– Você sabe quem ele é?

– Não. Embora o sonho seja sempre igual, eu o vivo de maneira diferente a cada noite. Após o primeiro sonho, comecei a ter medo de adormecer novamente; mas, conforme os sonhos vão se repetindo, é como se eu começasse a fazer parte daquele lugar da floresta. Tenho medo de algum dia não querer mais voltar para Guilherme.

– Elisa, só o que posso lhe aconselhar é que seja paciente.

– Não pensei que Guilherme se esforçaria para destruir o amor que sinto. Você não me ama e, no entanto, é meu amigo. Nem meu amigo ele consegue ser. Acabarei enlouquecendo.

– Você gostaria que fosse ele o rapaz dos seus sonhos?

– Sim. Eu sinto muita mágoa quando penso que Guilherme jamais olhará para mim daquele modo.

– Esse rapaz é apenas um sonho.

– Não; sei que ele existe porque já o vi rondando o castelo. Foi só eu parar de caminhar pelo jardim, os sonhos começaram.

O príncipe Guilherme não conseguiu resistir e ficou atrás da porta, ouvindo o que Elisa e Gouveia conversavam. Depois, retirou-se para o quarto. Após alguns minutos, retornou à sala. O simples pensamento de que poderia perder Elisa roubava-lhe a serenidade habitual.

Gouveia já havia saído, mas Elisa ainda estava lá. Aproximando-se dela, Guilherme disse:

– Fico contente que você ainda não tenha ido se deitar.

– Deitar-me? A última coisa que quero fazer hoje é dormir.

– E o que gostaria de fazer?

– Desde quando você se importa com isso?

– Sempre me importei. Mas eu nunca soube demonstrar.

– Eu gostaria de dançar.

– Você me ensina?

Elisa e Guilherme passaram um bom tempo dançando. Ela parecia muito feliz, e os olhos de Guilherme brilhavam. Elisa, percebendo o brilho novo em seus olhos, encorajou-se a perguntar:

– Você sabe beijar?

– Nunca beijei ninguém, mas posso tentar beijá-la. Você quer que eu a beije?

– Sim; quero muito.

Os dois se entregaram a um longo e apaixonado beijo.

– Elisa, eu gostaria de beijá-la novamente. Estou sentindo um calor no peito que nunca experimentei antes; é como se eu estivesse embriagado. Sinto-me tão leve…

– Guilherme! Não percebe?!… Você está apaixonado por mim. Você me ama. Você conseguiu!… Nós conseguimos!

Ele tornou a beijá-la; e, depois, ainda segurando-a em seus braços, disse:

– Eu sempre soube do meu amor por você, mas tive receio de estragar tudo. A fada da floresta nunca me impediu de amar você. Fui um grande tolo em acreditar nessa história de feitiço.

– Tola, fui eu… Tenho algo muito sério para lhe dizer.

– Não é preciso. Já sei sobre os seus sonhos.

– Sabe?!

– Você não tem nada do que se envergonhar. Você e o filho da fada da floresta não fizeram nada além do que nós fizemos aqui esta noite. Além disso, ele só conseguia atraí-la porque a hipnotizava.

– Eu não sabia que ele era o filho da fada da floresta, e muito menos que ele conseguia me hipnotizar. Como você descobriu?

– Um duende contou a Gouveia.

– Um duende?!… Acha que vou acreditar nessa história?!….

– Eu não esperava que acreditasse. Prefiro que você esqueça tudo o que passou. Por que não fazemos de conta que acabamos de nos casar, e que uma vida nova está começando agora, neste exato momento?

– É uma ideia maravilhosa!

FIM DA 5ª PARTE

(UM PRESENTINHO PARA VOCÊ: a antecipação da 6ª e Última Parte.)

O PRÍNCIPE GUILHERME E A FADA DA FLORESTA (6ª Parte)

Enquanto isso, na floresta, a fada e seu filho não pareciam tão felizes quanto Elisa e Guilherme. A fada não aguentava mais ouvir o filho dizer:

– Mãe, diga apenas o que saiu errado.

– O que saiu errado?!… Pois vou lhe dizer o que saiu errado: Você foi um grande tolo e estragou tudo.

– Não, isso não é verdade! Como Guilherme conseguiu se apaixonar por Elisa antes do prazo que você estipulou? Sempre pensei que os seus feitiços funcionassem…

– Como ousa falar assim com sua mãe, garoto mimado e insolente! Não cansei de avisá-lo para não trazê-la para cá durante o sono?

– Se eu tivesse tido um pouco mais de tempo, teria conseguido conquistá-la. Garanto-lhe que ela nunca mais teria desejado voltar para ele.

– Não seja tolo! Ela só vinha porque estava hipnotizada.

– E por que você insiste em dizer que fui eu quem estragou tudo?

– Você não parece mesmo que é meu filho… Não sei como consegue ser tão estúpido!

– Não foi culpa minha.

– Decerto que foi. Não era sempre que eu conseguia esconder de Guilherme o amor que ele sente por Elisa. Com medo de perdê-la para você, ele tentou reconquistá-la, e o amor há tanto tempo represado veio à tona. Para a sua infelicidade, posso garantir que eles serão eternamente felizes.

– Não permitirei que isso aconteça. Eu a trarei para cá esta noite durante o sono, e não a deixarei mais voltar.

– Dou-lhe a minha varinha mágica se você conseguir fazer isso. Para o seu próprio bem, devo aconselhá-lo a não tentar, pois seria a maior decepção de toda a sua vida. O amor que une aqueles dois é tão forte e puro que formará uma aura de proteção em torno do castelo, e não permitirá que um intruso como você se aproxime. Você perdeu a oportunidade de conquistar Elisa. Para falar a verdade, você nunca teve a menor chance porque o coração dela sempre pertenceu a Guilherme. Agora, vamos colocar um ponto final em tudo isso e esquecer essa história de vez.

F I M

Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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