REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 3 – ENCONTROS E REENCONTROS (Capítulo IV)

Eu adoro caminhar na praia, porque a proximidade do mar e o barulho das ondas me acalmam. Eu pensava em Crisélia quando ele interrompeu os meus pensamentos para dizer:

– Está vendo aquele barco virado, abandonado na areia? Debaixo dele, encoberta pela areia, há uma porta, que esconde uma escada, que conduz a uma gruta subterrânea, que abriga um lago. Na margem desse lago, existe uma esfera azulada que pode submergir na água e revelar seus mistérios. O maior deles encontra-se enterrado nos sedimentos depositados no fundo do lago. Trata-se de uma concha enterrada por um gênio enciumado há mais de duzentos anos. A concha serve de prisão a uma fadinha que não quis desposá-lo. Na esfera, além de magia, há também inteligência; e ela se fecha para quem já realizou a incursão alguma vez. Eu já estive no interior do lago tentando libertar a fadinha e fracassei. É por esse motivo que não posso voltar.

Eu olhava para ele esperando que, ao se cansar da brincadeira, ele explodisse em uma estrondosa gargalhada. Era evidente que tudo aquilo não passava de uma grande piada. Entretanto, sua expressão tornava-se cada vez mais grave, e eu comecei a me preocupar. Estaria ele zombando de mim, ou aquela história era mesmo verdadeira? Ele interrompeu as minhas reflexões para dizer:

– Liberte a fadinha, e eu lhe entregarei os dois objetos mágicos.

Perguntei com desdém:

– O cartão e a caneta?! Pode guardá-los, porque não estou interessado. Entretanto, preocupo-me com a fadinha. Que gênio desalmado seria esse capaz de aprisionar um serzinho tão indefeso? Estou disposto a tentar libertá-la. Mas como saberei onde devo começar a cavar quando chegar ao fundo do lago? E mesmo que eu soubesse onde cavar, eu teria que sair da esfera e eu não sei nadar.

Ele explicou:

– Não será necessário. No momento em que a esfera entrar em contato com o fundo do lago, ela se transformará em uma redoma e o protegerá. Você logo saberá onde deverá cavar, porque a esfera será atraída por um ponto luminoso: é exatamente ali. Quer descansar e realizar essa tarefa amanhã?

Ele ficou surpreso e esboçou um sorriso quando eu disse:

– Não. Responda-me: o cartão e a caneta funcionam mesmo? Se funcionarem, escreva a palavra sorvete. Já que este pode ser o meu último desejo, eu gostaria que ele fosse enorme, colorido, com cobertura de chocolate e muitas cerejas. Naquele instante, o meu pensamento retornou ao passado e trouxe a lembrança do dia em que Eliel reencontrou-se com Anabel. Uma saudade pungente assomou meu coração quando me lembrei do rosto de Crisélia. Fui arrancado daquele momento de enlevo no instante em que meus ouvidos foram esbofeteados pelas palavras:

– Aqui está o sorvete. Não quer que ele derreta, quer?

Agradeci pelo sorvete, caminhei alguns passos e sentei-me na areia, bem próximo à água do mar para saboreá-lo. Minutos depois, o misterioso homem ajudava-me a afastar o barco, a tirar a densa camada de areia que estava sobre a porta e a levantá-la para que eu pudesse ter acesso à escada. Trabalhamos muito e sentamos na areia, recostados ao barco para descansar. Ele comentou:

– Lembre-se: o meu nome é Aldo; se algum dia precisar de mim, estarei a seu dispor. Eu ficarei aqui fora, vigiando a entrada. Boa sorte!

Não perca o 5º Capítulo da 3ª Parte da história “Realidade Mágica” – livro 1 (Encontros e Reencontros), na próxima 4ª feira, dia 10/07/13.

Até breve.
Sisi Marques

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