REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 3 – ENCONTROS E REENCONTROS (Capítulos II e III)

Capítulo II
Ele insistiu em pagar o café, e eu me sentia desconfortável por não conseguir encontrar nada para dizer. Ele pigarreou antes de comentar:

– Foi muito interessante aquela sua história sobre o lápis mágico, embora ela seja inconcebível no mundo real. Consegue imaginar quantas aberrações apareceriam se esse lápis caísse em mãos que não têm nenhuma aptidão para o desenho? Se eu mesmo encontrasse um lápis desses, materializaria objetos, paisagens e animais disformes.

Eu ri com a ideia, porque também seria um desses criminosos que transformariam o mundo em um caos. Servindo-se do meu silêncio e do meu aparente bom humor, ele acrescentou:

– Há de convir que um cartão e uma caneta seriam mais apropriados. Imagine só: um cartão mágico que aceitasse apenas a tinta da caneta mágica e materializasse a forma ideal de qualquer palavra que fosse escrita em sua superfície.

Interessado, exclamei:

– É uma ótima ideia para uma história!

Aproximando-se um pouco, ele disse abaixando o tom de voz para que ninguém mais pudesse ouvi-lo:

– Acreditaria se eu lhe dissesse que esse cartão e essa caneta já existem?

Levantei e respondi:

– Não. Perdoe-me a indelicadeza, mas preciso ir. Foi bom conhecê-lo, e muito obrigado pela gentileza. Espero poder retribuí-la qualquer dia desses.

Fiquei atônito quando o ouvi dizer:

– Terá a oportunidade de retribuí-la hoje mesmo convidando-me para almoçar quando sairmos da biblioteca. Eu não perderia a sua próxima sessão por nada!

FIM DO SEGUNDO CAPÍTULO
Sisi Marques

REALIDADE MÁGICA – LIVRO 1 – PARTE 3 – ENCONTROS E REENCONTROS
CAPÍTULO III

Felizmente, quando chegamos à biblioteca e entramos na sala onde eu costumava fazer as minhas apresentações, havia várias pessoas com fisionomias bem diferentes. Apesar disso, eu me sentia pouco à vontade porque a minha intuição sussurrava que aquele homem não era confiável. Comecei a contar a primeira história e, a partir daí, os minutos voaram. Logo lá estava eu caminhando com ele em direção ao restaurante. Após sentarmos e fazermos o pedido, ele disse:

– Ouça, não quero ser inoportuno e roubar muito do seu tempo. Preciso apenas que me faça um favor.

Educadamente, respondi:

– Se estiver ao meu alcance…

Ele respondeu prontamente:

– Só você poderá realizar esta tarefa.

Perguntei, desconfiado:

– E o que me torna tão qualificado?

Aproximando-se e abaixando o tom de voz, ele afirmou:

– Você acredita na magia como ninguém.

Declarei com sinceridade:

– Eu apenas conto as histórias; nunca disse que acreditava nelas.

Em tom enigmático, ele revelou:

– O vento também sussurra histórias, e eu as ouço atentamente. O vento contou-me que, há pouco tempo, um jovem fez amizade com um elfo e sua irmã.

Nervoso, exclamei:

– Deixe-os em paz e desapareça da minha vida!

Ele disse:

– Acalme-se. O que pretende fazer: atrair a atenção de todos? A vida dos seus amigos não me interessa. Você pode até se casar com a bela jovem da biblioteca se desejar. Eu só mencionei os seus amigos para que você compreendesse que não pode esconder nada de mim. Eu sei de tudo, inclusive que você tem em seu poder alguns objetos mágicos e que se servirá de um deles para pagar a conta deste restaurante caro que eu escolhi.

Procurando escapar à armadilha, comentei:

– Não preciso de magia para me sustentar. Eu trabalho, e você mesmo foi testemunha disso.

Tentando convencer-me a ajudá-lo, ele disse:

– Ouça, não tive a intenção de aborrecê-lo. Só gostaria que você fosse à praia para desenterrar algo.

Abrindo mão da educação e da cortesia, perguntei:

– Por que não compra uma pá e faz o serviço você mesmo?

Servindo-se da minha descortesia, ele retrucou:

– Se fosse assim tão simples, eu não precisaria implorar um favor a um homem tão ranzinza quanto você. Vai me ajudar ou não?

Respondi com outra pergunta:

– E por que eu o ajudaria se não confio em você?

Pacientemente, ele respondeu:

– Não confia em mim porque não me conhece o suficiente. Façamos o seguinte: assim que acabarmos a refeição, sairemos para conversar em um lugar mais reservado.

Receoso, perguntei:

– E onde seria esse lugar?

Ele respondeu:

– Você já deve ter reparado nas cavernas ao longo da praia. Eu moro em uma delas.

Não perca o 4º Capítulo da 3ª Parte da história “Realidade Mágica” – livro 1 (Encontros e Reencontros), na próxima 3ª feira, dia 09/07/13.

Até breve.
Sisi Marques
08/07/2013

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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