UNIDOS NA BUSCA PELA PAZ (Parte 3)

No castelo do rei Clemêncio, houve um alvoroço naquela manhã de sábado. Tanto os empregados quanto os cortesãos não se cansavam de falar sobre a beleza das flores que enfeitavam majestosamente o salão principal. Alguns comentavam que tinham sido enviadas para o príncipe Murilo com uma mensagem especial. Mas nem todos pareciam felizes com aquele burburinho. Quando a princesa Luara se viu a sós com o príncipe, perguntou-lhe enciumada:

– Quem lhe enviou todas essas flores? É inútil você continuar afirmando que não sabe. Qual é o nome dela?

Confuso com o presente e, mais ainda, com a desconfiança de sua amada, o príncipe disse:

– Só há um meio de sabermos. Irei até o jardim para conversar com o florista. Não compreendo por que ele insiste em querer entregar-me o bilhete pessoalmente.

– Há um casal esperando por você. Receba-os na varanda; pedirei que lhes sirvam um lanche. Não posso negar que fizeram uma decoração fabulosa.

Após beijar o rosto da princesa, o príncipe comentou sorrindo:

– Agrada-me a sua generosidade. Mesmo zangada, ainda consegue ser gentil.

Com uma expressão triste no rosto, Luara murmurou:

– Não estou zangada… Só tenho medo de perdê-lo. Não consigo afastar esse mau pressentimento.

Abraçando-a ternamente, Murilo sussurrou em seu ouvido, antes de beijá-la:

– Tolinha, você sabe que eu a amo mais do que a minha própria vida. O meu mundo é você. Jamais haverá alguém entre nós; eu prometo.

Como a princesa havia sugerido, o príncipe foi ao jardim e convidou o casal de floristas para acompanhá-lo em um lanche na varanda. Na primeira oportunidade, Murilo disse:

– Eu gostaria de saber quem enviou as flores?

Fitando o rosto de Leopoldo para verificar a sua sinceridade, a morte revelou:

– Não somos floristas; do mesmo modo que o seu nome não é Murilo.

Sentindo-se ameaçado, o príncipe levantou-se bruscamente.

Com voz serena, a vida disse:

– Somos seus amigos. Só queremos ajudá-lo a evitar o conflito entre os dois reinos. Se o seu pai soubesse que você está aqui, ele não levaria avante os seus planos de invasão.

Demonstrando desânimo e abatimento, o príncipe tornou a sentar-se antes de dizer:

– Aí é que você se engana. O meu pai e o pai de Luara sempre foram inimigos, e só recentemente consegui descobrir a razão…

Os dois irmãos entreolharam-se confusos, e o príncipe Leopoldo explicou:

– Sinto que posso confiar em vocês e, também, eu não conseguiria mais guardar esse segredo… Um dragão caminha na fronteira entre os dois reinos.

Surpresa, a vida exclamou:

– Pensei que dragões estivessem extintos!

Foi a morte quem respondeu:

– E estão. O que Leopoldo conseguiu ver não foi um dragão e sim um monstro da guerra. Ocasionalmente, um mortal consumido pelo ódio, pela ambição ou pela revolta, começa a externar todo o mal que acumulou em seu coração e começa a crescer e a deformar-se até ocorrer a metamorfose. Precisamos consultar o espelho dos fatos para descobrir quem é o infeliz que se permitiu tamanha desventura. Um monstro da guerra cria ao redor de si mesmo uma vibração deletéria que contamina todos os demais. Sua defesa é a invisibilidade. Quem conseguir vê-lo conseguirá controlá-lo, porque o olhar de quem o vê tem o poder de paralisá-lo. O que me intriga é como você conseguiu vê-lo. Qual é o laço que os une?

Um calafrio percorreu a espinha de Leopoldo. Ele se calou, porque não encontrava nada que pudesse dizer.

Percebendo o impacto que suas palavras causaram em Leopoldo, a morte disse com o intuito de tranquilizá-lo:

– Sossegue. Minha irmã já lhe disse que estamos aqui para ajudá-lo. Não podemos interferir, mas podemos orientá-lo. A decisão caberá a você.

Ainda mais aflito, Leopoldo perguntou:

– E se eu fizer a escolha errada? Não podem colocar em minhas mãos o destino dos dois reinos!

Segurando a mão de Leopoldo que repousava sobre a mesa, a vida disse:

– Você é a pessoa certa para conduzi-los. Pense bem, casando-se com Luara, você será o herdeiro dos dois reinos, e eles se tornarão um só. Deve ser por esse motivo que o monstro da guerra se curva a você. O seu olhar o paralisa porque só você tem o direito de detê-lo.

(Não perca, no próximo domingo, dia 14/07/13, a 4ª Parte da história “Unidos na Busca pela Paz”.)

Até breve.
Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
This entry was posted in HISTÓRIAS (FRAGMENTOS SEMANAIS). Bookmark the permalink.

Leave a Reply