SERAFIM E A BRUXA LINDALVA (Parte 5)

Após despedir-se de Júlia, Serafim voou de volta para a casa de Lindalva para um acerto de contas. Chegando lá, espiou pela janela, e verificou que a casa estava vazia.

Não era difícil de imaginar para onde Lindalva havia se dirigido. Com certeza, fora ao lugar onde deixara Júlia, para saborear o resultado de sua maldade. Irritado, Serafim pensou que Lindalva, dessa vez, tinha ido longe demais com seus planos diabólicos.

Serafim acertou! Mal deixou a casa de Lindalva, e já pôde avistá-la caminhando em direção à colina. Num mergulho rápido, ele arrancou a ave de estimação do ombro de Lindalva.

Pega de surpresa, Lindalva começou a gritar para que ele lhe devolvesse a ave. Mas Serafim afastou-se com a mesma rapidez com que havia chegado.

Lindalva não sabia perder. Desesperada, gritava, pulava descabelava-se… Era, sem dúvida, um espetáculo deprimente.

Seu único consolo era lembrar-se de que Júlia estava presa. Pensou que, se ela ainda estivesse viva, poderia fazer uma troca com Serafim.

Quando Lindalva chegou no alto da colina e verificou que Júlia tinha conseguido escapar, sentiu murchar a esperança de tornar a ver sua ave. Estava certa de que Serafim deveria ter devorado o seu bichinho de estimação só para vingar-se do que ela fizera com Júlia.

Chorando, Lindalva começou a cantar: “Serafim morreu pra mim; Serafim morreu pra mim…”

Chorando?!… Era inacreditável que Lindalva estivesse chorando!

Enquanto ela chorava, um jovem atraente, que passava pelo local, disse-lhe:

– Uma moça tão encantadora quanto você não deveria chorar.

Lindalva, completamente perdida entre as indagações que fazia a si mesma, olhava de um lado para o outro, para certificar-se de que era com ela que o rapaz estava falando.

Esperançosa, abaixou os olhos e perguntou-lhe encabulada:

– Acha mesmo que sou encantadora?!

Não conseguiu ouvir a resposta, porque os seus olhos, ao fitar o chão, depararam-se com a sua máscara de feiura e maldade, que havia se desprendido no momento em que ela chorou.

Embaraçada, e com receio de que o jovem visse aquilo, ela deu um jeito de puxar a máscara com a ponta do sapato e escondê-la atrás de si.

Para felicidade de Lindalva, o moço não desconfiou de nada e perguntou-lhe se gostaria de ser sua namorada.

Lindalva aceitou o pedido de namoro; e, após despedir-se do seu novo amor e enterrar sua horrenda máscara, pôs-se a caminho de casa, para preparar uma deliciosa refeição que ofereceria a ele quando fosse visitá-la mais tarde.

Serafim, que a tudo presenciara do alto de uma árvore, pensou que aquele talvez pudesse ser o fim de todos os seus problemas. A ave vermelha estava quietinha; mais parecia um bichinho de pelúcia do que um animalzinho de verdade. Serafim, continuando a segurá-la com o bico, voou ao encontro da bruxa.

Surpresa e feliz ao vê-lo trazendo sua ave de volta, Lindalva disse:

– Serafim, pensei que você tivesse comido minha ave só para punir-me; e, no entanto, aqui está ela sã e salva. Obrigada. Agora já tenho um namorado, e não preciso mais ficar correndo atrás de você. Vou torná-lo humano novamente e deixá-lo ir.

Serafim, felicíssimo, num piscar de olhos havia recobrado a forma humana. Depois de agradecer a Lindalva e fazê-la prometer que jamais tornaria a interferir no romance dele com Júlia, partiu todo satisfeito.

Entretanto, a pressa de chegar fazia com que o caminho parecesse ainda mais longo, e Serafim pensou que, se ainda tivesse asas, poderia chegar bem mais depressa.

Asas?!… Não!… Serafim riu do pensamento que tivera. Preferia continuar tendo braços para poder abraçar Júlia.

Júlia!… Pronunciar esse nome renovava-lhe o ânimo. Começou a correr e a gritar o nome de Júlia.

Quando Serafim aproximou-se da casa de Júlia, ela pôde ouvi-lo gritando o seu nome e conseguiu vê-lo da sacada. Desceu depressa e foi correndo ao seu encontro. Exclamou:

– Serafim!… Você voltou!…

F I M

Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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One Response to SERAFIM E A BRUXA LINDALVA (Parte 5)

  1. Disney Almeida says:

    Esta história está legal, parabéns.

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