ANA E O FANTASMA DA BIBLIOTECA

A história a seguir foi escrita com a colaboração de 13 alunos da 8ª Série A: Emerson Cordeiro, Evellyn Cristina, Gabriel Serpejante, João Victor, Julia Maria, Kaio Silva, Karoline Amaral, Larissa Cristina, Mateus Silva, Nathan Silva, Rafaella Lorayne, Renerson Gomes e Stefano Silva.

ANA E O FANTASMA DA BIBLIOTECA

Ana e Miguel se apaixonaram quando ainda eram crianças, mas tiveram que se afastar porque a mãe de Ana conseguiu um bom emprego em outra cidade.

Miguel sofria com o vazio que a partida de Ana deixara em sua vida. Para se distrair e afastar a solidão, ele dividia seu tempo entre cuidar de seu raro e exuberante pássaro vermelho, os treinos de futebol e os estudos.

Ana, por sua vez, também não conseguia esquecê-lo. Embora os anos passassem velozmente, a saudade ainda era a mesma, e ela vivia acariciando o ursinho de pelúcia que Miguel lhe dera no último passeio que fizeram ao parque de diversões.

Ana não gostava de estudar. Achava tudo na escola muito enfadonho. Apesar disso, adorava visitar a biblioteca ao lado do prédio da escola, porque ouvira dizer que era assombrada. Certo dia, ela decidiu verificar por si mesma se havia algum fundo de verdade no que diziam. Ela se escondeu atrás de uma das estantes, e pôde ver quando os visitantes e os funcionários saíram, e as luzes se apagaram.

Decidida a desvendar o mistério que aquelas paredes pareciam guardar, ainda em seu esconderijo, Ana retirou da bolsa uma barra de chocolate e começou a saboreá-la. Ela se assustou, no entanto, quando ouviu uma voz infantil lhe dizer:

– Ana, eu quero de volta o meu ursinho.

Ana fez o sinal da cruz e começou a repetir mentalmente: “Eu não estou ouvindo nada; é apenas a minha imaginação.” Apesar da obstinação de Ana em não querer acreditar que a voz fosse real, o vulto fantasmagórico de uma criança surgiu à sua frente, insistindo em dizer:

– Ana, eu quero de volta o meu ursinho.

Tremendo de medo, ela estendeu a mão e, oferecendo o chocolate à garotinha, comentou:

– Você deve estar com fome. Eu ouvi dizer que uma criança ficou presa nesta biblioteca durante as férias; e, quando a encontraram, ela havia morrido. Foi de fome e sede que você morreu?

– Não. Foi de tristeza e solidão. Vá buscar o meu ursinho, Ana; eu o quero de volta.

– Eu não compreendo. Sobre que ursinho você está falando?

– O ursinho que Miguel roubou de mim, e que você guarda até hoje.

– Aquele ursinho é meu, e Miguel não o roubou. Ele o ganhou em uma competição, no parque de diversões.

– Mas o ursinho pertencia a mim. Eu o ganhei naquele mesmo dia, e o deixei cair. O homem do parque o encontrou e o transformou em prenda. Eu me afastei dos meus pais quando vi o ursinho na sua mão. Eu segui você e Miguel. Vi quando atravessaram a rua para entregar um livro na biblioteca. Eu também entrei; me escondi atrás de uma estante e comecei a chorar; cansei de chorar e adormeci. Os meus pais procuraram por mim em toda a parte, mas a biblioteca ficou fechada no período de férias, e ninguém suspeitou que eu estivesse lá.

– Você está mentindo; aquela biblioteca ficava em outra cidade.

– Foi naquela biblioteca que eu morri. Você não soube da história, porque se mudou para cá naquele mesmo dia. A história que contam sobre esta biblioteca deve ter sido inventada. Eu quero o meu ursinho, Ana. Se você o mantiver ao seu lado, só atrairá má sorte para você e para Miguel. Ele está em apuros. O seu sonho de ser descoberto por um time de futebol o levou para um clube que não existe neste mundo. Ele pensa que está treinando para jogar em um time de verdade, mas ele só está entretendo zumbis do submundo.

– Você mente! Só está querendo me assustar.

– Não! Se você prometer devolver o meu ursinho, posso levá-la até ele. Segure a minha mão e feche os olhos.

Ana obedeceu. E, no momento seguinte, estava no dormitório de Miguel.

Ao vê-la, ele se levantou, dizendo:

– Eu devo estar sonhando. O que você faz aqui? Você morreu, Ana?!… Como surgiu do nada?!… Quem é essa garota com você?

– Eu não tenho tempo para explicar. Você precisa vir conosco.

– Ir com vocês para onde?!… Eu tenho treino amanhã.

– Miguel, acredite em mim: este lugar não existe.

– O que você está dizendo? Faz um ano que estou treinando neste time. Eles me disseram…

Nesse momento, a garotinha, que permanecera calada até então, interrompeu Miguel para dizer:

– Eles mentiram. Fechem os olhos que os levarei para um lugar seguro.

Confuso, Miguel balbuciou:

– Eu não posso ir sem o meu pássaro vermelho. O técnico o mantém em seu quarto, e cuida bem dele.

A garotinha afirmou:

– O seu pássaro de estimação continua em seu quarto. Ele nunca saiu de lá. Se você não se apressar, eles logo perceberão a nossa presença e não poderemos mais sair. Feche os olhos e segure a mão de Ana.

Miguel obedeceu, e Ana utilizou a outra mão para segurar a mão da garotinha. Quando eles tornaram a abrir os olhos, estavam no quarto de Ana.

Embora Miguel lutasse para compreender o que havia acontecido, ele estava muito feliz por ter reencontrado Ana. Ela, por sua vez, sem perder tempo, entregou o ursinho de pelúcia à garotinha. As duas sorriram, e o fantasma desapareceu.

Miguel telefonou à sua mãe e verificou que a história que a garotinha havia contado era verdadeira. Sua mãe, felicíssima, disse-lhe que ele havia desaparecido há mais de um ano, e que seu pássaro vermelho quase morrera de tristeza.

Miguel retornou à faculdade, e seus colegas se surpreenderam com o modo que ele passara a jogar. A oportunidade surgiu, e ele recebeu um convite para jogar no time de seus sonhos. Realizado profissionalmente, dois anos depois, ele pediu Ana em casamento, e os dois viverão felizes para sempre.

FIM

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About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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One Response to ANA E O FANTASMA DA BIBLIOTECA

  1. Ketlyn Mayla says:

    Que imaginação!!! Adorei esta história.

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