O CAÇADOR LAÉRCIO E O DRAGÃO ADORMECIDO

A história a seguir foi escrita com a colaboração de:
• 20 alunos da 5ª Série D: Adrielly Alves, Beatriz Santos, Bruno Silva, Caroline Reis, Cristian Santos, David Vilaça, Gabriel Almeida, Gabriel Nascimento, Hiago Bandeira, Jefferson Rocha, Katia Santos, Larissa Alves, Leonardo Gabriel, Maxwell Almeida, Monalisa Moreira, Pablo de Oliveira, Ruanda Santos, Thiago Menezes, Victor Silva e Vitor Matheus.
• 2 alunos da 5ª Série C: Alicia Vieira e Luiz Gustavo.
• 2 alunas da 7ª Série B: Gleyciane Santos e Mariana Oliveira.

O CAÇADOR LAÉRCIO E O DRAGÃO ADORMECIDO

Era uma vez um dragão que morava em uma caverna fria e escura. Todos evitavam aquele trecho da floresta por acreditarem que o gigantesco animal fosse feroz.

Certa vez, durante as festividades que eram realizadas anualmente na vila, um homem muito influente ofereceu grande quantia em dinheiro, e propôs que todos contribuíssem para que o matador do animal pudesse receber uma recompensa condizente com sua astúcia e coragem.

Ninguém se negou a doar parte de seus bens à nobre causa. Acreditava-se que muitos arriscariam suas vidas para conquistar o fabuloso prêmio. Mas apenas um homem se inscreveu para a perigosa tarefa. O seu nome era Laércio. Os seus feitos eram conhecidos por todos, e o seu nome despertava respeito e admiração. Embora ele fosse jovem, e o seu rosto apresentasse uma beleza angelical; ele possuía a fama de ser um caçador implacável. A sua pontaria era infalível, e a sua obstinação em ostentar a cabeça de sua presa como um troféu era o que parecia dar sentido à sua vida.

Quando o seu nome foi anunciado, corações dispararam, e suspiros de amor e apreensão foram ouvidos. Não havia uma jovem que não sonhasse em se casar com o intrépido caçador. E ele partiu para encarar o seu destino.

Após duas horas de caminhada, ele parou em frente à caverna. Um silêncio sepulcral sussurrou em seu ouvido que aquele poderia ser o seu fim. Laércio esboçou um sorriso malicioso ao verificar que aquela fora a primeira visita que o medo fizera ao seu coração. Sem vacilar, ele adentrou a caverna e começou a percorrer o estranho labirinto.

Pobre criatura!… Algo tão colossal não poderia se esconder por muito tempo. E a respiração do animal adormecido logo começou a ecoar denunciando a sua localização. Laércio posicionou-se diante do horrendo ser que parecia ter escapado de algum livro de contos mitológicos. Mirando num ponto entre os olhos, ele se preparava para atirar quando um pensamento incômodo o fez recuar, e ele se sentou recostado a um amontoado de pedras. Seria covardia matar um animal que não estava em condições de se defender. Por outro lado, se esperasse a monstruosa criatura despertar, ele se tornaria o ser indefeso. Convenceu-se de que, se quisesse matar o dragão, deveria atirar logo, enquanto ele dormia, em vez de sentir piedade. Um coração empedernido como o seu desconhecia esse sentimento. Na sua profissão, se ele vacilasse, de caçador ele poderia se transformar em caça. Por que escolhera ter escrúpulos num momento inoportuno como aquele?!…

O dragão acordou, e seus olhos imensuradamente grandes contemplavam o insignificante adversário. A bala daquela espingarda não conseguiria feri-lo, porque nada poderia penetrar sua pele áspera e rugosa. Quando aquela maldição terminaria?! A feiticeira a havia transformado em um dragão porque invejava o seu coração dócil e sensível. Ao matar um ser humano, mesmo que fosse para se defender, o seu coração se tornaria tão empedernido quanto o de sua terrível madrasta. Lágrimas enormes começaram a se desprender dos olhos profundos do dragão que, para esquecer a sua terrível desventura, passava a maior parte do tempo dormindo.

As lágrimas do dragão despertaram um sentimento desconhecido no coração de Laércio. Instintivamente, ele abandonou a espingarda e, aproximando-se do animal que parecia afundar em areias de solidão e tristeza, ele se aventurou a tocar sua face úmida. Nesse momento, Laércio estremeceu e caiu para trás ao vislumbrar o imenso clarão e a explosão de luzes coloridas que cobriram o ser alado. Mas o seu coração serenou, e ele se levantou encantado com a formosa jovem que substituiu a malfadada criatura. Embora a jovem não conseguisse articular uma palavra, pois nascera muda, Laércio parecia ter o poder de ler os seus pensamentos e os seus sentimentos mais profundos. Ele se aproximou, e beijou-a docemente.

De Laércio e do dragão, ninguém mais ouviu falar. Mas eu lhe garanto que foi assim que tudo aconteceu. Quem me contou?!… O próprio Laércio no dia em que eu visitei a terra dos sonhos.

FIM

Sisi Marques & Colaboradores

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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