UNIDOS NA BUSCA PELA PAZ (Parte 1)

Há muito tempo, a guerra entre dois reinos vizinhos parecia inevitável. Receando que muitas pessoas morressem durante as batalhas, o guardião dos destinos resolveu convocar a vida e a morte para uma reunião de emergência.

Quando os três se encontraram, a vida não conseguiu evitar o comentário espirituoso:

– Talvez seja o momento do meu irmão realizar o seu sonho de passar alguns dias em uma cidade litorânea. Ninguém mais do que ele merece umas férias.

A morte aproveitou a ocasião para fazer um gracejo:

– É por esse motivo, irmãzinha, que gosto de você: é a única que me compreende. Por que não tiramos férias juntos? Poderíamos nos divertir a valer.

Antes que a vida pudesse emitir algum comentário, o guardião dos destinos os repreendeu severamente:

– Parem vocês dois! Parecem não se cansar nunca!…

A morte e a vida entreolharam-se, lutando para não deixar escapar um sorriso. Aquele parecia não ser um bom momento para demonstrarem o quanto se amavam. Vestiram o véu da seriedade e começaram a ouvir com atenção.

Satisfeito com a mudança de comportamento dos dois irmãos, o guardião dos destinos disse:

– A situação é gravíssima. O reino de Adelmo possui um exército numeroso e rigorosamente treinado. Dificilmente, Adelmo perderia sua situação de poder para Clemêncio. Muitos rebeldes, insatisfeitos com as arbitrariedades de Adelmo, juntaram-se ao exército de Clemêncio na esperança de fortalecê-lo, mas de nada servirá. Muitos morrerão, e os que restarem serão escravizados. Não podemos permitir que algo tão desonroso aconteça.

A morte não conseguiu evitar o comentário:

– Por que não estou surpreso?!… Desde o início dos tempos, o homem tem escolhido sempre a violência como a saída mais fácil. Está cego para os horrores que ela traz. Seus olhos voltam-se para a ganância das conquistas, e ele vira as costas para o sofrimento alheio. O inimigo “deixa de ser seu semelhante” e passa a ter menos valor do que…

O guardião dos destinos interrompeu a morte, dizendo:

– Já basta. O que você está dizendo não é segredo para ninguém. Não adianta abraçarmos a revolta; precisamos encontrar uma solução pacífica. Dessa vez, sinto que poderemos evitar o derramamento de sangue. A razão há de prevalecer.

A vida aproveitou a oportunidade para dizer:

– Eu, mais do que ninguém, gostaria de fazer algo a respeito. Odeio o vazio, a sensação de fracasso e o desperdício que acompanham uma guerra.

A morte aproximou-se da vida e abraçou-a na tentativa de afastar aqueles pensamentos dolorosos. A vida aceitou o abraço e disse tristemente:

– Não se preocupe comigo; eu estou bem. É melhor partirmos logo, para podermos observar e decidir o que fazer para amenizar o conflito.

(Não perca, no PRÓXIMO DOMINGO, dia 30/06/13, a 2ª Parte da história “Unidos na Busca pela Paz”.)

Até breve.

Sisi Marques

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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