CARLOS E SEUS DOIS AMIGOS: O RATINHO E O DRAGÃO

A história a seguir foi escrita com a colaboração de:
• 20 alunos da 7ª Série A: André Sousa, Anna Clara, Aran Alves, Beatriz Mariane, Elisane Martins, Everton Silva, Fabiana Sampaio, Guilherme Silva, Jennifer Aline, Jordan Jesus, Kelvin Cristiano, Letícia Bianca, Luana Cassia, Mariane Isabeli, Mateus Silva, Murilo Vinicius, Nilver Gustavo, Ruth Estrela, Thais Oliveira e Vitória Franco.
• 4 alunos da 7ª Série B: João Vitor, Luiz Henrique, Matheus de Sousa e Michael Douglas.

CARLOS E SEUS DOIS AMIGOS: O RATINHO E O DRAGÃO

Em um dia ensolarado, um ratinho, que tinha um desejo enorme de voar, procurou a sombra de uma árvore frondosa para abrigar-se do sol escaldante. Uma pomba, que repousava na copa da árvore, teve sua visão ofuscada pela luz do sol e confundiu o rabo do ratinho com uma minhoca. O ratinho, que estava parcialmente encoberto pelas raízes expostas da árvore, não viu quando a pomba se aproximou, mas pôde sentir a dor de ter sido o alvo de suas bicadas.

Durante todo aquele dia, ele se sentiu muito mal e ficou quietinho, repousando. Foi só no dia seguinte que ele se aventurou a passear pelas ruas da cidade. A vida parecia ter voltado ao normal, e ele acabou indo parar no terraço de um edifício. Como eu disse anteriormente, ele sonhava em poder voar, e essa paixão por lugares altos frequentemente o colocava em apuros. Dessa vez, não foi diferente. Uma moça que estava varrendo o terraço, ao se deparar com o intruso, usou a vassoura para lançá-lo para fora do terraço.

O ratinho, ao alcançar a imensidão do espaço, pensou que fosse morrer. Mas felizmente não foi isso o que aconteceu. Você se lembra da pomba? Ela era mágica e, no momento em que bicou o rabo do ratinho três vezes, concedeu-lhe três desejos. O primeiro já estava sendo realizado: das costas do ratinho, despontou um par de asas belíssimas. Feliz com o inesperado presente e, não mais preocupado com sua sobrevivência, ele começou a usufruir da leveza e da agilidade de suas asas.

O ratinho voou durante horas, e não havia nada que o fizesse parar, exceto um ser gigantesco e também alado, que parecia estar em apuros. O ratinho trocou o prazer de voar pela oportunidade de servir. Ao se aproximar daquele ser desconhecido, quase perdeu a audição quando o ouviu dizer:

– Por favor, ratinho, vá buscar ajuda. Eu moro numa caverna escura e só saio de lá para caçar. Enquanto eu voava, a minha asa esquerda ficou presa no galho de uma árvore. Eu me debati para soltá-la, caí e acabei me ferindo ainda mais. Preciso que alguém cuide dos meus ferimentos, porque, do contrário, morrerei.

O ratinho, embora não soubesse falar, compreendeu perfeitamente o que o dragão lhe dissera, e saiu voando para buscar ajuda. Ele ficou curioso quando viu um jovem revirando uma montanha de lixo, e foi ao seu encontro. Nesse momento, desejou ter voz para poder conversar com o rapazinho, e surpreendeu-se quando conseguiu dizer:

– Eu não sei o que você está procurando, mas eu aposto que não é mais importante do que salvar a vida do meu amigo dragão.

O ratinho, sem ter consciência de quão afortunado ele era de poder estar desfrutando do seu segundo desejo, ficou surpreso ao ouvir o rapaz exclamar:

– Sai pra lá, bichinho fedorento! Apenas um copo de cerveja não seria suficiente para que eu começasse a ouvir um rato falar. Eu já estou há tanto tempo mergulhado nessa vida de imundície que devo estar enlouquecendo.

O ratinho pensou: “Esse aí parece estar até mais enrascado do que o meu amigo dragão! Ele só poderá me ajudar, se eu conseguir socorrê-lo antes.”

O garoto, após chutar o ratinho, disse:

– Não ouviu?!… Cai fora!

O ratinho, depois de se refazer da cambalhota forçada, disse:

– Eu não quero ser o alvo desse seu azedume! Só estou aqui porque preciso que alguém preste assistência ao meu amigo dragão.

– Dragões não existem. E você também deve ser um produto da minha imaginação! Ouça, eu já tenho problemas demais. A minha vida nem sempre foi assim. O meu pai trabalhava, tinha um bom emprego… Eu estudava, tirava boas notas… Mas, aí de repente, tudo o que era bom se transformou em fumaça. Depois que o meu pai perdeu o emprego, o dinheiro, antes abundante, começou a faltar. Perdemos a casa, eu tive que mudar de escola… Mas pior do que tudo isso foi eu ter sido obrigado a me afastar de Cristina. No tronco da árvore que fica no centro do pátio da minha antiga escola, os nossos nomes ainda estão escritos dentro do coração que ela desenhou: Carlos e Cristina. Eu fico revirando esse lixo na esperança de encontrar algo de valor. Hoje é aniversário dela, e eu não tenho dinheiro para nada. Não posso visitá-la, porque não tenho roupas decentes para vestir. Não posso comprar-lhe um presente, porque não tenho dinheiro nem ao menos para comprar comida para mim e para o meu pai, que começou a beber de desgosto.

Pensativo, o ratinho perguntou:

– Se eu prometesse ajudá-lo a conseguir o dinheiro de que você precisa para realizar todos os seus sonhos, você viria comigo para fazer curativos no meu amigo dragão?

– Você não desiste mesmo! Depois de ter visto um rato que fala, só faltava eu encontrar um dragão de verdade! Leve-me até o seu amigo.

O ratinho voava enquanto Carlos começava a se cansar de tanto caminhar. O ratinho exclamou:

– Seria tão bom se já estivéssemos lá!

E, desse modo, o ratinho obteve a realização de seu terceiro desejo: num passe de mágica, ele e Carlos estavam em frente ao dragão ferido. Ao verificar que o ratinho não mentira, Carlos apiedou-se e cobriu o animal de atenção e cuidados. Todos os dias, antes de ir para a escola, Carlos visitava os seus dois novos amigos. Mas houve um dia em que Carlos não mais os encontrou. Aborrecido, ele sentou à sombra de uma árvore e começou a pensar nas contrariedades da vida. Perdera o amor de Cristina, e agora perdia também a amizade daqueles dois animaizinhos que ele aprendera a amar. Carlos chorou, chorou muito, e teria continuado chorando, se não tivesse ouvido o ratinho perguntar:

– Está chorando de saudade de sua namorada?

Carlos sorriu, antes de dizer:

– Não! Dessa vez não! Eu pensei que vocês tivessem me abandonado. Onde está o dragão?

O ratinho respondeu satisfeito:

– Ele nos aguarda em sua caverna. Existe lá um tesouro que ele deseja lhe oferecer. Ele me contou que aquele baú de pedras preciosas está escondido ali há séculos. Venha, embora o aniversário de Cristina já tenha passado, vocês ainda têm a vida toda pela frente.

Carlos, com o coração repleto de esperança, acompanhou o ratinho até a caverna do dragão. Além de ficar feliz com o restabelecimento de seu amigo, os seus olhos brilharam de alegria ao contemplar as pedras reluzentes que pareciam ter sido esquecidas no fundo do baú, numa parte quase inexplorada da caverna.

Carlos, prudente como o seu pai o havia ensinado a ser, confiou em seu amigo para continuar guardando o tesouro, e foi transformando-o em dinheiro aos poucos e discretamente, para não atrair a atenção de aventureiros, e também para não colocar em risco a vida do dragão.

Carlos e seu pai enriqueceram de um modo que jamais sonharam. O seu pai desvencilhou-se do vício do álcool e também fez amizade com o ratinho e o dragão.

Cristina também se familiarizou com os dois amiguinhos de Carlos. A felicidade era tão completa que fazia com que os anos parecessem dias; os jovens apaixonados se casaram e viveram felizes para sempre.

FIM

Sisi Marques & Colaboradores

About Sisi Marques

Adoro escrever e amo este blog. As histórias só florescem quando um coração generoso se abre para recebê-las. Quando não há alguém para ouvi-las, elas não desabrocham e morrem na terra do esquecimento. A sua audiência há de transformar este blog num imenso e perfumado jardim. Obrigada.
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